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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ AÑO NUEVO

     Gostaríamos de desejar a todo um feliz ano novo, repleto de saúde, paz, alegrias e realizações. Este período do ano é marcado por mensagens, correntes, que dizem um monte de coisas. A única coisa que gostaríamos de dividir com TODOS é que é muito gratificante estar realizando um sonho e perceber que a vida não é nada além do que fizemos dela. Não deixe para depois, não adie suas metas, vá atrás e faça o possível para fazer aquilo o que acredita, independente do que vão pensar, achar e dizer!
    

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

35º Dia - Uspallata - 21/12/10 - Terça-feira

     Acordei com muito enjoo e ânsia de vômito. Pedi para o Moacir levantar e fui correndo para o banheiro. Estava com diarréia e me sentindo muito enjoada. Quando voltei para o quarto, deitei na cama e o Moacir foi para outra para me deixar mais a vontade, visto que estava muito calor.
     Depois de meia hora deitados, o Moacir levantou para o café da manhã, mas eu não me sentia animada e continuei dormindo. Após o café, ele foi até a cidade de Uspallata para comprar legumes e fazer uma canja de galinha para mim (não é muito fofo esse meu maridinho?). Ao voltar da cidade, ele me obrigou a beber um isotônico e comer umas três bolachas, em seguida, começou a preparar o almoço.
     Quando a comida ficou pronta, me animei um pouco e fui comer na cozinha. Entretanto, depois do almoço, me senti enjoada novamente e fui deitar. Dormi até umas 16h e fui tomar banho. Ao sair do banho me senti enjoada novamente e voltei para a cama (mais uma vez!). Enquanto dormia o Moacir ficava trabalhando no computador editando fotos e vídeos e indo ver se estava tudo bem comigo a cada dez minutos. Ao me ver na cama depois do banho ele se assustou e me obrigou a comer mais um pouco de canja e a beber muita água. Depois de tanto mimo, fiquei um pouco melhor e fui acompanhá-lo no computador.
     Ao longo do dia fui melhorando. Infelizmente hoje não temos muitas novidades, pois fomos obrigados a passar o dia no hostel. A boa notícias é que Los Penitentes fica à uns 65km daqui e a estrada não sobe muito mais (se soubéssemos disso nem teríamos pego ônibus em Rio Cuarto). Ou seja, chegando cedo em Los Penitentes poderemos fazer os passeios até o Aconcágua e até a Puente del Inca. E ainda, passaremos o natal no alto dos Andes. Óbvio que junto com a notícia boa vem uma não tão boa: os paulistas disseram que Los Penitentes é uma cidade muito pequena, que não tem muito comércio e que tudo é caro lá. Resumindo, teremos que nos abastecer em Uspallata e subir com toda ceia de natal nas bikes. Mas o importante é saber que, apesar da distância e da saudade da família e dos amigos, teremos um natal único em nossas vidas.
Gastos:
- Mercado: R$33,64

34º Dia - Potrerillos - Uspallata - 20/12/10 - Segunda-feira

     Antes de relatar os fatos de hoje, gostaríamos de dizer que já faz muito, mas muito tempo, que estamos completamente perdidos nos dias da semana. Normalmente vamos saber se é quarta ou domingo somente na hora de escrever o relato do dia.
     Bom, hoje acordamos com calma e ficamos um tempinho deitados conversando. Em seguida fui fazer umas torradas para o nosso café. Tomamos nosso desayuno na cama e, quando estávamos levantando, batem na porta avisando que o check out é às 10h (já era 10h30min, não sei porque não avisam do horário quando fazemos o check in).
     Arrumamos nossas coisas e partimos em direção ao lago. Chegando num ponto da estrada em que avistávamos bem, ficamos um tempo só observando. Achamos que não era uma boa ir até o lago, pois não iríamos tomar banho nele e também não veríamos nada que não tivéssemos visto ainda. Sendo assim, seguimos nosso caminho para Uspallata.
     Hoje o percurso era pequeno, mas um grande ponto de interrogação. Assim que saímos de Potrerillos pegamos um bom trecho de descida. Após este pedaço, o caminho foi intercalado com subidas e descidas pouco íngrimes. O tempo todo fomos costeando o rio Mendoza, hora no seu nível, hora mais acima. Passamos por um local chamado Guido (umas três casas) e tinha uma placa que indicava altitude de 1508m. Lembramos que esquecemos de ver a altitude em Potrerillos, mas assim que chegarmos em Uspallata veremos quanto já subimos.
     A estrada é meia boca, pois o acostamento não é de asfalto e sim de pedras. Precisamos andar o tempo todo na linha branca, mas pelo menos o tráfego não é tão intenso quanto nos falaram. Entretanto, está é a estrada mais incrível em que já estivemos. A cada curva aparece uma paisagem mais linda do que a outra. Estamos literalmente maravilhados com os Andes. Cada dia que passa temos mais certeza de que é o local mais bonito que conhecemos.
     Chegando no Uspallata Hostel (que fica na beira da Ruta 7 e um pouco afastado da cidade) fomos super bem atendidos pelo Gabriel. Ele nos mostrou as instalações (excelentes) e nosso quarto. Como de praxe, nos instalamos e tomamos banho. A Cris foi dar uma alongada e eu fui renomear as nossas fotos, pois já estávamos esquecendo onde foram tiradas. É muito bom ficar vendo as fotos e relembrando tudo que já passamos.
     Nesse meio tempo chegaram dois franceses que estavam fazendo uma viagem através dos Andes, do Equador até a Patagônia, de bike. Um só falava francês e o outro arranhava o espanhol. Como a comunicação estava difícil e eles partirão cedo amanhã, acabamos convversando pouco.
     A Cris acordou com uma coceira que não passava. Assim que levantou da cama viu um carrapato no travesseiro. Foi até o computador e me pediu para ver se não havia algum em suas costas, mas não tinha nada. A presença do carrapato se deve aos cincos cães de guarda do hostel (três Golden e dois guaipa). Eles não entram nas instalações, mas entendemos que é praticamente impossível evitar parasitas tendo animais soltos no pátio.
     Acabamos de renomear e fomos fazer um risoto de tomates secos para a janta. Chegando na cozinha, encontramos dois paulistas que estão viajando pela Argentina. Conversamos um pouco e jantamos (é muito bom falar português!). Após a janta fomos dormir. Para dormirmos tranquilos, colocamos a barraca em cima da cama e a prendemos na cama de cima com extensores.
Gastos:
- NADA!
Estatísticas:
- Distância: 48,78km   - Tempo: 3h08min34'   - Média: 15,52km/h
Condições da estrada:
- Mediana, pois o acostamento é repleto de pedras.

33º Dia - Mendoza - Potrerillos - 19/12/10 - Domingo

     Antes de mais nada, gostaríamos de fazer algumas observações sobre Mendoza. Em toda a cidade existe um sistema de "valas" que servem para irrigar as árvores na parte urbana e as plantações na parte rural. A cidade é muito seca e tal sistema já era utilizado antes da chegada dos espanhóis. Achamos interessante, também, a utilização de "bondes" (na verdade ônibus) elétricos com uma ligação parecida com a do trensurb de Porto Alegre (na parte superior do veículo). Outro ponto que nos chamou a atenção foi a "onde verde" (vimos também em Rosário e Buenos Aires). A "onda verde" é uma placa com esses dizeres e a indicação de uma determinada velocidade, pois nesta velocidade o veículo pegará todas as sinaleiras abertas. É muito interessante observar as alternativas que cada cidade constrói para solucionar as suas dificuldades. Os nossos representantes poderiam usar todos os milhões gastos em viagens para aproveitar esses conhecimentos aplicando-os no nosso país! Continuando...
     Hoje acordamos tadre (8h30min), eu (Cris) estava com muita dor no corpo devido ao cansaço dos passeios anteriores. Levantamos, tomamos café, tomamos banho e arrumamos tudo para sair. Às 10h30min agradecemos o apoio do pessoal do hostel e partimos rumo a Potrerillos.
     A estrada estava péssima no início da viagem, sem acostamento e com muito movimento. Quando eu já estava desistindo de tudo, aparece uma estrada ótima e com um largo acostamento. Andamos uns 25km até a Ruta 7 e paramos para comer algo e beber a última gaseosa gelada, visto que na ruta não há centro de serviços.
     Andamos um pouco antes de chegar na cordilheira. Neste trajeto vimos um terreno bem plano, extremamente seco (os rios eram pura pedra!) e até com alguns mini tornados. Sempre presente como plano de fundo aquele paredão de rochas, sendo que um pico (acreditamos ser algum próximo ao Aconcágua ou ele mesmo) estava no meio das nuvens de tão alto.
     Assim que começamos a subir percebemos que os próximos dias não serão brincadeira. Em contra partida, a paisagem é algo completamente diferente de tudo que já havíamos visto em toda nossa vida. A cada km da vontade de parar e tirar fotos e filmar tudo durante muito tempo.
     Estávamos pedalando quando, de repente, surge um lago no meio das montanhas! O lugar parecia um oásis de desenho animado. Paramos para comer algo e ficamos admirando, completamente hipnotizados, a paisagem. Após um tempo, seguimos viagem, pois o tempo estava fechando.
     Para nossa surpresa, andamos uns 5km e chegamos a Potrerillos. A cidade é bem pequena, mas parece ser muito frequentada pelos argentinos no fim de semana. Chegando no centro da cidade nos instalanos numa cabaña bem legal. Em seguida fomos num mercadinho para comprar os ingredientes que faltavam para a janta.
     Jantamos uma massa com molho vermelho e queijo cremoso acompanhada de um vinho rosé doce que compramos na feira de matadero em Buenos Aires. Após a janta vamos descansar para que amanhã façamos com calma os 55km de subida até Uspallata .
      Vale ressaltar que gostamos muito do povoado de Potrerillos. Amanhã pela manhã faremos um tour pelo lago para conhecermos um pouco mais.
Gastos:
- Coca: R$1,80   - Cabaña: R$73,00   - Mercado: R$10,90   
Estatística:
- Distância: 76,52Km   - Tempo: 5h43min08'   - Média: 13,38km/h
Condições da estrada:
- Ruta 40 muito ruim e muito movimentada. Ruta 7 ruim, mas com movimento de pequeno a médio.

domingo, 19 de dezembro de 2010

32º Dia - Mendoza - 18/12/10 - Sábado

     Acordamos tarde (10h) depois de duas noites seguidas "fazendo noite". Ontem fomos conhecer a "Alameda", mas não havia nenhum evento especial lá e os bares estavam quase todos fechados. Acabamos a noite em um "Mr. Dog" comendo um pancho com papas fritas e gaseosa. Mesmo assim fomos dormir tarde, e a chuva que caiu durante toda noite ajudou a embalar ainda mais o nosso sono.
     Assim que acordamos fomos confirmar o nosso passeio às vinícolas de Mendoza. Com tudo acertado, fomos tomar café e organizar as bikes e os mantimentos para a subida dos Andes que começará amanhã. Organizamos tudo, tomamos banho e saímos para comprar algo para o almoço. Pegamos umas empanadas e uma tortilla em uma rotiseria e voltamos para o hostel para esperar o pessoal da excursão.
     Lá pelas 14h10min entramos no microônibus rumo aos vinhedos. Depois de 1h na cidade pegando os outros passageiros chegamos na nossa primeira parada: uma vinícola pequena mas com uma tecnologia bem moderna. Aprendemos os processos de preparação dos vinhos, as diferenças na degustação dos vinhos tinto e branco (nem imaginávamos que o reflexo da cor do vinho poderia querer dizer alguma coisa sobre ele) e, finalmente, degustamos! Infelizmente os vinhos não eram muito bons, seguimos esperançosos para a nossa segunda parada: uma fábrica de azeite de oliva extra virgem. Na fábrica, as explicações foram bem curtas mas foi bem interessante saber que a azeitona preta é a mesma que a verda mas mais madura e que o azeite extra virgem não passa por nenhum processo químico. Depois da degustação compramos uns tomates secos e um mini azeite de oliva não filtrado.
     Saímos da fábrica rumo à terceira e última parada do dia: uma vinícola orgânica onde todo vinho é produzido de maneira artesanal. Achamos curioso que eles reservam o vinho "jovem" em recipientes de concreto. A degustação foi um pouquinho melhor, mas também deixou a desejar. Nesse ponto devemos dizer que, bairrismo à parte, as vinícolas do Vale dos Vinhedos na serra gaúcha dão de 10!
     Esperamos que a Chandon que compramos no super por R$20,00 para o natal não nos decepcione como o vinho dessas vinícolas. Para quem vem visitar Mendoza, recomendamos que visitem as grandes vinícolas, pois as familiares nem sempre são boas. É legal ver a produção de perto, mas é um risco que se corre em relação à qualidade dos produtos.
     Chegamos ao hostel, comemos um lanche e começamos a postar os relatos que estão atrasados. Depois pretendemos sair para jantar, provar os Helados Griddo (o McDonald's dos sorvetes daqui) e dormir, pois amanhã começa a grande subida... aguardem!!!
Gastos:
- Passeio: R$55,00   - Empanadas e Tortilla: R$12,80   - Super: R$48,80   - Tomates secos e azeite: R$7,00   - Janta: R$29,50   - Sorvete: R$5,90

31º Dia - Mendoza - 17/12/10 - Sexta-feira

     Acordamos 9h, tomamos café e voltamos para cama. O quarto é muito quente (o que dificulta o nosso sono durante a noite) e o ar condicionado é muito frio, além de muito barulhento (o que impede que seja ligado durante a noite). Acordamos renovados às 12h e fomos buscar nossas roupas na lavanderia e aproveitamos para passarmos no restaurante vegetariano para comprar algo para levarmos no nosso passeio ao Parque General San Martin durante a tarde. De volta ao hostel, nos arrumamos e pegamos as comidas e bebidas para sairmos em direção ao parque.
     Depois de caminhar uns 20min sob um sol escaldante, chegamos nos portões do parque. Assustamo-nos com o tamanho dele! Ele é imenso! Só para ter idéia, ele é cortado por uma avenida principal e outras diversas ruas. Visitamos a Fonte dos Continentes, o lago (onde fizemos nosso pic-nic), o velódromo e o Cerro de La Gloria. Até chegar ao cerro são 3km de subida constante e, chegando nele, são 500m de trilha em que se sobe cerca de 100m de altitude. A visão de cima do Cerro de La Gloria é magnífica! Conseguimos ver toda cidade de Mendoza de um lado do cerro e do outro o deserto e os morros da Cordilheira dos Andes. Não conseguimos avistar neve, mas a esperança persiste. Em cima do cerro existe uma série de estátuas referentes às batalhas de libertação da Argentina e do Chile, onde o principal personagem foi o General San Martin.
     Na volta ao hostel, paramos em outra sorveteria para nos refrescarmos um pouco (estava uns 30ºC às 19h). Hoje a noite iremos na "Alameda" conhecer os vários barzinhos que nos indicaram.
Gastos:
- Sorvete: R$12,53   - Janta: R$11,90   - Almoço: R$10,50

sábado, 18 de dezembro de 2010

30º Dia - Mendoza - 16/12/10 - Quinta-feira

     Acordamos às 9h preocupados com o horário do check out, visto que ainda não havíamos confirmado o apoio do hostel ao nosso projeto. O Moacir levantou e foi falar com o pessoal da recepção, mas o gerente ainda não havia chegado e teríamos que esperar mais ainda. Fomos tomar café (muito bom) e decidimos dar uma volta na "Plaza Independencia" para curtir as árvores, o chafariz e uma brisa, pois o calor está terrível aqui.
     Ficamos conversando na praça até umas 11h30min e voltamos ao hostel para falar com o gerente. O Moacir explicou para ele sobre o apoio e ele disse que teria que falar com a sua chefe, mas que poderíamos ficar até definirem se aceitariam ou não. Sendo assim, deixamos nossas coisas no hostel e fomos almoçar. Comemos em um restaurante vegeratirano excelente (Sofia). Em seguida, levamos nossas roupas para lavar, pois quase todas estavam imundas. No caminho, vimos uma sorveteria e decidimos nos refrescar com um sorvetinho. Voltando para o hostel passamos no super e compramos o que faltava para a nossa janta.
     Chegando no hostel, ficamos sabendo que teríamos que falar pessoalmente com a supervisora a quem o gerente se remete. Desta maneira, eu fiquei fazendo a janta e o Moacir foi na agência para tentar resolver tudo. Ele falou com a supervisora e voltou ao hostel para jantarmos, mas sem uma definição ainda porque ela precisava de um email do presidente da federação brasileira ou da federação argentina para nos fornecer hospedagem. Enquanto jantávamos recebemos a boa notícia do Gabriel (gerente) de que iriam nos apoiar.
     Após a janta fomos dar uma volta pela cidade. Caminhamos pela Av Villanueva e vimos inúmeros barzinhos muito legais e com muitas cadeiras na rua. A noite estava perfeita para um chopp e ficar jogando conversa fora, sendo assim, foi exatamente o que fizemos. Às 2h acabamos nosso missil (2,5l de chopp) e voltamos ao hostel. Durante o trajeto paramos em uma esquina em que estava tocando a música "New York New York" e começamos a dançar. De repente, um rapaz num carro que estava passando grita: "Suerte. Bailando por un sueño" (dança dos artistas daqui)..hehe.. Depois disso nos aquietamos e voltamos ao hostel para dormir.
Gastos:
- Remédio: R$36,50   - Chopp: R$16,00    - Sorvete: R$7,30   - Almoço: R$20,50   - Lavanderia: R$11,40   - Super: R$8,50

29º Dia - Rio Cuarto - Mendoza - 15/12/10 - Quarta-feira

     Acordamos às 7h pra dar tempo de fazer tudo tranquilamente. Tomamos nosso café, arrumamos tudo e fomos para a rodoviária. Chegando lá, a Cris começou a desmontar a bike dela e eu fui pegar as caixas para as rodas na borracharia ali perto. Desmontamos e encaixotamos tudo e era apenas 9h30min. Resolvemos aproveitar esse tempo de sobra para comprar algumas porcarias para irmos beliscando, pois a viagem é longa. Compramos sanduíches, médias lunas, bolachas (uma com recheio parecido com maria mole), água e suco.
     Em torno de 10h20min. Como já passei (Moacir) um perrengue para levar bike em ônibus na prova de Audax 1000km, fui verificar se estava tudo certo. Só pra variar disseram que não dava para levar (na hora de vender a passagem sempre dizem que esta tudo certo). Depois de um certo corre corre e ter que pagar mais R$50,00 de excesso de bagagem, resolvemos tudo.
     Durante a viagem fomos observando tudo. Compramos os assentos do 2º andar e bem da frente (em cima do motorista) justamente para conseguirmos ver o relevo, a vegetação, vento, estrada e povoados.
     No geral ratificamos o acerto da nossa escolha, pois boa parte da estrada não tem acostamento, diversos pontos estão em obra e existe um fluxo intenso de caminhões e ônibus. Além disso, passamos por um acidente onde uma caminhonete atropelou um ciclista que, aparentemente, faleceu. Isso fez com que relembrássemos a importância de pedalar com segurança sempre!
     Chegando em Mendoza, ficamos no Campo Base Hostel. Amanhã falaremos com o gerente para ver a possibilidade de hospedagem gratuita. Após nos instalarmos fomos numa casa de câmbio e no super.
     De volta ao hostel a Cris foi tomar banho e eu fui fazer a nossa janta (arroz, ovo frito, batata cozida, bife de chorizo acebolado, molho vermelho e salada de cenoura com tomate). Este período em Mendoza será de engorde para mim (Moacir), pois até agora perdi 5,5Kg desde o início da expedição.
Gastos:
- Excesso de bagagem: R$50,00   - Super: R$27,30   - Comidas: R$20,30   - Hostel: R$41,00   - Fita adesiva: R$4,50

28º Dia - Villa Maria - Rio Cuarto - 14/12/10 - Terça-feira

     O Moacir acordou e eu pedi para ficar mais um pouco na cama. Ele levantou e foi verificar se o café da manhã já estava pronto, voltou e me chamou para irmos para o café.
     Levantei com muita dor muscular, tomamos café e nos arrumamos para a partida. Enquanto nos arrumávamos para sair, o dono do hostel foi muito gentil e nos forneceu diversas informações sobre a estrada, os "pueblos" que passaríamos, etc. Às 10h50min estava tudo pronto e decidimos pedalar ao máximo para chegarmos em Rio Cuarto.
     O dia estava muito quente, sendo assim combinamos de pedalar 20km e parar um pouco numa sombra ou num posto para tomarmos algo gelado. A estrada era muito boa, até com uma ciclovia paralela em alguns trechos.
     Durante a tarde tomamos a importante decisão de ir de ônibus de Rio Cuarto até Mendoza. Nosso cronograma está apertado, sem dias reserva para imprevistos, ou seja, se tiver um dia com muito vento, chuva, estrada ruim ou piorarmos ainda mais o nosso estado de saúde, não conseguiremos cruzar os Andes no tempo previsto e não chegaremos a tempo de passar o Reveillon com a família da Cris em Santiago. Preferimos ficar 3 dias em Mendoza para nos reestabelecermos fisicamente e fazer a subida dos Andes com mais tranquilidade.
     Chegando em Rio Cuarto fomos direto à rodoviária e compramos nossas passagens para amanhã às 10h55min. Em seguida, fomos procurar em uma borracharia algumas caixas grandes para colocarmos as bikes para levarmos no ônibus. Enquanto esperávamos na loja, un senhor simpático se aproximou com a sua bike e começou a conversar conosco. No momento em que os rapazes da borracharia nos disseram que só teriam caixas para empacotar as rodas, o senhor prontamente nos levou até a loja  Frávega Express que vende geladeiras e lareiras (onde conseguimos papelão em rolo e fita). Além disso, ele ainda nos indicou a localização de um hostel perto da loja.
     Durante esta viagem, estamos nos dando conta de como Deus (ou destino, coincidência, ou como queiram chamar) coloca pessoas no nosso caminho e cria situações para as coisas darem certo. E também, como uma pequena boa ação influencia todo o meio. Digo isso pois, além desse senhor, os rapazes das lojas também nos trataram super bem. Fora os caminhoneiros que desviam de nós para não nos "chacoalhar" na estrada. Enfim, muitas coisas boas estão acontecendo durante esta viagem e nos fazendo pensar muito!
     Depois da loja, fomos para o hostel, nos instalamos e saímos para jantar fora e comemorar o nosso 1º mês de casados. Voltamos para o hostel e nos preparamos para dormir.
Gastos:
- Hostel: R$37,00   - Bebidas: R$17,80   - Janta: R$ 35,80   - Ônibus: R$113,50
Estatísticas:
- Distância: 138,24km   - Tempo: 6h46min30`   - Média:20,3km/h
Condições da estrada:
- Excelentes. Acostamento largo com um asfalto bem liso.

27º Dia - Bell Ville - Villa Maria - 13/12/10 - Segunda-feira

     Essa noite foi horrível! A Cris não conseguia dormir por causa da rinite. Ficou se revirando até às 3h, até que o cansaço a venceu e ela dormiu. Às 4h eu acordei mal do estômago e fiquei uns 30min no banheiro. Voltei para cama e continuava enjoado.
     Acordamos, ambos podre, às 8h. Fui obrigado a ir no banheiro de novo e a Cris não conseguia levantar da cama de tão cansada. Dormimos até às 10h, quando a moça da limpeza bateu na porta avisando (leia-se gritando) que já estava no horário do check out. Acordamos assustados, pois ninguém havia nos avisado deste horário, e arrumamos tudo para sair.
     Como não havia café da manhã no hotel, fomos até o posto de gasolina que havia ao lado e compramos algo para comer. A Cris conseguiu comer bem e eu só comi umas bolachas porque continuava enjoado. Depois do café saímos para pedalar.
     Andamos 30km em uma estrada sem acostamento (mas pelo menos o vento estava mais ameno e o movimento estava menor) e paramos em um posto para comer algo e descansar. Durante o nosso lanche, decidimos que iremos pedalar com mais calma nos próximos dias e, se não der tempo de chegar até os Andes para o Natal, pegaremos um ônibus e mandaremos as bikes por "frete" mesmo. Pois não adianta ficarmos nos debilitando só por medo das bikes se estraviarem durante o transporte. O importante é chegarmos bem, ficar doente não será exemplo para ninguém. Sendo assim, descansamos mais de uma hora no bar do posto esperando o sol baixar um pouco e seguirmos viagem até Villa Maria.
     Assim que saímos percebemos que o vento havia diminuido ainda mais. Em duas horas chegamos no nosso objetivo. Ao entrar na cidade fomos procurar os hostels que havíamos encontrado no google. O primeiro em que fomos estava todo fechado e não havia sequer uma placa de divulgação. Desistimos e fomos para o segundo. Ao chegar no local determinado, percebemos que também não tinha placa alguma. Indignamo-nos e batemos na campainha mesmo assim (pensando: Será que nos enganamos de cidade?). Um senhor de alpargatas abriu a porta. Ao perguntarmos se a casa era um hostel ele nos deu resposta afirmativa.
     Entrei para conhecer, gostei, perguntei para Cris se ela queria ficar lá e nos instalamos. Em seguida fomos tomar banho, fomos ao super fazer compras, fizemos a janta, comemos e nos preparamos para dormir.
      Estou escrevendo enquanto a Cris cozinha, Após a janta iremos direto para janta pois o dia de hoje foi pesado.
Gastos:
- Hostel: R$47,00   - Café e bebidas: R$27,20   - Almoço: R$9,80   - Super: R$31,80 
Estatísticas:
- Distância: 60,67km   - Tempo: 3h27min45'   - Média: 17,3km/h
Condições da estrada:
- Ruins

26º Dia - Armstrong - Bell Ville - 12/12/10 - Domingo

     Acordamos 7h e fomos ver o tempo. Ao sair do quarto vimos um céu cinza e chovendo um pouco. Decidimos nos arrumar e torcer para parar. Quando fui (Moacir) escovar os dentes percebi meu lábio estranho e com bolhinhas parecidas com as de herpes. Acabamos de nos arrumar e fomos tomar café.
     O café da manhã ainda não estava pronto, então a Cris foi mandar email para ver o nome de algum remédio para herpes e eu fui arrumar as bikes. Em seguida fomos tomar café e fomos surpreendidos. Não vimos nada exposto! Depois de um tempo veio uma garçonete perguntar o que desejávamos. Perguntamos o que tinha e escutamos um sonoro:
- Cafe con leche o cortado y media luna o tostada.
     Fizemos nossa escolha e recebemos nossos dois cafés com leite e nossas quatro médias lunas (sem nem uma manteguinha!). Perguntamos se tinha suco e ficamos sabendo que sim, mas não estava incluso. Após nosso café da manhã com suco de laranja fomos para estrada.
    Fomos pela estrada até acharmos uma saída para autopista. Descobrimos que a autopista acabava na próxima cidade e recomeçava apenas em "Leones" (cidade a 45km). Como não tínhamos escolha tivemos que ir pela estrada mesmo. O tempo todo pela linha branca e tomando "sacode" dos caminhões e ônibus que passavam.
     O vento estava muito forte e meio de lado. Assim que chegamos em Leones fomos para a autopista. Chegando na autopista conhecemos o que é ambiente insalubre para a prática do cicloturismo. Apesar das condições perfeitas do asfalto, o vento nos jogava para a parte de terra ao lado do acostamento. Era impossível pedalar em linha reta! Pedalávamos à 12km/h e fazíamos muita força para manter essa velocidade. Até brincamos quando chegamos à 15km/h numa descida. Sendo assim, voltamos para estrada assim que possível e mudamos nosso objetivo de Villa Maria para Bell Ville (60km a menos).
     Ao entrar na cidade ficamos no primeiro hotel que vimos. A Cris foi tomar banho e eu fui comprar nossa comida no posto de gasolina ao lado do hotel. Jantamos pizza e sanduíches e fomos dormir.
Gastos:
- Hotel: R$55,00   - Suco: R$2,60   - Almoço: R$18,30   - Janta: R$17,70
Estatística:
- Distância: 113,12km   - Tempo: 6h45min12'   - Média: 16,5km/h
Condições da estrada:
- Medianas e sem acostamento.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

25º Dia - Rosário - Armstrong - 11/12/10 - Sábado

     Acordei às 7h e chamei a Cris, mas ela pediu mais uns minutinhos. Sendo assim, levantei, levei minhas coisas para o saguão do hostel e comecei a arrumá-las. Quando estava quase terminando fui chamar a Cris novamente e ela disse que não conseguiria levantar pois estava com muita cólica. Desta maneira, levei minhas coisas para o quarto novamente e fui deitar um pouco com ela.
     Levantamos às 9h30min para tomarmos café. Durante o café conversamos para ver se ficávamos mais um dia em Rosário ou tentávamos pedalar o que desse, mesmo com a Cris sentindo dor. No fim optamos por arriscar e ver onde chegaríamos.
     Arrumamos tudo e ao meio-dia começamos as nossas pedaladas do dia. A saída da cidade e o início da estrada não foram dos melhores, mas em seguida começou a "autopista" (via expressa paralela à estrada) e tudo melhorou. Um acostamento largo com um bom asfalto fez com que o nosso pedal rendesse muito. O único problema é que não existe nenhum tipo de comércio ou vilarejo na autopista.
     Assim que vimos a placa de " Cañada de Gomez" (objetivo que havíamos traçado - uns 80km) saímos da autopista e fomos para a estrada. Neste momento notamos que o vento estava nos ajudando bastante durante a tarde. Procuramos hotéis e não achamos nenhum que fosse como queríamos (muito ruins ou muito caros). Sendo assim, seguimos para a próxima cidadezinha pela estrada mesmo, pois ficamos sabendo que era uns 20km de distância. O problema é que a estrada não possui acostamento.
     Enquanto fazíamos este trajeto começou a virar o tempo e conseguíamos avistar uma neblina de chuva se aproximando. Pouco a pouco ela ia tomando conta dos pontos que tomávamos como base para perceber sua aproximação. Como não queríamos mais um dia de molhaçada e barro, aumentamos o ritmo e fomos nos distanciando da "tormienta".
     Ao chegar em Armstrong começamos a busca por hotel e achamos um bem bonitinho. Tomamos banho, comemos umas laranjas e sanduíches e fomos atualizar o blog. Às 23h fomos dormir para tentar acordar cedo e chegar em Villa Maria amanhã.
Gastos:
- Hotel: R$84,00   - Super: R$2,80
Estatísticas:
- Distância: 102,71km   - Tempo: 5h12min26`  - Média: 19,5km/h
Condições da estrada:
- Autopista excelente, mas a estrada não possui acostamento.

24º Dia - San Nicolas - Rosário - 10/12/10 - Sexta-feira

     Acordamos cedo (apesar de ter dado uma louca no celular de ficar mudando de horário sozinho e não tocar o despertador), tomamos nosso café da manhã no hotel (meio mirrado esse café!) e voltamos ao quarto para mais uma recostada. Levantamos às 9h30min, arrumamos tudo, fomos ao super para comprar água e mais uma vez fomos à estrada.
     A previsão do tempo era de chuva para a parte da tarde, mas o pessoal errou! Depois de uns 20min pedalando na estrada a "tormienta" começou a se formar. Do nada começaram rajadas de vento extremamente fortes (que as vezes nos empurrou para o gramado ao lado do acostamento) e aos poucos veio a chuva e raios. Para nossa sorte estávamos chegando num viaduto (igual aquele que paramos dias atrás para fugir do sol) e decidimos nos abrigar um pouco.
     Assim que paramos, colocamos nossas jaquetas impermeáveis, casacos para frio e a Cris colocou a calça impermeável também. Como parecia que não ia passar tão cedo, optamos por abrir um isolante térmico para sentarmos. O vento era tão forte que nós estávamos em baixo do viaduto e atrás das bikes e assim mesmo vinha chuva. A temperatura caiu bruscamente, tanto que de uma hora para outra começou a sair "fumacinha" da nossa respiração. 
     A situação continuava nada boa , então fomos pegar a cobertura da nossa barraca que é impermeável. Ao nos levantarmos quase fomos levados pelo vento (exagerandop um pouco..rs..). A Cris nos protegia com o isolante térmico enquanto eu pegava a cobertura da barraca. Ficamops uns 20min sentados no isolante e tapados com a cobertura da barraca até que diminuísse a tempestade.
     A chuva parou, o vento diminuiu e lá fomos nós novamente. Assim que voltamos à estrada vimos dois carros que tinham sido "jogados" pelo vento na vala que separa as duas pistas (parecido com a freeway). Acertamos em parar! Hoje o percurso era pequeno (uns 70km), sendo assim não tínhamos muita preocupação com o fator tempo, ainda mais por já ter hospedagem confirmada e gratuita no Hostel Las Casonas de Don Jaime em Rosário. Desta maneira fomos pedalando tranquilamente, até mesmo o vento a favor nos fazia ficar entre 23km/h e 27km/h em grande parte do tempo. O único problema é que durante toda pedalada foi sol, chuva, sol com chuva, chuva com sol, vento e todas outras combinações possíveis!
     Chegamos no hostel imundos! Fizemos nosso check in e, antes de entrarmos com as bikes e bagagens, fomos numa lavagem de carro para darmos uma mangueirada em tudo. Assim que voltamos ao hostel nos instalamos, tomamos um banho e já saímos para ir no super comprar comida.
     Voltamos ao hostel, cozinhamos uma massa com molho bolonhesa, fizemos nossos tradicionais sandubas (desta vez não tão tradicionais, pois usamos o molho com guisado ao invés de mortadela nos do Moacir) e fomos para o computador falar com o pessoal.
     Enquanto escrevo, a Cris fala com a Zig. Em seguida transcreveremos alguns relatos para o blog e depois vamos dormir, pois amanhã a pernada é longa (uns 145km).
Gastos:
- Água: R$3,20   - Super: R$50,10
Estatísticas:
- Distâmcia: 71,11km   - Tempo: 3h13min51'   - Média: 21,8km/h
Condições da estrada:
- Ótimas, mas assim que deixou de ser pedagiada ficou ruim.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

23º Dia - Baradero - San Nicolas - 09/12/10 - Quinta-feira

     Acordamos às 7h30min com muita dor de garganta e vimos que estava chovendo. Provavelmente a mudança de temperatura durante a noite tenha sido a culpada da nossa dor. Como o trajeto do dia era curto, optamos por dormir mais um pouco para ver se a chuva dava uma estiada. Às 10h levantamos, arrumamos tudo e fomos tomar café no posto ao lado do hotel. Durante o café ficamos sabendo que o nosso querido Tricolor estará na Libertadores ano que vem! Estamos torcendo para conseguirmos assistir algum jogo.
     A chuva já havia parado quando acabamos o café, então decidimos iniciar a nossa jornada do dia. Iniciamos com um acostamento perfeito e o vento a favor. Pedalamos tranquilamente os primeiros 40Km, mas logo após começou a virar o vento e a pedalada foi ficando cada vez mais difícil. Resolvemos parar num posto para descançar e beber algo gelado. Pedimos uma empanada de "pollo", uma "tortilla" de verdura, uma fanta e um "cono helado de dulce de leche". Mal sabíamos que a "Arcor" também faz sorvetes: - E são bons! Depois de pagar um mico (Cris) pedindo guardanapos sem ninguém me entender, resolvemos acabar o helado e ir embora.
    Seguimos viagem até chegar em San Nicolas. Difícil foi entrar na cidade: pedalamos quase 10km em pedras soltas até chegar ao centro. Procuramos um hotel para parar e encontramos um bem localizado e relativamente barato (Hotel Torino). Quando nos instalamos, o Moacir começou a se sentir mal e foi se deitar um pouco. Eu fui tomar banho e sair para comprar a nossa janta e algumas frutas.
     Quando voltei ao quarto o Moacir estava deitado. Pedi para ele ir tomar banho, comemos nossa janta, quase briguei com ele para que ele tomasse um benegripe e ficamos deitados vendo televisão até resolvermos dormir.
Gastos:
- Hotel: R$73,00   - Mercado, fruteira e padaria: R$15,00   - Café da manhã: R$18,00   - Pit stop no posto: R$ 16,60
Estatística:
- Distância: 97,62Km   - Tempo: 5h26min55'   - Média: 17,8Km/h
Condições da estrada:
- Muito boas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

22º Dia - Tigre - Baradero - 08/12/10 - Quarta-feira

     Acordamos muito bem, depois de uma bela noite de sono num quarto provativo (é bom ter um pouco de privacidade de vez em quando). Comemos os sanduíches que fizemos ontem e tomamos suco, após o café caímos na estrada novamente. A saída da cidade estava em obras, então os primeiros 17Km foram um pouco tumultuados.
     Ao chegar na "Ruta 9" tudo mudou. A estrada tinha um asfalto muito bom, assim como o acostamente, e os ventos estava a nosso favor, literalmente! Andamos bem até completar 50km, quando paramos num posto de gasolina. A Cris ficou pegando os sanduíches e eu fui comprar uma coca gelada. Quando estava na fila para pagar vejo a seguinte conversa entre uma mãe e seu filho (desculpem pela escrita):
Mãe: ¿Que quieres?
Filho: ¡Un chupetin!
Mãe: Toma.
Filho: Mama, mama, mira.
Mãe: ¿Que es eso?
Filho: No se. Tengo que mirar. AHHHH. ¡Un chupetin que se guarda! Dame. Dame. (enquanto falava ia trepando nas prateleiras para alcançar o chupetin!)
     A cena fez com que ficasse rindo uns 3min. O guri estava completamente desesperado pelos pirulitos! 
     Assim que voltei, comemos, bebemos e voltamos ao sol escaldante. Em seguida a nossa saída a Cris avistou um jaguara muito figura que estava perambulando pela beira da estrada. Paramos, demos água e um dos meus (Moacir) sanduíches, sendo que depois percebemos que era o único que tinha queijo e mortadela, os demais tinham só mortadela. Ao seguirmos nosso caminho sentimos um aperto no coração por ter de deixar aquele cachorrinho ali, mas não havia mais nada que poderíamos fazer por ele.
     Após um bom tempo pedalando ficamos com fome e decidimos parar, mas não havia boteco algum na estrada. Quando avistamos um viaduto não tivemos dúvida: é lá, naquela sombra, que pararemos. Encostamos as bikes no "guardrail" e sentamos "em baixo da ponte" para comermos novamente e pegarmos uma água gelada que havíamos congelado na noite anterior. Após uns 20min deixamos o oasis para trás e continuamos a pedalada.
     Hoje não tínhamos destino certo. Ao parar no acesso à cidade de Baradero vimos um posto de gasolina e decidimos escolher onde iríamos dormir. Chegando no posto, para nossa surpresa, tinha um hotel ao lado. 
     Instalamo-nos no hotel, tomamos banho, comemos o que sobrou de ontem com o pão caseiro da feira de Matadero e agora estamos vendo uma televisão bem deitados. Em breve vamos dormir porque amanhã teremos mais 90km até San Nicolas.
Gastos:
- Hotel: R$70,00   - Coca: R$2,80   - Bebidas: R$4,80
Estatística:
- Distância: 121,54Km   - Tempo: 6h19min41'   - Média: 19Km/h
Condições da estrada:
- Muito boas, exceto nos acessos às cidades.

sábado, 11 de dezembro de 2010

21º Dia - Buenos Aires - Tigre - 07/12/10 - Terça-feira

     Ontem o show de tango foi show de bola. O jantar muito gostoso, o tango incrível, uma bandinha de música tradicionalista bem divertida e uma apresentação de bolhadeiras bem legal (a do CTG 35 tem muito a ensinar a eles!..rs..). Só pra variar acabamos comendo demais! Na volta ao hostel fomos ao Café Tortoni antes para provarmos o café deles. A Cris tomou um capuccino e eu um submarino, tiramos umas fotos, conhecemos o local e decidirmos ir dormir.
     Acordamos, mais uma vez, um pouco mal do estômago devido a exageros da noite anterior. Não conseguimos tomar café e começamos a arrumar as coisas para partir de Buenos Aires em direção à Tigre.
     Saímos do hostel aproximadamente às 11h, fizemos um câmbio ali perto (MUITO DEMORADO!!! 1h!!!) e começamos nosso último city tour para que depois fôssemos para Tigre.
     Hoje fomos na parte sul da cidade. Essa zona não é tão bonita, bem mais pobre e com um trânsito alucinante. Primeiro fomos a "La Bombonera" e depois no Caminito. O estádio do Boca Juniors e o Caminito são locais imperdíveis pra quem passar por Buenos Aires!
     Depois de algumas fotos começamos a ir em direção ao norte. O trânsito e o calor eram insuportáveis. Chegando no Museo Nacional de Belas Artes paramos para comer um pouco, tomar algo gelado e ficar um pouco numa sombra.
     Após comer, já eram 15h, continuamos nossa pedalada. Sabíamos que hoje pedalaríamos pouco, mas o tempo todo seria em área urbana e com bastante trânsito. Após muitas sinaleiras e muitos ônibus (soltando excessivamente muita fumaça!) chegamos em Tigre.
     A cidade é bem bonita e acolhedora. Achamos o hostel facilmente e nos instalamos. O Tigre Posada Hostel fica bem na avenida principal da cidade e nos acolheram muito bem.
     A Cris não estava muito legal do estômago, então eu fui sozinho no super para fazer as compras. Chegando de volta ao hostel fizemos a nossa janta (arroz com cenoura e purê), durante o preparo da janta também fizemos os sanduíches para amanhã, comemos, lavamos tudo e fomos usar o computador. Como estávamos bem cansados e já era tarde (23h), somente colocamos um aviso no blog e baixamos algumas fotos.
     Logo após fomos dormir pois sabíamos que o dia seguinte seria puxado!
Gastos:
- Comidas no Museo Nacional de Belas Artes: R$20,00   - Super: R$26,80
Estatísticas:
- Distância: 46,32Km   - Tempo: 2h54min52'   - Média: 15,7Km/h
Condições das ruas:
- Boas, mas muito movimentadas.

20º Dia - Buenos Aires - 06/12/10 - Segunda-feira

     Depois da comilança e da espumante de ontem acordamos na maior ressaca! Parecia que os nossos estômagos estavam cheios de pedras..hehe.. Não conseguimos descer para o café, pois só de pensar em comida já nos dava enjoo. Ficamos deitados até às 12h30min, em seguida tomamos um gole de coca-cola cada um para ver se desintegrava as pedras e levantamos.
     Pegamos as bikes para irmos até a rodoviária resolver o despacho das nossas bicicletas de Rosário para Mendoza. Chegando lá, ficamos sabendo que o transporte das bikes teria que ser de caminhão através de envio e que não no próprio ônibus como era o nosso objetivo. Sendo assim, tivemos que reprogramar mais uma vez nosa viagem: sairemos amanhã de Buenos Aires (quatro dias antes do planejado) e pedalaremos todo interior da Argentina. Para mim (Cris) foi praga do Jonas Block!..hehe.. brincadeirinha... Resumindo: teremos duas semanas de intensa pedalada pela frente! Haja Hipoglós!
     Ao sair da rodoviária fomos para a loja de bike que o Miguel havia nos indicado, pois agora, mais do que nunca, precisaríamos de uma revisão das bikes. Chegando lá, o vendedor nos deu a segunda má notícia do dia: revisão só com entrega para semana que vem. Quando já estava pensando em voltar para cama e tentar acordar de novo, o Moacir pediu para o vendedor trocar o pedivela (peça que liga o pedal à bike) e foi ai que Deus olhou para baixo e nos iluminou: o pedivela estava ótimo, só o parafuso frouxo. O vendedor apertou o parafuso, compramos um espelho retrovisor para minha bike e fomos embora.
     Chegamos no hostel, fomos para a internet reprogramar a nossa viagem, enviar email para os hostels que já haviam confirmado nossas reservas e aproveitar para falar com a família e amigos. Como esta será a nossa última noite em Buenos Aires, tivemos que antecipar a nossa ida ao tango e compramos nossos ingressos para hoje. 
     Estamos deixando tudo pronto para a nossa partida amanhã e nos preparando para o show de tango. Mais uma janta com tudo liberado: que Deus nos proteja! 
Gastos:
- Show de tango: R$280,00   - Almoço: R$9,50   - Espelho: R$13,30 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

19º Dia - Buenos Aires - 05/12/10 - Domingo

     Hoje nosso roteiro era passear pelas feiras da cidade (San Telmo e Matadero). Acordamos sem pressa, tomamos um bom café da manhã e fomos nos arrumar para sair. Ontem à noite já havíamos pesquisado quais ônibus pegar e, por sorte nossa, era barbada.
     Saímos do hostel às 10h e fomos em direção à parada de ônibus que fica a duas quadras. Antes de pegar o ônibus tivemos que dar uma parada num "maxikiosko" e trocar nosso dinheiro, pois só aceitam moeda para pagamento nos ônibus. Compramos um chiclete, pegamos nosso troco em moedas e lá fomos nós.
     Chegamos no ponto que foi indicado pelo google como sendo a parada de ônibus, percebemos que ela não existia. Começamos a procurar a parada ali perto e, logo em seguida, apareceu o ônibus. Fizemos sinal e o motorista, num primeiro momento, disse que não poderia parar. Nós insistimos e ele acabou quebrando nosso galho e parou. Ao subir no ônibus percebemos que não existe cobrador. Pagamos nossa passagem (R$1,30 para os dois) e fomos sentar. Durante o trajeto o ônibus foi enchendo e pudemos um mau hábito: eles jogam muito lixo pela janela.
     Chegando na feira de Matadero, pudemos notar que ela esta localizada num bairro bem mais simples e humilde do que as demais partes da cidade que havíamos visitado até agora. Rodamos por toda feira e vimos muito artesanato, muamba, queijos, pães, vinhos e barraquinhas de comida. Vale ressaltar uma barraquinha de "choripan" (nosso salchipão) que tinha uma "grelha" de uns 3mx3m cheia de pedaços enormes de carne e chorizo. Acabamos comprando um vinho rose doce (muito gostoso) de fabricação artesanal, um pão caseiro e um molhinho al pesto sensacional. Ficamos um tempo vendo as apresentações de dança, à espera de uma de tango. Quando falaram que era comemoração do dia do gaucho (leia-se gáucho) 06/12 imaginamos que continuaria com as danças similares às da nosso querência e decidimos partir para feira de San Telmo. Pegamos o ônibus novamente e lá fomos nós.
     No meio do caminho o motorista encostou numa esquina e desceu para comprar chiclete e bater um papo com os conhecidos e, enquanto isso, todos no ônibus esperavam.
     Desembarcamos próximos à feira e fomos andando. Entramos no Mercado de San Telmo e acabamos encontrando as bandeiras dos países que passaremos. A Cris encontrou um quadro do Homer muito engraçado que tivemos que comprar (em breve colocaremos no álbum de fotos). Saindo do mercado levamos um susto: vimos uma multidão! Olhamos para os dois lados e não dava para ver onde acabava aquele mar de gente. Ficamos umas 2h andando e vendo as banquinhas e os artistas da feira de San Telmo. Tem literelmente de tudo. Estávamos ficando com fome e decidimos parar num boteco para provar as famosas empanadas e uma Quilmes. A Cris pediu uma de frango e eu uma de humita (tipo um creme de milho). As duas estavam saborosas, mas a de humita parecia um pastel de forno com recheio de canja. Comemos, bebemos e continuamos a passear na feira. Ao percorrer toda feira (umas 3h andando) decidimos ir para o hostel descansar um pouco.
     Levantamos da cama já era 20h. Como iríamos jantar no Puerto Madero, nos arrumamos e lá fomos nós novamente. Ao chegar no porto ficamos encantados com a sua beleza. Os restaurantes, os prédios, os barcos, a iluminação, tudo estava em sintonia. Realmente um lugar lindo. Devido à imensa oferta de restaurantes acabamos demorando na escolha, mas acho que acertamos. Ficamos no restaurante Brasas Argentinas que era "buffet livre", tomamos uma espumante da casa (ótima), comemos um pouco de tudo e, por último, uma "postre" deliciosa!
     Saímos mal do restaurante, ambos com o estômagos mais do que dilatado, e fomos direto para o hostel dormir.
Gastos:
- Hostel: R$35,00 - Vinho: R$6,30   - Pão: R$2,10   - Pasta ao pesto: R$2,60   - Empanadas com ceva: R$14,00   - Bandeirinhas: R$37,00   - Homer: R$7,70   - Bolo: R$ 2,80   - Echarpe: R$2,80   - 04 passagens de ônibus: R$2,60   - Jantar no Puerto Madero: R$83,00

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Notícias

     Pois bem pessoal, estamos entrando no interior da Argentina. Nos próximos dias estaremos pedalando um pouco mais do que 100Km por dia, sendo assim ficará um pouco difícil ter tempo de escrever o relato das nossas empreitadas. Pedimos que aguentem!!!..hehe.. Enquanto isso aproveitem para dar uma olhada nas nossas fotos e nos nossos vídeos novos! Em breve atualizaremos o blog com todos detalhes deste período mais intenso.

sábado, 4 de dezembro de 2010

18º Dia - Buenos Aires - 04/12/10 - Sábado

     Hoje acordamos tranquilamente, fomos tomar nosso café da manhã e voltamos ao quarto para mais uma descansada. A programação que havíamos feito era de um city tour de bike hoje, então não tínhamos correria alguma. A Cris deu mais uma dormida e eu desci para os computadores para começar a ver os próximos locais em que ficaremos hospedados. Já havíamos colocado todos os pontos que desejávamos visitar no GPS do celular, então era pegar as bikes e a máquina fotográfica e partir para conhecer Buenos Aires. Mas antes do city tour tínhamos, obrigatoriamente, que mandar nossas roupas para lavar, pois a situação estava crítica!
     Aproximadamente 13h lá estávamos nós dando as primeiras pedaladas na Av 9 de Julio em direção ao norte, pois decidimos ir até o estádio do River Plate hoje. Até chegar ao estádio fomos parando em diversos locais para "sacar" fotos! Torre monumental, estação ferroviária, feira de Recoleta, Museo Hispânico, entre outros.
     A cidade é extremamente bela! Não tem como comparar Buenos Aires com alguma cidade brasileira que conhecemos. As ruas e avenidas possuem muitas pistas, a cidade tem uma arquitetura completamente diferenciada, existem inúmeros parques de grande porte, não conseguimos contar a quantidade de clubes (um que nos chamou a atenção foi o "Club de Amigos") e uma imensidão de museos. Achávamos o Brick da Redenção legal, algo diferente, mas aqui tem um em cada bairro! Uma novidade que achamos muito interessante foi um sinal sonoro em sinalerias que indica para pessoas com problemas visuais quando o sinal está fechado. Outra diferença nas sinaleiras é que sempre acende a luz amarela quando passa de verde pra vermelho ou do vermelho pro verde. Hoje conseguimos fazer somente uma parte do city tour, outro dia iremos em direção ao sul para conhecermos o La Bombonera (estádio do Boca Juniors) e a rua Caminito.
     Durante o city tour a bike da Cris resolveu se entregar mais uma vez. Segunda teremos que mandar nossas bicicletas para revisão, pois em breve teremos os Andes pela frente!
     Um pouco antes de voltar ao hostel passamos no Carrefour para comprar os ingredientes para a Cris fazer um arroz, fricasse e salada.Ao sair do super nos deparamos com uma cena que não pudemos ficar inertes: uma senhora de uns 80 anos e uma guria de uns 10 anos empurrando um carro lomba acima. Paramos para ajudar! A Cris foi ajudar, enquanto eu encostava as bikes num lugar na calçada. Ao arrumas as bikes a Cris foi cuidar das bikes e eu fui empurrar o carro. Uma situação curiosa foi quando, depois de tentar fazer o carro pegar duas vezes, eu falei para guria dizer para sua mãe esperar o carro embalar mais para tentar arrancar. A guria ficava sorrindo para mim e não ia falar nada pra mãe dela. O único detalhe é que não havia me ligado que estava falando em português com a guria. Depois de explicar no meu portunhol e mais um cara vir ajudar conseguimos fazer o carro pegar.
      Chegando no hostel a Cris foi cozinhar e eu fui apanhar as roupas na lavanderia. Na volta passei numa padaria e comprei uns docinhos para nossa sobremesa. Comemos MUITO (a comida estava uma delícia!). Os docinhos deixaram um pouco a desejar, mas eram bons. Após a janta fomos dar uma recostada e acabamos pegando no sono.
      Acordei às 2h sem sono algum e vim aqui para os computadores para escrever esse relato e deixar o pessoal informado do que estamos fazendo. Mais atualizado que isso só se levar um notebook com a gente o tempo todo...hehe...
Gastos:
- Lavanderia: R$14,00   - Super: R$25,30   - Doces: R$2,40   - Museo: R$1,05   - Hostel: R$35,00

17º Dia - Colonia do Sacramento - Buenos Aires - 03/12/10 - Sexta-feira

     Hoje sim madrugamos! Pulamos da cama às 4h e começamos a função de arrumar tudo (com muito cuidado para não acordar os demais ocupantes do quarto). O Moacir estava sem fome e eu fui preparar alguma coisa para comer para não enjoar no translado de Buquebus (balsa, ferryboat, sei lá).
     Para variar, as gurias do hostel foram extraordinárias, nos ajudaram a organizar as bikes e até nos ofereceram café da manhã. Depois de montar as bikes (4h50min) partimos pedalando até o porto. Ainda estava escuro e a cidade deserta.
     Quando chegamos ao porto foi uma confusão, o pessoal não sabia para onde nos mandar. Acho que não deve ter muita gente que faz a travessia de bike. Fizemos o check in, passamos na imigração onde nos incomodaram um pouco por não termos o recibo de entrada no Uruguai, mas nos deixaram embarcar. 
     Entramos no ferry pela mesma entrada dos carros. "Estacionamos" as bikes e ficamos perto delas acreditando que ficaríamos ali a viagem toda. Para nossa grata surpresa, o "staff" nos disse que deveríamos subir para o saguão dos passageiros. Quando entramos no setor indicado ficamos pasmos. Estávamos nos sentindo no Titanic...hehe... A estrutura do ferry era muito boa, toda nova com encostos reclináveis, free shop, cafeteria, mesinhas espalhadas pelo saguão, tv's de plasma, um luxo! Até café da manhã eles serviam: donut's com suco de frutas mistas. 
     Como não me dou muito bem (Cris) com transportes fluviais, tratei de dormir assim que o primeiro sinal de enjoo veio. Dormimos umas duas horas e meia, ao acordar o sol já estava no horizonte e já podíamos ver Buenos Aires de longe. Subimos até a parte aberta da embarcação para tirarmos umas fotos e curtir a paisagem. Quando estávamos atracando no porto, descemos para pegar as bikes. 
     A chegada em Buenos Aires foi bem cedinho (7h30min), pois na Argentina o fuso é de 1h a menos. A cidade estava tranquila e conseguimos fazer um mini city tour. Além disso, começamos a procurar onde ficar. Ao contrário do que imaginávamos, aqui foi um dos lugares mais difíceis de conseguir algum apoio. Após umas 4h de procura, conseguimos 50% de desconto no Hostel Suites Obelisco e decidimos ficar, pois já estávamos cansados, com fome e desanimados.
     Instalamo-nos como sempre e saímos para comer algo. Antes de ir ao restaurante passamos em uma casa de câmbio e trocamos nossos últimos reais por pesos argentinos. Almoçamos em um restaurante bem bom apesar do atendimento lento (Restaurante Pétalo). Comemos um bife de chorizo com pure de batatas e salada mista - viu mãe, to comendo carne! Depois do almoço demos uma volta na cidade, que estava muito agitada, passamos no Carrefour daqui e voltamos ao hostel. 
     O bife de chorizo nos deu uma preguiça que entramos no quarto e nos atiramos na cama. Dormimos até as 20h e agora vamos nos organizar para banho, janta, transcrição dos relatos e cama novamente.
P.S.: o centro da cidade tem prédios lindos; o trânsito é uma loucura, nem a polícia é respeitada; tem muitas pessoas nas ruas (parece um centro do Rio de Janeiro aumentado), com vários moradores de rua; o atendimento nos estabelecimentos comerciais não é muito bom; a comida é mais cara do que no Brasil, mas regula com os preços do Uruguai; os ônibus são velhos e lotados; as frutas são  escassas e caras; vale a pena comprar cerveja aqui (Quilmes e Schneider 1l - R$2,50)
Gastos:
- Café da manhã com média lunas: R$7,80   - Super: R$5,00   - Almoço: R$45,20   - Hostel: R$35,00

A nossa passagem pela República Oriental del Uruguay

     Entramos no Uruguai no dia 23/11/10 (7º dia de expedição) pela fronteira brasileira do Chuí com o Chuy e saímos dia 03/12/10 (17º dia de expedição) pela fronteira com a Argentina (Colonia do Sacramento com Buenos Aires). Nesses 10 dias de estadia e 626,24km pedalados em território uruguaio passamos por muitas experiências e diversos lugares, sendo alguns deles já conhecidos.
     Gostaríamos de destacar alguns pontos que nos chamaram a atenção nesta breve vivência com os hermanos uruguaios.
     O povo é muito acolhedor (com exceções como toda regra)! Nestas nossas pedaladas encontramos pessoas que se identificaram com a gente e nos ajudaram muito com simples ações. Em algumas oportunidades cruzamos com pessoas que até ofereceram suas casas para pernoitarmos. É fácil se comunicar no Uruguai, praticamente todos entendem um português mais puxado pro espanhol, nosso tão falado "portunhol". Os pontos turísticos são bem acessíveis do ponto de vista financeiro.
     Os uruguaios comem muito bem, mas pagam caro por isso. Algumas variedades de alimentos são mais caras e muito mais escassas do que no Brasil, principalmente frutas, verduars, leite, iogurte e pão fatiado. Em contra partida o queijo, presunto, mortadela, salame e, principalmente, o doce de leite são uma delícia e ainda por cima mais baratos do que no nosso Rio Grande. Continuando a falar com o estômago, sentimos falta dos acompanhamentos nos pratos em restaurantes, pois se você pedir uma milanesa virá APENAS o bife (mas pense em bife), nada mais. O chivito é uma iguaria (X-tudo) que todos que passarem por estas terras devem provar!
     Outra coisa que nos chamou bastante a atenção foi a impressionante quantidade de motos, motonetas, biz, mobilete, motinha e todas outras variedades que podem existir que encontramos na rua. Absolutamente TODOS dirigem esses meios de locomoção, desde os 08 aos 80 anos. Além disso, parece não haver capacidade máxima de passageiros, pois chegamos a ver alguns veículos com quatro passageiros (uma família inteira)! Existem MUITOS automóveis extremamente antigos contrastando com alguns modelos de ponta. Os ônibus urbanos são muito velhos, já os interestaduais são novos, possuindo uma qualidade padronizada.
     As estradas uruguaias são parecidas com a brasileiras, porém um pouco melhores. Em diversos pontos o acostamento deixou a desejar e até mesmo o asfalto da pista de rolagem não estava em bom estado. Um ponto a se destacar é que as principais vias são todas duplicadas, facilitando em muito o fluxo. Algumas curiosidades que percebemos foram as "puente angosto", que são pontes em que a pista é estreita e acaba passando apenas um carro por vez, ou seja, se vier um carro no sentido contrário terá que esperar. Existem locais na estrada (principalmente próximo ao Chuy) em que existem horários determinados para travessia de rebanho. Vimos, também, a estrada se transformar em pista de pouso de emergência para aviões e em outros momentos a estrada ser intercalada de 1km de asfalta e 1km de chão batido.
     A estrutura sanitária e as obras de urbanismoa ainda são muito deficitárias, principalmente nas cidades pequenas, onde o asfalto está presente somente nas grandes vias e o esgoto é jogado diretamente em ruas, rios e mar. A arquitetura uruguaia é variada e muito bonita, principalmente nas grandes cidades e nos centros históricos.  Existem muita desigualdade social, nitidamente pode se notar a marginalização dos pobres que moram em casebres nas periferias das cidades. Entretanto, não se percebe moradores de rua e pedintes em comparação ao que estamos acostumados a ver no Brasil.
     Fizemos nosso roteiro pelo litoral uruguaio e, por este motivo, acreditávamos que grande parte da estrada seria plana. Grande engano! Não sabemos como é o relevo nas demais regiões do país, porém pudemos vivenciar as cochilhas uruguais que ficam próximas à costa. Podemos dizer que cerca de 60% do nosso trajeto foi um sobe e desce constante e interminável. O grande problema da bicicleta é que as descidas não compensam as subidas, sendo assim, a viagem se torna muito mais cansativa do que no plano.
     Em grande parte dos momentos em que estávamos pedalando podíamos observar vastos pastos ao nosso redor. Principalmente nos primeiros dias, podemos dizer que quase a totalidade das terras eram destinadas para este fim. Mais no final da viagem começamos a observar inúmeras plantações. A vegetação que circunda a estrada é formada principalmente por árvores esparsas e de médio porte, onde muitas vezes os viajantes param  para descansar à sombra.
     Enquanto estávamos apenas treinando para a expedição já sentíamos os efeitos do vento, mas nada comparado a este início de viagem. Podemos dizer que cerca de 70% dos momentos o vento estava contra, 20% não possuía vento e 10% ele estava a nosso favor. Pudemos observar que na parte da manhã o vento é menos intenso, sendo que no início da tarde ele começa a soprar com maior vigor. O fator "vento" é algo muito importante quando for planejar alguma viagem de cicloturismo, pois o ciclista necessita de muito mais energia e acaba gastando um tempo muito maior para realizar um trajeto determinado se o vento estiver contra ele.
    Ah, os "perros"! Os vira-latas uruguaios são umas figuras. Eles ficam jogados, completamente estirados, pelas ruas, calçadas, onde for. Aqui ou eles são muito bem tratados ou a lei do mais forte realmente vigora, pois eles, em sua esmagadora maioria, são de grande porte. Vimos poucos cachorros médios e quase nenhum pequeno nas ruas.
     Podemos dizer que a estadia em terras uruguaias foram bem prezeirosas e uma ótima introdução do que será esta expedição (cheia de alegrias, surpresas boas e ruins, alguns imprevistos e muitas histórias para contar).

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

16º Dia - Colonia do Sacramento - 02/12/10 - Quinta-feira

     Mesmo tendo ido dormir tarde ontem (02h), acordamos relativamente cedo hoje (9h). Ontem à noite ao entrarmos no quarto, sentimos, pela primeira vez na expedição, o que é estar num hostel com mais 06 pessoas num quarto. Digamos que o calor humano era grande e a sinfonia afinada...hehe... Mesmo assim o cansaço nos venceu e dormimos feito pedra a noite toda.
     Após acordarmos, fomos tomar o nosso café da manhã (muito bom!) e em seguida arrumamos as coisas para ir à praia. O pessoal da recepção do hostel havia nos indicado a "playa Ferrando", então lá fomos nós.
     Antes de chegar na praia decidimos dar uma passada nas empresas que vendem o translado para Buenos Aires para ver como e, principalmente, quanto era. Ficamos sabendo que é em torno de R$65,00 por pessoa, podemos levar as bikes e teríamos que comprar outra hora, pois exigem documento.
     Após uma bela caminhada chegamos à playa Ferrando. Dada as devidas proporções nos lembrou uma Itapuã melhorada. Ficamos um pouco na areia lagarteando, tiramos umas fotos e começamos a voltar para o hostel porque a fome estava batendo. Antes, paramos numa queijaria para comprar os ingredientes para uma massa que faríamos aos quatro queijos.
     Chegando no hostel a Cris foi cozinhar e eu fui atualizar o blog e estabelecer contato com alguns assuntos administrativos. Almoçamos (que delicia de massa!!!), a Cris foi dar uma descansada enquanto fui comprar as nossas entradas para a Argentina. Assim que cheguei de volta ao hostel acordei a Cris para darmos mais uma passeada pela cidade.
     Passamos, novamente, no centro historico e pudemos observar a beleza do local durante o dia. Vimos o artesanato local (quase compramos uma daquelas mascaras gigantes, uns 80cm, mas não teriamos como carrega-la). Entramos em um mercadinho para gastar os nossos ultimos pesos uruguaios comprando pão e massa. Paramos nas ruinas do portão da cidade para vermos um belissimo por -do-sol e voltamos para o hostel.
     Ao chegar, pedimos para "sacar una foto" com as gurias da recepção que nos atenderam muito bem. Depois fomos para o quarto para tomar banho e deixar tudo pronto para amanhã, ou melhor, para esta madrugada visto que o Buquebus parte as 5h30min.
Gastos:
- Super: R$30,00   - Buquebus: R$130,00

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

15º Dia - Colonia Suiza - Colonia do Sacramento - 01/12/10 - Quarta-feira

     Acordamos às 9h, pois depois de dormir muito tarde merecemos uma manhã de descanso! Descemos para o café, comemos pãezinhos deliciosos e voltamos para o quarto para descansar mais um pouco (pois a viagem de hoje seria curta - 60km).
     Saímos do hotel às 12h15min e pegamos a estrada rumo à Colonia do Sacramento. O calor estava de, no mínimo, 30ºC, o sol a pino sufocava, o vento nos parava e a nossa água foi esquentando até parecer um mate. Pedalamos até o km 20 e tivemos que parar algo para beber. Sendo as nossas opções: água com gás ou pepsi, tivemos que voltar à saga dos refrigerantes. Após ficar mais ou menos 1h parados, decidimos deixar a preguiça de lado e seguir viagem. O Moacir perguntou para a dona do bar em que paramos se havia outros bares pela estrada e ela respondeu que não. Desanimados seguimos viagem com a nossa água quente.
     Os 10km que se seguiram foram tranquilos, o vento deu uma trégua e conseguimos pedalar melhor. Para nossa surpresa havia vários bares pela estrada, ou seja, a jogada de marketing da vendedora mentirosa não funcionou. Andamos mias 20km com um pouco de vento e paramos em uma padaria perto da entrada de Colonia. Pegamos uma água bem gelada e sentamos (no chão) na frente da padaria. Enquanto estávamos sentados um homem chegou para comprar cigarros, nos olhou, deu bom dia e seguiu viagem. Dez minutos depois ele voltou e nos ofereceu, gentilmente, a sua casa para pousarmos. Como estávamos decidimos a chegar em Colonia, agradecemos mas recusamos.
     Seguimos viagem por mais uns 5km e encontramos a família do motor home, que também nos convidou para ficar onde eles estavam. Agradecemos mais uma vez e fomos para Colonia.
     Chegando na cidade começamos a procurar hotel e mostrar a carta dos hostels. No terceiro lugar que paramos, o Hostel El Viajero Colonia, fomos acolhidos. O pessoal do hostel foi muito legal desde o início, nos mostraram tudo, nos ofereceram desayuno e internet grátis, além de camas e banheiros limpos e ótima qualidade em todos os quesitos. Sem dúvida foi o melhor hostel que ficamos até hoje!
     Após nos instalarmos fomos dar uma volta pela cidade, ver um lindo por do sol (pena que os insetos atrapalharam um pouquinho), comer algo, beber a nossa última cerveja uruguaia no Uruguay e fazer compras para amanhã. Ao voltar para o hostel encontramos um grupo de mineiros que havíamos conhecido em Montevideo, conversamos um pouco com eles, pegamos umas dicas e quando eles foram deitar começamos a escrever o relato de hoje. Pretendemos transcrever alguma parte para o blog depois, caso o sono não nos vença.
P.S.: Gostaria de abrir um parêntese para pedir para o pessoal ter cuidado quando for para a estrada para não atropelar animais. Tem sido muito triste durante a nossa viagem ver tantos animais mortos.
Gastos:
- Bebidas geladas na estrada: R$6,10   - Jantar: R$12,20   - Super: R$14,00
Estatísticas:
- Distância: 66,55km    - Tempo: 3h58min48"   - Média: 15,5km/h
Condições da estrada:
- Medianas

14º Dia - Montevideo - Colonia Suiza - 30/11/10 - Terça-feira

     Ontem à noite tomamos uma importante decisão: teremos que alterar o cronograma. Infelizmente seremos obrigados a fazer algum trecho na Argentina de ônibus, senão não chegaremos a tempo em Santiago para passar o reveillon com a família da Cris. Estávamos pensando, também, em poder aproveitar mais os locais em que passaremos, principalmente Buenos Aires.
     Hoje o dia começou como todos os outros, levantamos, tomamos nossó café e arrumamos tudo para partir. Às 10h estávamos nos despedindo do hostel e iniciando nosso trajeto pelo centro de Montevideo. O início da viagem foi sacanagem! Demoramos 4h30min para fazer os primeiros 50km. O vento contra era algo absurdo e o sobe e desce não parava.
     Decidimos fazer uma parada num posto de gasolina para descansar um pouco e beber algo gelado. Enquanto estávamos recarregando as baterias, apareceu uma família brasileira num motor home que está fazendo uma viagem parecida com a nossa. Depois de conversar um pouco, finalmente em português, caímos na estrada novamente.
     Para contrariar a nossa teoria do vento piorar na parte da tarde, milagrosamente, ele deu uma acalmada e conseguimos rodar com maior facilidade. Pretendíamos ficar num hostel próximo à Colonia Valdense, porém (Cris: mesmo depois de andar 4km de chão batido!) não obtivemos sucesso. Andamos mais um pouco e chegamos à Colonia Suiza.
     Na cidade começamos a buscar por hotel e, graças a uma senhora muito simpática, achamos o Hotel El Prado. Ao nos instalarmos, verificamos algo estranho no banheiro! O ralo ficava fora do box! Bem no centro do banheiro! Após quase chamar o pessoal do hotel para avisar de um vazamento no box, tomamos nosso banho e fomos no super comprar bebidas para acompanhar o risoto de tomates secos que faríamos mais tarde.
     Ao voltar para o hotel, cozinhei e a Cris foi lavar suas roupas. Acabei exagerando na quantidade e ficamos com uma refeição pronta para amanhã. Devido ao grande trajeto de hoje estamos indo dormir tarde (meia-noite) e bem cansados.
Gastos:
- Coca: R$2,30   - Hotel: R$73,00   - Super: R$10,30
Estatística:
- Distância: 134,43km   - Tempo: 7h36min51"   - Média: 17,4km/h
Condições da estrada:
- Medianas.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

13º Dia - Montevideo - 29/11/10 - Segunda-feira

     Hoje acordamos cedo, tomamos nosso café e mãos à obra: tínhamos que atualizar o blog com as novas postagens, fotos e vídeos. Ficamos nessa função até às 13h. Quando começou a bater a fome paramos e fomos fazer algo para comer.
     Como não tínhamos todos os ingredientes para um almoço, a fome não era muita e já tínhamos sanduíchesprontos, decidimos fazer umas torradas.
     Após comer, a Cris foi dar uma deitada e eu fui numa loja para comprar uma gancheira reserva para s nossos quadros, pois não achei uma compatível no Brasil. Como a loja é um pouco longe decidi ir de bike e acabei pegando a da Cris por ser mais confortável.
     Na ida e na loja foi tudo perfeito, porém na volta o braço esquerdo do pé de vela se soltou e tive que voltar mais da metade do caminho empurrando a bike. Assim que cheguei no hostel coloquei a peça em seu devido lugar (espero que aguente até Buenos Aires).
     Tiramos o resto da tarde para passear na Ciudad Vieja (principais pontos turísticos estão lá), comer algo mais substancioso e passar no super para comprar mantimentos para amanhã. Voltando ao hostel conseguimos conversar um pouco com família e amigos no MSN, atualizar as fotos e verificar o caminho de amanhã. Comemos mais umas torradas de janta e agora estamos finalizando os preparativos para mais uma partida.
Gastos:  
- Peça: R$35,00   - Almoço: R$33,00   - Bolsa: R$13,50   - Super: R$20,00

12º Dia - Atlántida - Montevideo - 28/11/10 - Domingo

     Depois do jantar de ontem: um arroz com galinha que o Moacir preparou em nosso fogareiro (OBRIGADA AUGUSTO DA ARCO E FLECHA) para matarmos um pouco a saudade de casa, dormimos muito. Conseguimos levantar somente às 8h, tomamos um delicioso café no hotel e nos preparamos para partir. Na saída do hotel recebemos aplausos de incentivo de um grupo de músicos que estava hospedado no hotel também. Com esse incentivo, partimos rumo a Montevideo.
     Chegando na estrada, percebemos que a viagem não seria fácil. O vento contra estava muito forte. Pedalávamos à 16km/h, fazendo muita força e com a sensação de que não saíamos do lugar. A única coisa que nos animava era que o trajeto seria curto (menos de 50km).
     Durante a viagem encontramos o ciclista dos cachorros de ontem, ele parou para falar conosco e nos perguntar onde ficaríamos em Montevideo. Falamos com ele e seguimos viagem.
     Após 2h de pedalada pesada chegamos na entrada de Montevideo. Mesmo sabendo que a cidade é enorme e que demoraríamos muito para chegarmos no hostel, já nos sentimos mais motivamos. Ao chegar no Hostel Unpluggednos demos conta que erramos na data prevista para a chegada e esquecemos de cancelar a nossa reserva. O recepcionista nos disse que devido ao nosso não comparecimento eles não poderiam nos ceder quartos gratuitamente pois estariam perdendo mais dois dias de clientela. Achamos muito justo pois o erro foi nosso em não avisar a mudança de data. Mesmo assim eles nos ofereceram estadia pela metade do preço. Agradecemos mas decidimos tentar antes outros hostels. Apesar de toda essa confusão que armamos, fomos muito bem atendidos pelo pessoal do Unplugged que até nos informou a localização dos demais hostels da rede na cidade.
     Atravessamos Montevideo atrás de hostels. Quando estávamos chegando no Hostel Montevideo o Moacir se distraiu olhando o mapa e quase atropelou um carro. Apresentamos a carta do Carlos no Hostel Montevideo (localizado no centro) e fomos acolhidos gratuitamente por dois dias com direito a internet grátis, café da manhã e banho em chuveiro à gás. OBRIGADA HOSTEL MONTEVIDEO!
     Nos instalamos, tomamos banho, postamos alguns relatos e as fotos no blog, e saímos para comer. Caminhamos um pouco pelo centro de Montevideo, que estava quase todo fechado por ser domingo, e paramos em uma chiviteria e pizzaria para comermos. Pedimos uma pizza (massa com molho), uma muzzarela (massa com molho e queijo) e uma faina (uma massa diferente) acompanhadas por uma Pilsen! Vale ressaltar que os uruguaios comem muito bem.
     Depois da janta, passamos no supermercado e depois no Mc Donald`s para pegar um "cono de dulce de leche". ADORO! Chegamos no hostel e capotamos. Só às 20h30min acordamos, postamos um pouco mais no blog, jantamos uma torradinha light com suco, o Moacir foi xeretar o pub do hostel (para ver se realmente tinha uma mesa de ping-pong que o recepcionista havia falado) e fomos nos preparar para dormir de novo.
Gastos:
- Pizza: R$18,00   - Supermercado: R$5,20   - Mc Donald`s: R$5,40
Estatística:
- Distância: 52,73Km   - Tempo: 3h08min32"   - Média: 16,6Km/h

terça-feira, 30 de novembro de 2010

11º Dia - Punta del Este - Atlántida - 27/11/10 - Sábado

     Havíamos nos programado para sair cedo de Punta del Este, mas como eu (Cris) estava com um pouco de dor no joelho direito, resolvemos reduzir a quilometragem de hoje e, consequentemente, dormir um pouco mais. Saímos de Punta às 11h sem saber onde pararíamos.
     O início da viagem foi ótimo, pedalamos pela costa, sempre vendo o mar e curtindo a paisagem. Passamos por lindas praias como Punta Colorada e Piriápolis. Na estrada que dava acesso à essas praias vimos um caminho cheio de flores amarelas, decorando naturalmente as laterais da via. Lindíssimo!
     Quando saímos dessas praias encontramos um casal de uruguaios muito bacana (Marcelo e Adriana) que nos deu várias dicas sobre a estrada e nos ofereceu a casa deles para pararmos. Como pretendíamos andar um pouco mais hoje, tivemos que negar o convite. Mas vale ressaltar que o povo uruguaio é muito acolhedor (na maioria das vezes). No balneário de Solis encontramos um ciclista com seus cães. Como não sabíamos exatamente o caminho perguntamos para ele. A conversa começou em inglês, passou para o espanhol e depois foi para o português, pois ele tinha diversos amigos no Rio Grande do Sul.
     Saindo de Solis, tivemos que pegar a via expressa em Canellones e seguir até Atlántida. O vento estava muito forte e o Moacir teve que me puxar muitas vezes para não nos atrasarmos demais e eu não forçar o meu joelho.
     Após umas 3h de viagem muito chata e cansativa, conseguimos chegar em Atlántida. Na estrada secundçaria que dava acesso à cidade fomos ver o preço de um hotel, achamos muito caro e entramos na cidade para procurar outros. Mal sabíamos que o hotel da estrada estava no faixa de preço dos hotéis do centro da cidade. Depois de 1h de caça ao hotel achamos um hotelzinho limpo, aconchegante e menos caro.
     Instalamo-nos no hotel, tomamos banho e fomos procurar uma lan house e um supermercado. Conseguimos ficar apenas 15min na internet, pois a lan house estava fechando, e depois fomos fazer as compras para o jantar. Agora o Moacir está cozinhando no banheiro enquanto descrevo o dia de hoje. Depois da janta vamos dormir. Apesar do cansaço estamos muito satisfeitos com a viagem.
P.S.: Meu joelho está doendo menos.
Gastos:
- Hotel: R$73,00   - Compras: R$20,00
Estatística:
- Distância: 105,65km   - Tempo: 5h47min41"   - Média: 18km/h

10º Dia - Punta del Este - 26/11/10 - Sexta-feira

     Depois de mais de 800km pedalados merecemos nosso primeiro dia sem subir nas bikes. O problema é que já estamos acostumados a acordar cedo. Às 9h levantei (Moacir) para ir no super e comprar mantimentos. Para o café da manhã: média lunas! Chegando de volta ao hostel acordei a Cris e fomos tomar café. Em seguida voltamos para cama para curtir um pouco mais o sossego.
     Mais tarde levantamos, lavamos as roupas (estavam imundas) e fomos bater perna pela cidade. Passeamos pela orla, av Gorlero (av principal de Punta), marina e depois passamos no super para comprar mais comida.
     Chegando de volta ao hostel preparamos nossa janta (um pacote de massa! 500g!) e depois um sorvetinho de dulce de leche (1 litro). Em seguida preparamos os sanduíches que serão nosso almoço de amanhã e sucos de gelatina.
     Agora estamos bem deitados para descansar um pouco para descansar um pouco antes de ir ver o por do sol no Conrad e depois arriscar um pouco na jogatina (quem sabe, né?!).
    Pretendemos dormir cedo para que consigamos acordar às 6h e completarmos os 140km até Montevideo.
Gastos:
- Hostel: R$70,00   - Compras: R$52,00   - Jogatina no Conrad: R$18,00
Estatística:
- Distância: 00km   - Tempo: 0h0min0"   - Média: 0km/h (IIUUUUUHUUUU!!!!)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

9º Dia - La Paloma - Punta del Este - 25/11/10 - Quinta-feira

     Dormimos razoavelmente bem está noite. Como jantamos uma milanesa com batata frita e salada (primeira vez que a Cris comeu carne consideravelmente) e uma Pilsen de litro para acompanhar, a Cris acordou meio mal do estômago. Sendo assim, acabei tomando o café sozinho, pois ela não conseguia comer nada e preferiu ficar dormindo mais um pouco.
     Sabíamos que o trecho de hoje era longo, por isso tentamos arrumar tudo o mais rápido possível e partirmos. Às 11h estávamos nos despedindo do pessoal e caindo na estrada novamente.
     O início da viagem foi tranquilo. A partir de um certo momento (+-40km) começaram as cochilhas uruguaias. Era um sobe e desce que não parava mais. Com o sol forte e o céu azul sem nuvem alguma o asfalto ficava trêmulo, irradiando calor. Paramos algumas vezes em paradas de ônibus (único lugar com sombra!) para descansar um pouco, sendo que até pensamos em acampar ali mesmo.
     Depois de muito suar avistamos a entrada para Punta, agora só faltavam uns 20km. Chegando em Punta começamos a procurar onde ficar. Fomos no Hostel El Viajero e, além de mal atendidos, ficamos sabendo que estavam lotados. Fomos no Hostel Tas d Viaje (http://www.tasdviaje.com/) e fomos super bem atendidos, pena que não tinha quarto privativo disponível, pois o hostel é bem no centro, barato, com café da manhã e bem bonito. Finalmente chegamos no FF Gusthouse (http://www.ffguesthouse.hostel.com/) por indicação do pessoal do Tas D Viaje. Um hostel bem próximo do centro e do Conrad. Tem piscina e banheiro com banheira de hidro, com um preço bem acessível para Punta del Este.
     Como esta expedição não é só trabalho, saímos para jantar num restaurantezinho aqui perto que a Cris ficou encantada ao passar (Indecito). Comemos um raviolli com champignon e uma paella de marisco com um litro de sangria para acompanhar.
     Depois de 120km pedalados e um litro de sangria, não precisamos dizer mais nada, fomos direto para cama.
Gastos:
- Hostel: R$70,00   - Janta: R$63,00
Estatística:
- Distância: 120,36km   - Tempo: 6h22min06"   - Média: 18,7km/h
Condições da estrada:
- Boas

Vídeos no youtube

     Para quem quer um relato mais sucinto da expedição e não gosta muito de ficar lendo, estamos fazendo um diário em vídeo e postando no youtube quando conseguimos acesso à internet. Para localizá-los basta procurar por "América do Sul no Pedal" ou "miorando2010".

domingo, 28 de novembro de 2010

8º Dia - Aguas Dulces - La Paloma - 24/11/2010 - Quarta-feira

     Hoje o dia estava previsto para começar um pouco mais tarde, pois tínhamos acertado com a Nicole o café da manhã para as 9h devido ao pequeno trajeto do dia (+- 62km).
   Acordamos às 8h15mine começamos a arrumar tudo para mais um dia na estrada. A noite de sono foi muito boa, mesmo dividindo uma cama de beliche e tendo mais duas pessoas no quarto.
     Após arrumar tudo fomos tomar o nosso café, pois a Nicole já havia colocado a mesa. Para nossa surpresa os  outros hóspedes (um casal alemão e um casal noruegues que vive em Buenos Aires) levantaram e foram tomar café também. Com a mesa cheia acabou parecendo uma refeição em família, uma grande diferença é que se escutava alemão, espanhol, inglês, português e portonhol.
     O alemão era uma figura ímpar, pois além de mostrar-se um apaixonado por bicicleta, vivenciava as histórias que contava com muita sonoplastia. Após muito papo, tiramos uma foto com a Nicole e nos despedimos do pessoal.
     Nosso primeiro destino foi Cabo Polonio. Apenas 45min e +-16km após o hostel chegamos à entrada da praia. Lá avistamos um quiosque que vendia os tíckets dos caminhõezinhos que fazem o transporte até a beira do mar. Para nossa surpresa era 150 pesos por pessoa, e mais 100 pesos por bicicleta, ou então era arriscar nossa viagem e deixar as bikes ali para alguém cuidar. Mas como todos dizem que é muito legal, lá fomos nós.
     Depois de 20min sacolejando naquele sobe e desce de dunas conseguimos avistar o mar. Começou aquele sentimento de "Valeu a pena!".
     Desembarcamos no centro da vilinha de Cabo Polonio e a pergunta que não queria calar era: "onde estão os leões marinhos?". Ao invés de simplismente perguntarmos isso a alguém começamos a ir em diversas direções empurrando as bikes. Com o calor, a fome e o cansaço, começamos a nos irritar até que surgiu a brilhante idéia de perguntar para alguém. Com a informação correta foram dois toques e já estávamos na entrada do farol onde se avistava os animais.
     No farol deixamos as bicicletas apoiadas uma na outra e fomos curtir o local. Estávamos andando quando vimos o primeiro leão marinho. Fomos até o canto de uma construção onde conseguíamos enxergar mais uns 3 ou 4 se banhando nas pedras. Ficamos ali uns 10 minutos até que um gaurda nos chamou e indicou um outro local (o guarda estava em cima do farol de +- 60m e berrava em castelhano, demoramos uns 5min para entender). Chegando no local entendemos tudo. Logo de cara vimos cerca de uma centena deles se banhando, brincando, brigando, tomando banho de sol, bem ali na nosa frente. Após certo tempo de deslumbramento, decidimos procurar um local para comermos nosso sanduíches que fizemos ontem antes que eles estragassem e beber algo gelado.
     Chegamos num barzinho e tomamos uma coca-cola de litro (aquelas de garrafa de vidro) com os sanduíches. Decidimos que não podemos continuar assim: tomando coca-cola todos os dias!
     Depois de conversar um pouco a Cris quis ver uma faixa de cabelo, mas não achamos nenhuma legal. Como já era 13h30min decidimos voltar no caminhão das 14h para chegarmos cedo em La Paloma. Colocar as bikes no caminhão foi o mesmo parto do que na ida, se não fosse a ajuda de um uruguaio (ida) e de um finlandês (volta) só poderíamos contar com a grande má vontade do motorista.
     Chegando de volta ao quiosque nos fantasiamos novamente de ciclistas e caímos na estrada. Como faltavam apenas +- 45km fomos bem na manhã, ladoa a lado e conversando um pouco. A estrada era meio bizarra, pois durante uns 20km foi 1km de asfalto e 1 km de chão batido.
     Durante a pedalada de hoje pudemos confirmar uma teoria que desenvolvemos: existem raças de gado que adoram ciclista! Em inúmeros pastos em que passamos todo o rebanho parou o que estava fazendo (comendo, deitado) e ficou nos olhando fixamente...hehe... Ainda bem que estavam do outro lado da cerca.
     Chegando em La Paloma procuramos o hostel La Paloma que fica no Parque Andresito. Apresentamos a carta de apoio do Carlos, presidente da Federação Brasileira de Albergues da Juventude, e prontamente fomos acolhidos. Ficamos num quarto muito legal com dois andares e para 11 pessoas, mas ainda bem que éramos só nós dois. Instalamo-nos, tomamos banho, saímos para fazer as compras e jantar e voltamos ao hostel para arrumar tudo e descansar para chegar amanhã em Punta del Este.
Gastos:
- Translado Cabo Polonio: R$45,00   - Coca-cola: R$3,60   - Janta: R$37,00 - Compras: R$25,00
Estatística:
- Distância: 61,12km   - Tempo: 3h24min15"   - Média: 17,7km/h
Condições da estrada:
- Ruim, mas com pouqíssimo movimento.

7º Dia – Chuí – Aguas Dulces – 23/11/2010 – Terça

     Acordamos às 8h, depois do despertador tocar algunas vezes. Eu (Cris) pedi mais meia hora para o Moacir, ele me deixou dormir mas levantou para iniciar os preparativos para o início internacional da nossa viagem. Acordei, ajudei a organizar o nosso material e às 9h saímos do nosso hotel com tudo pronto. Passamos em uma casa de câmbio para pegar alguns pesos uruguayos e depois fomos tomar café no Hotel Plaza do Uruguay. Após o café nos dirigimos para a aduana, carimbamos os nossos pasaportes e os policiais não nos pediram nada, ou seja, seguimos viagem sem mais atrasos.
     Às 10h20min já nos dirigíamos para o litoral. Uhuuuuuu! Como havíamos decidido que não pararíamos para almoçar comemos alguns sanduíches, Trios e mariolas pelo caminho. O Moacir optou por me poupar um pouco e me rebocou mais da metade do caminho.
     Quando faltavam apenas 35Km para chegarmos ao nosso destino, encontramos 5 cicloturistas parados no acostamento. Fomos falar com eles e, durante a conversa, percebemos que eles também haviam se encontrado por coincidência uns minutos antes. Eram 3 neozelandeses e um casal de italianos. Os dois grupos estavam treinando para fazer Patagônia e Andes. Preguntamos para eles detalhes sobre a estrada e os neozelandeses nos indicaram um hostel em Aguas Dulces. Agradecemos e seguimos viagem.
     Como faltava pouco para o nosso destino, relaxamos um pouco e reduzimos o ritmo da pedalada. Às 15h30min cegamos em Aguas Dulces, fomos ver a praia (pois estávamos ansiosos para ver o oceano) e depois fomos procurar o hostel indicado.
     Ao chegar no hostel “El Gato”, fomos recebidos pela alemã Nicole que nos apresentou o lugar de maneira muito alegre e acolhedora. Instalamo-nos e fomos novamente à beira da praia. Caminhamos um pouco, sentamos, o Moacir tomou banho de mar e retornamos ao hostel.
     Enquanto o Moacir tomava o seu banho, eu acessei a Internet para verificar e-mails e dar notícias. Depois fui tomar banho e o Moacir foi conversar no msn e atualizar o nosso blog. Ficamos muito felizes em ver o grande número de acessos ao blog (mais de 1000) e os comentários dos amigos e dos familiares!
     Saímos da internet, aproveitamos as redes para dar uma relaxada, jantamos, arrumamos os equipamentos para amanhã e estamos nos preparando para dormir.
P.S.: Assistam os nossos vídeos do dia de hoje, vocês vão entender parte da nossa "loucura"... rs.
Gastos:
- Hostel: R$45,00   - Água mineral no posto: R$1,80   - Café da Manhã: R$16,00
Estatística:
- Distância: 85,6Km   - Tempo: 4h36min19"   - Média: 18,4Km/h
Condições da estrada:
- Pouco movimento, rodamos na faixa branca.