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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

301° Dia - Caracas - 13/09/11 - Terça-feira

Acordamos cedo, pois estávamos dormindo na sala e os demais hóspedes do hostal precisavam desayunar. Após desmontarmos o nosso "quarto", tomamos o café da manhã e ficamos na internet até as 10h. Nesta hora, saímos a procura de hotéis no centro histórico.
Começamos o nosso recorrido pela parte baixa do centro histórico, por alguns hotéis que havíamos passado pela frente ontem. Infelizmente, nenhum deles aceitava reserva porque eram hotéis "de momento". Sendo assim, subimos até a Plaza Bolívar para verificar se encontraríamos algum hotel familiar. Passamos por inúmeros hotéis, alguns bem elegantes, mas todos com características de motel. Desta maneira, desistimos de procurar hospedagens pelo centro e nos convencemos de que o mais indicado seria procurar hotéis pela internet em outro bairro turístico e com uma reputação mais familiar. O que é uma pena, pois o centro histórico de Caracas é um dos bairros mais seguros (conta com um policiamento em cada esquina - pois todos os prédios do governo estão ali) e um dos mais belos também.
Como não tínhamos mais nada para fazer na rua a respeito das estadias, fomos procurar a oficina turística que o Gustavo havia nos indicado. Mais uma vez, ninguém sabia nos dar informaçðes seguras sobre a localização e, após rodar muito, acabamos desistindo. De novo, ficamos sem saber de onde sai o tour guiado pelo centro histórico. Corro o risco de estar sendo injusta, mas a impressão que esses "serviços gratuitos a comunidade" me passam é de total desorganização e até de "enrolação". Parece que nenhuma empresa privada pode ganhar dinheiro com o turismo histórico, mas o governo tampouco se preocupa em oferecer um atendimento decente.
Cansados de tanto percorrer as calles do centro, passamos no mesmo restaurante de ontem e comemos mais um almoço caseiro delicioso. Após esta refeição, voltamos ao hostal e lá passamos o resto da tarde. Quando o Gustavo nos entregou as chaves da habitación matrimonial (o maior quarto do hostel com muito espaço, frigobar e tv a cabo), nos atiramos na cama e ficamos até o entardecer.
No final do dia, estávamos cansados de tanto descansar e resolvemos sair para caminhar até a Plaza Bolívar e tentarmos ver os esquilos que saltam entre as árvores. No caminho, ainda passamos em diversas lojas e notamos que os sapatos são muito baratos na Venezuela. Assim que chegamos na plaza, vimos muitas crianças correndo por todos os lados, brincando com bolas, balðes, bicicletas, aviðezinhos e tudo que lembra a deliciosa infância em que se podia brincar nas ruas com tranquilidade. Pelo menos nos principais pontos turísticos, o policiamento transmite uma sensação de segurança. Sentamo-nos na plaza e ficamos admirando as crianças, os esquilos e a paz das árvores que rodeiam aquele importante ponto para a libertação da Venezuela.
Quando decidimos voltar para o hostal, vi uma menina comendo uma apetitosa bomba de chocolate. Diante da constatação de que havia este tipo de doce por aqui (desde os três leches da Colômbia que não comemos um doce bom) fomos obrigados a passarmos na confeitaria antes de voltarmos. Assim que entramos no paraíso das guloseimas, percebemos que as tortas eram muito baratas (uma torta para 30 pessoas por menos de R$20,00). Ficamos indecisos para escolher entre bomba de chocolate, torta de morango e torta de mil folhas. Após muita indecisão, compramos a torta de mil folhas.
Ao chegarmos no hostal, dividimos a torta com o pessoal e nos deliciamos. No final do dia, ficamos alternando entre filminho com a galera do hostal, bate-papo com a família no MSN e mais um pedacinho de torta. Agora, escrevo este relato pensando no banho relaxante no chuveiro com jatos para massagem na coluna que tomarei em breve. Boa noite.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

300° Dia - Caracas - 12/09/11 - Segunda-feira

     Acordamos sem pressa alguma, pois teremos a semana toda para explorar e conhecer a capital venezoelana. Sendo assim, desayunamos e fomos bater perna pela cidade.
     Caminhamos duas quadras e já chegamos na Plaza Bolívar (principal ponto do centro). Por ali, pudemos observar a igreja de San Francisco (local onde Simón Bolívar recebeu o título de Libertador), o local da declaração da independência venezuelana, o Capitólio (sede do governo federal), a Catedral de Caracas e tantas outras igrejinhas. Tentamos achar alguma informação sobre um tour guiado no centro histórico que vimos ontem quando chegamos, mas ninguém sabia de nada.
     Um pouco depois do meio-dia, a fome bateu e começamos a procurar algum lugar para comer. Acabamos almoçando num restaurante simplesinho nos fundos de uma galeria, mas com uma comida caseira farta e saborosa. No caminho de volta ao hostal, passamos por uma carrocinha de "chicha criolla", que nos deu água na boca. Infelizmente, estávamos empanturrados e não conseguiríamos colocar mais nada na boca.
     Chegamos no hostal e ficamos conversando com o Gustavo. Descobrimos que o litro de gasolina na Venezuela custa o absurdo de BsF0,098 (R$0,022)! Isso mesmo, com R$1,00 se enche o tanque e ainda sobra troco! Ele também nos disse onde tinham algumas oficinas de turismo onde poderíamos conseguir alguma informação sobre o recorrido no centro. No resto da tarde, ficamos conversando, fomos ao supermercado, atualizamos o blog e ficamos contatando o pessoal em POA pelo MSN. Mais tarde, tomamos um café da noite e pegamos o nosso colchão inflável (o hostal está cheio e o Gustavo nos conseguiu este colchão para dormirmos) para nos acomodarmos. Amanhã teremos que conhecer um pouco mais e começar a pesquisar onde ficaremos quando a família estiver por aqui.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

299° Dia – Chichiriviche – Caracas – 11/09/2011 – Domingo


     Acordamos às 6h, pois sabíamos que os ônibus até Valência começavam a circular às 5h e queríamos pegar um dos primeiros para que estivesse mais vazio (sendo mais provável conseguir levar as bikes sem problema). Arrumamos tudo, nos despedimos na pousada e fomos pedalando até a parada. Assim que chegamos, as preocupações começaram, pois as bikes não cabiam na bodega do ônibus. Além disso, os motoristas não aceitaram levar as bikes dentro do ônibus, mesmo a gente pagando as passagens dos lugares que iriam ocupar.
     Desta maneira, sentamos no meio fio e começamos a pensar como poderíamos fazer para resolver tudo. Como pensamos melhor de barriga cheia, a Cris foi pegar uma coisinha para desayunarmos. Ficamos uns 30min sentados com todas as nossas coisas e as bikes desmontadas ali no meio da rua. Um taxista até ofereceu o seu serviço, mas o preço era cinco vezes maior do que a passagem normal e não estávamos dispostos a gastar tanto. Finalmente a Cris teve uma excelente ideia de deixar as bikes no apart-hotel que reservamos para quando o pessoal venha nos visitar. Combinamos que eu iria até lá primeiro enquanto ela ficava cuidando das coisas que levaremos para Caracas.
     Chegando no apart-hotel, falei com o dono e ele disse que não poderia ficar responsável pelas bikes com toda aquela bagagem. Entendi que a responsabilidade era grande, agradeci a atenção e comecei a retornar. No caminho, tive a ideia de tentar deixar na pousada em que estávamos instalados. Para a nossa sorte, o pessoal era extremamente gente boa e permitiram que as nossas bikes ficassem no estacionamento. Larguei a minha bike lá e voltei até a parada de ônibus caminhando para a Cris levar a bike dela. Ela foi até a pousada, arrumou e prendeu as bikes e voltou para que, finalmente, embarcássemos para Valência.
Recepção na Plaza Bolivar
     Às 9h30min, pagamos os BsF40 (uns R$8,50) por pessoa e nos acomodamos nos nossos lugares. Descobrimos que a viagem duraria 2h e aproveitamos para dar uma “recostada”, já que tínhamos acordado cedo (praticamente em vão). No caminho, passamos por várias praias com uma boa infraestrutura, mas a água do mar nem se comparava a dos cayos de Chichiriviche. A viagem passou rápido e quando percebemos já estávamos encostando no terminal terrestre de Valência.
     Desembarcamos e começamos a procurar onde ficar, pois pretendíamos ficar uma noite em Valência para conhecer a região e, também, porque acreditamos que em Caracas gastaremos muito mais do que nas cidadezinhas menores. Saímos do terminal com toda a nossa bagagem nos braços (nestas horas da uma saudade da bike, pois entendemos como os nossos bagageiros sofrem) e caminhamos umas duas quadras procurando alguma posada. Não vimos nada e nenhuma pessoa para qual perguntamos sabia de alguma hospedaje ali perto. Mais uma vez, sentamos no meio fio e começamos a refletir. Percebemos que o que economizaríamos teríamos que gastar em táxi, que não conseguiríamos conhecer direito a cidade por causa da chuva e que seriam dois dias envolvidos em translados. Sendo assim, fomos até um restaurante chinês para almoçarmos e já retornamos ao terminal para embarcarmos para Caracas.
     Entramos no terminal e achamos estranho não ter nenhuma área destinada à venda de passagens, sendo que somente havia lojinhas de roupa e bugigangas. Dirigimo-nos até a área de embarque e percebemos que era uma feira de passagens: todo mundo gritando o destino do ônibus e, literalmente, pegando os passageiros no braço. Surpreendemo-nos com os preços da passagem para Caracas (BsF30 – uns R$7,00) e embarcamos no primeiro ônibus que vimos. A situação era meio precária, sendo que o veículo parecia da década de 80 e em condições meio duvidosas. Como eles estão acostumados a andar assim e, quase nunca da problema, lá fomos nós. Novamente a viagem era de 2h, mas, desta vez, ficamos acordados para apreciar as montanhas que começavam a se fazer presente.
      A viagem foi tranquila, mas com algumas atitudes “ousadas” (maluco mesmo!) do motorista e ocasiões meio bizarras. A pior delas foi quando o motorista parou o ônibus num descampado para o pessoal descer e poder dar uma mijada. Uma mulher, que se achava malandra, tentou ir atrás de uma casa, mas se assustou com o cão de guarda e ela acabou se agachando no meio do descampado mesmo, com toda a galera do ônibus como espectadores.
     Continuamos a viagem e, chegando na região metropolitana de Caracas, pudemos observar regiões bem pobres com grandes favelas. Desembarcamos no terminal La Bandera e fomos praticamente atacados por taxistas. Como o orçamento tá curto, fomos procurar algum ônibus que nos levasse até o centro, pois o hostel que pretendíamos ficar (Dal Bo Hostal) é bem no centro da cidade. Informamo-nos e tivemos que andar só umas duas quadras para chegar até a rua onde passava o ônibus.
     Em poucos minutos já passou um que nos levaria ao centro e já pulamos para dentro. A passagem era extremamente barata (R$1,40 para os dois) e, rapidamente, chegamos ao centro. Com as bagagens em mãos, saímos a caça do hostel. O problema é que as ruas daqui são numeradas e conforme a direção (Av Sul 2 – Av Norte 3) e quase ninguém entende como funciona. Perguntamos para várias pessoas onde ficava a Av Sur 2 e ninguém soube responder (isso que estávamos há duas quadras de distância). Depois de muito procurar, caminhar e perguntar (nem a própria polícia sabia a localização da rua, isso que o posto policial estava na própria rua!) achamos o hostel. Percebemos que a localização é perfeita, pois está a poucas quadras dos principais pontos históricos da cidade.
Iglesia de San Francisco
     Fomos super bem atendidos pelo Gustavo e pela Brenda (donos). O hostel é pequeno e só tem quatro vagas, mas, para nossa sorte, havia disponibilidade para quase todos os dias em que vamos estar em Caracas. O único problema seria dia 12, mas o Gustavo disse que poderíamos dormir num colchão inflável e não cobraria esta noite. Com tudo acertado e com um mega desconto, nos instalamos. Tomamos um excelente banho e fomos procurar algum lugar para comprar mantimentos.
     Fomos até o supermercado, mas estava fechado. Demos mais uma caminhada e encontramos um mercadinho aberto. Enquanto fazíamos o nosso “ranchinho”, percebemos que na verdade o mercadinho era uma farmácia! Aqui, por mais estranho que seja, as farmácias também vendem refrigerante, suco, salgadinhos, cerveja e mais alguns lanchinhos. Com tudo que procurávamos em mãos, passamos num McDonald's para a Cris jantar e retornamos ao hostel.
     Ficamos o resto do dia vendo televisão, atualizando os blogs, pesquisando hotéis e translados e conversando com o pessoal (fizeram com que nos sentíssemos em casa – até me deram quitutes deliciosos). Tarde da noite fomos dormir, pois amanhã começaremos a conhecer a capital venezoelana!
Gastos
-Hostal: R$45,72 - Ônibus: R$34,77 - Almoço: R$17,86 - Desayuno: R$8,10 - Compras: R$15,24 - Janta: R$9,29

domingo, 25 de setembro de 2011

298° Dia – Chichiriviche – 10/09/2011 – Sábado


      Hoje acordamos tarde e optamos por almoçar em vez de sairmos para tomar café. Enquanto procurávamos um bom restaurante para comermos, passamos por um apart-hotel que parecia muito bom. O Moacir me perguntou se eu não queria dar uma olhada nos quartos só para ficar com a consciência tranquila. Disse para ele que não custava olhar e lá fomos nós. Como não havia ninguém na recepção, desistimos e fomos comer.
     Almoçamos em um restaurante na saída da praia, excelente. Além disso, o atendente – um menino de 12 anos – era uma figura e fez com que nos divertíssemos muito durante a refeição. Após o almoço, saímos para comprar algumas lembrancinhas para as nossas sobrinhas que vem nos visitar. Em uma das lojas em que passamos, o dono nos ofereceu um câmbio muito bom e já acertamos a data para trocarmos com ele.
     Na volta para o hotel, comecei a ficar angustiada por não ter visto o apart-hotel e incomodei o Moacir para irmos dar uma olhada. Por fim, fomos até o estabelecimento e confirmamos que era muito bom e na beira da praia. Desta maneira, mudamos os nossos planos e trocamos a pousada por dois apartamentos.
      Após acertar todos os detalhes da troca, fomos para a praia norte. Ficamos lá até o fim da tarde, horário em que os motoristas dos translados estão no estacionamento da praia e onde podemos conseguir o translado para Caracas. Para o nosso azar, o único disponível queria nos cobrar BsF10.000,00. Desta maneira, desistimos de procurar por aqui, pois teremos tempo para fazer isso em Caracas.
     Voltamos ao hotel e ficamos descansando até bater a fome. Em torno das 20h, caminhamos até o calçadão para comermos um deliciosa pizza de massa artesanal. Após a janta, demos uma voltinha na praia, comemos um sorvetinho e voltamos para o quarto.
     Agora, escrevo este relato enquanto o Moacir termina de arrumar tudo ara a nossa viagem de amanhã. Esperamos conseguir levar as bikes até Valência. Por isso, teremos que acordar bem cedo para pegarmos um ônibus vazio e com bastante espaço.
Gastos
- Posada: R$35,72 - Almoço: R$26,20 - Sorvete: R$2,62 - Regalitos: R$69,05 - Janta: R$16,67 - Internet: R$0,96

sábado, 24 de setembro de 2011

297° Dia – Chichiriviche – 09/09/2011 – Sexta-feira


     Hoje acordamos às 9h e já nos arrumamos para ir desayunar numa padaria. Saímos de bicicleta para aproveitar o caminho até a padaria para olharmos as casas a alugar. Após o café, começamos a nossa caça às casas.
     Andamos por todas as partes de Chichiriviche, entramos em imobiliárias, pousadas, casas, apartamentos, tudo que se possa imaginar. A maioria das habitaciones eram simples, tendendo ao abandono e mal localizadas. Além disso, apenas uma possuia água quente no chuveiro, mas já estava lotada. Pelo menos, a água fica morna na torneira por causa do calor ambiente de 36°C.
     Depois de muito procurar, acabamos escolhendo a pousada Villa Gregoria e fizemos a reserva (deixamos uma caixa de cerveja como confirmação). Com uma coisa a menos para pensar, fomos guardar as bikes para irmos almoçar e nos prepararmos para a praia. Comemos num restaurante bonzinho na avenida principal da cidade e, em seguida, fomos para a praia norte.
     Desta vez, caminhamos um pouco mais até a ponta da praia e ficamos em um local muito melhor. A água estava bem mais limpa e a areia com menos lixo. Desta maneira, ficamos curtindo a praia até o anoitecer.
     Enquanto voltávamos para a pousada, paramos em um estacionamento na beira da praia para fazermos uma pesquisa de preços de translado para Caracas, em van. Para o nosso azar, só havia um motorista de empresa de turismo e, em vez de pesquisar, tivemos que pegar os dados dele sem nem ter ideia de preços para comparar. Espero que amanhã tenhamos mais sorte.
     Voltamos para o hotel, arrumamo-nos e saímos para jantar. Como ontem ficamos com água na boca com os lanches do calçadão, resolvemos comer um cachorro-quente de janta. Assim que chegamos na barraquinha, vimos umas pessoas comendo um cachorro-quente de carne moída com molho, queijo e salada. Ficamos com tanta água na boca que acabamos mudando de ideia e pedimos este “Pepito”. O cachorro era enorme mesmo, mas pouco saboroso. Dividimos um e ainda ficamos com vontade de comer algo mais. Sendo assim, nos atracamos em um pacote de churros com arequipe. Apesar de eles não terem o costume dos churros recheados, os com cobertura seguem sendo maravilhosos.
     Depois de comer tudo isso, acabamos caminhando por todo o calçadão e por toda a avenida principal. Cansados e com o estômago cheio, voltamos para o quarto. Agora, enquanto escrevo este relato, o Moacir assiste televisão. Em seguida, iremos dormir, pois amanhã ainda teremos muito o que aproveitar neste paraíso.
Gastos
- Posada: R$35,72 - Desayuno: R$5,96 - Água: R$5,96 - Almoço: R$28,58 - Janta: R$17,86 - Picolé: R$1,43 - Internet: R$2,15

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

296° Dia – Yaracal – Chichiriviche – 08/09/2011 – Quinta-feira


     Acordamos animados com a ida para Chichiviriche, finalmente iríamos chegar ao nosso destino! Tomamos o nosso café da manhã, arrumamos tudo e partimos para a estrada. O sol estava forte e a estrada movimentada, mas nada que nos desanimasse.
     Entramos na estrada e, desde o início, fomos surpreendidos por um terreno plano (que não víamos há dias). Além disso, o acostamento estava em boas condições e conseguíamos manter um ritmo mais acelerado. Após uns 20Km de forte pedalada, começou a chover e tivemos que baixar a intensidade. Nesta proximidade da linha do Equador, nem a chuva é capaz de refrescar. Continuávamos suando muito e com muito calor. Para piorar, os carros passavam e nos jogavam muita água. Tínhamos que pedalar no canto do acostamento para conseguirmos fugir do banho.
     Em uma dessas “fugas”, o Moacir escorregou no piso de metal de uma ponte e acabou caindo. Felizmente, ele não caiu para o lado dos carros e teve uma pequena contusão e alguns arranhões. Sendo assim, seguimos pedalando. Poucos minutos depois, a chuva parou e o sol apareceu para secar tudo.
     Paramos na entrada para a estrada de Chichiriviche a fim de confirmarmos o caminho. As pessoas nos indicaram um trajeto e nós entramos em uma velha estrada, cheia de buracos, com vento contra e sem acostamento. Mas como a vontade de chegar era enorme, seguimos pedalando animados (a massa deu resultado e o Moacir já se sente bem melhor, sendo que nem precisamos parar durante a pedalada).
     Neste caminho, passamos por muitas lagoas e mangues. Algumas vezes, tivemos que nos virar para verificarmos qual animal estava se movendo enquanto passávamos, pois a sensação era de que um jacaré iria saltar na nossa direção a qualquer momento. Exageros a parte, a entrada na cidade foi relativamente rápida.
     Em poucos minutos, já estávamos no centro de Chichiriviche olhando casas, apartamentos, pousadas e acertando os detalhes para a chegada da nossa família. Como estávamos fazendo o “city tour” com as bikes equipadas, depois de 40Km pedalando sem parar, resolvemos parar para almoçar e descansarmos um pouco. Paramos no primeiro restaurante que vimos. A comida era razoável e o lugar um pouco sujo, mas matou a nossa fome.
     Após comermos, seguimos procurando estadia. Acabamos optando por uma pousadinha econômica e bem localizada. Não será a da nossa família, mas seguiremos procurando para eles amanhã.
     Assim que nos instalamos, saímos para conhecer a praia e procurar cabinas telefônicas para dar feliz aniversário ao meu pai. Infelizmente, não conseguimos falar com ele. Sendo assim, fomos para a praia e decidimos tentar mais tarde.
     Ficamos admirando o mar, as ilhas em torno da praia e a beleza natural do local. Chichiriviche possui uma paisagem incrível e um mar raro, pena que seus habitantes não valorizam tanta riqueza. As praias e as ruas da cidade são imundas, cheias de lixo a céu aberto e poeira para todos os lados. Ficamos com a impressão de que era um pequeno povoado que cresceu rápido demais e não conseguiu comportar todos os visitantes. Mesmo assim, encontramos uma areia limpinha e ficamos ali por duas horas.
     Quando voltamos ao quarto, arrumamo-nos, pegamos o pen drive (para postarmos os relatos atrasados) e fomos para a loja onde havia cabinas e internet. Mais uma vez, não conseguimos falar com o meu pai e fui obrigada mandar só um e-mail para ele (pois a loja fechava às 20h). Saímos da loja e fomos jantar. Acabamos comendo em um restaurante chinês, pois estávamos com probleminhas gástricos e não aguentávamos mais carne com aipim cozido.
     Após a janta, voltamos pela avenida principal. Quando chegamos na beira mar, nos surpreendemos com a quantidade de barraquinhas – de comida, bijuteria, artesanato e tudo que se possa imaginar – no calçadão. Sentimos como se estivéssemos em Tramandaí em alta temporada. Após darmos um “vistazo”, voltamos para a pousada e passamos o resto da noite assistindo comédias em espanhol (elas ficam muito mais engraçadas em espanhol) até pegarmos no sono.
Gastos
- Posada: R$35,72 - Almoço: R$22,62 - Janta: R$16,67 - Compras: R$9,05 - Sorvetinho: R$5,96 - Internet e ligação: R$3,82
Estatística
- Distância: 44,68Km - Tempo: 2h37min01” - Média: 16,8Km/h
Condições da estrada
- Medianas, sendo que no acesso à Chichiriviche as coisas pioraram.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

295° Dia – El Caidi – Yaracal – 07/09/2011 – Quarta-feira


     Acordamos às 8h bem cansados da razoavelmente longa pedalada de ontem. Tomamos o nosso café da manhã reforçado, arrumamos tudo e fomos para a estrada. A saída foi tranquila, mas pudemos perceber que não chegaríamos em Chichiriviche hoje. Teríamos que dividir este último trecho em dois dias de pedal mais leve.
     Pedalamos durante 13Km e já estávamos cansados. Não sabemos muito bem o porquê, mas nos últimos dias tenho me sentido meio fraco e emagreci bastante. Ainda bem que a Cris não tem sentindo os mesmos sintomas, pois ela que tem puxado as pedaladas. Aproveitamos a sombra de uma árvore e ficamos uns 30min parados e comendo umas bolachinhas. Voltamos para a estrada e, depois de mais uns 12Km, paramos novamente.
     Desta vez fizemos uma pausa num restaurante para almoçarmos. Pegamos uma parrilla para dois e, mais uma vez, a nossa refeição foi MUITA carne, aipim cozido e salada. Após comermos, ficamos cerca de 2h parados esperando a digestão. Por sorte tinha uma rede e aproveitai para dar uma relaxada. Lá pelas 15h30min, reiniciamos as nossas pedaladas.
     Sem muita demora, já chegávamos ao centro de Yaracal. O povoado é pequeno, mas tem tudo que a gente precisa. Instalamo-nos num hotel bonzinho e, após o banho, ficamos um tempo descansando e conversando bem deitados com um ar-condicionado a todo vapor. Neste momento nos demos conta de que só temos comido carne com pouquíssimos acompanhamentos. Estou sedento por um arroz bem empapado ou, melhor ainda, com feijão e ovo frito! Chegamos a conclusão de que esta minha “fraqueza e magreza” é devido à falta de carboidrato.
     Mais tarde, saímos para resolver este problema. Passamos no mercadinho, na padaria e na fruteira para comprar alguns mantimentos. Após as compras, paramos num restaurante e me deliciei num saboroso pratarrão de massa com molho. A Cris pediu um pabellón e descobrimos que estre prato é bem parecido com o nosso “A la minuta” (arroz, ovo frito, feijão, carne desfiada com molho e salada). Ficamos extremamente satisfeitos com o nosso jantar e retornamos para o quarto.
     Deitamo-nos e ficamos conversando mais um pouco. A fome ainda bateu e atacamos um dos salgados que tínhamos comprado para o café da manhã. Literalmente de barriga cheia fomos dormir, pois amanhã teremos mais pedalada para finalmente chegarmos em Chichiriviche!
Gastos
- Hotel: R$26,20 - Janta: R$13,81 - Almoço: R$19,53 - Mercado: R$19,29 - Padaria: R$4,77
Estatística
- Distância: 36,82Km - Tempo: 2h28min49” - Média: 15Km/h
Condições da estrada
- Medianas, começando a ter um acostamento.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

294° Dia – Tocópero – El Caidi – 06/09/2011 – Terça-feira


     Acordamos renovados depois de uma bela noite de sono. Tomamos o nosso desayuno, arrumamos tudo, nos despedimos do gentil senhor (agradecemos muito pela sua hospitalidade) e caímos na estrada. Mesmo sendo cedo, o calor já era forte.
     Para a nossa surpresa, os primeiros 5Km foram de pura descida. E o melhor ainda, sem vento contra! Curtimos bastante os primeiros 30Km, pois os últimos 5 ou 6 trechos de pedalada foram debaixo de um forte e constante vento contra, que não encarávamos desde a Argentina. Lá pelas 11h30min, a fome começou a dar sinais e resolvemos parar num restaurantezinho de beira de estrada. Fomos super bem atendidos e devoramos uma comida deliciosa. O problema foi que comemos demais! Desta maneira, ficamos repousando até às 13h30min para esperarmos o estômago fazer o seu trabalho. Enquanto descansávamos, vimos que tinha um verdadeiro Maverick detrás de nós! Fomos obrigados a tirar uma foto com o “possante”..rs.. Quando estávamos indo embora, pedimos para o pessoal do restaurante um pouco de gelo para colocar nas garrafinhas e eles nos brindaram com duas garrafas cheias de gelo e água gelada. Agradecemos pelo regalo e reiniciamos a pedalada.
     Infelizmente, a tranquilidade durou pouco e o vento ressurgiu das cinzas. Depois de uns 5Km, paramos para comprar água, pois só tínhamos as duas garrafinhas que ganhamos no restaurante. Compramos uma garrafa de 5l e, quando fomos recompletar as garrafas, percebemos que a água estava imunda! Ratificamos o que já sabíamos: água de estrada nem pensar! Não adianta, é melhor tomar uma água morna do que tomar uma água deliciosamente gelada e depois pagar com dois ou três dias mal do estômago. Voltamos para a estrada, já estávamos cansados e ainda tínhamos bastante caminho pela frente. Pedalamos por mais uns 15Km e ficamos esgotados de tanto sobe e desce. Sendo assim, demos mais uma parada numa vendinha de beira de estrada. Pegamos um refrigerante estupidamente gelado de um litro e meio e sentamos para conversar com um pessoal da região. Ficamos uns 20min aprendendo um pouco mais sobre a Venezuela e seu povo. Agradecemos pela agradável companhia, tiramos uma foto e voltamos para a estrada.
     Como a tarde já estava começando a dar sinais que se aproximava do seu fim, iniciamos a procura por onde ficar. O nosso objetivo era a cidade de Mirimire, mas vimos que estava um pouco longe e não valia a pena se matar para chegar lá sem ter certeza de que teria onde passar a noite. Sendo assim, começamos a perguntar em cada povoadinho decente por qual passávamos. Num deles, nos disseram que em El Caidi, que não estava longe, teria onde ficar. Com a meta traçada, só faltava atravessar um morro para podermos relaxar. Começamos a subida tranquilamente, mas com o passar dos metros as minhas energias foram se esgotando e fui obrigado a pedir para fazermos uma pausa. A fadiga foi tanta que me obriguei a deitar um pouco no asfalto para relaxar e recuperar as forças. Neste momento, uma caminhonete parou para saber o que estávamos fazendo e nos deram uma garrafa com água. Usamos a nossa aprendizagem e não bebemos, mas a água foi de grande serventia: derramei-a na cabeça e deu um ótimo alívio!
      Recuperado, continuamos subindo a pequena distância que faltava. Em seguida, começamos a descer e, junto com a descida, iniciaram algumas “fisgadas” de câimbra. Realmente estava no bagaço..rs.. Por sorte, andamos mais uns 5Km e encontramos o povoado de El Caidi e uma barreira policial onde descobrimos que havia uma pousada 1Km a frente. Porém, percebemos que não haveria local para comermos próximo à pousada e teríamos que andar até o centro do povoado. Pensando no que fazer, demos uma olhada em volta e vimos um anúncio meio apagado num prédio ao lado do posto de gasolina que dizia que se alugava habitacion. Esperançosos, fomos tentar a sorte.
     Chegando no local, descobrimos que realmente alugavam quartos e que o preço era bem acessível, mas o padrão era bem baixo. Como estávamos cansados e só queríamos um chuveiro, uma cama e fácil acesso a restaurantes, ficamos lá mesmo. Instalamo-nos, tomamos banho gelado de cano (aqui é comum nem ter chuveiro, sendo só um cano saindo da parede) e saímos para comer. Como de costume, só encontramos parrilla e acabamos devorando uma parrilla mista (rês, galinha, porco e um salsichão delicioso) com salada e aipim cozido.
     Voltamos para o quarto e nos arrumamos para dormir. Deitamo-nos e o cansaço era tanto que era apenas 21h e já estávamos moídos. Porém, não conseguíamos dormir devido ao forte calor e, para ajudar, o ar-condicionado não funcionava direito. Como o botão de regulagem de potência estava quebrado, começamos a tentar de tudo para fazê-lo encaixar novamente. Finalmente a Cris resolveu o problema com um alicate de unha e papel de bala! Com o ambiente mais fresco, não demoramos 10min para cairmos num sono profundo!
Gastos
- Habitacion: R$19,05 - Almoço: R$21,43 - Janta: R$16,67 - Mercado: R$6,20 - Bebidas: R$8,34
Estatística
- Distância: 73,96Km - Tempo: 4h46min07” - Média: 15,3Km/h
Condições da estrada
- Medianas.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

293° Dia – Coro – Tocópero – 05/09/2011 – Segunda-feira


     Acordamos bem, depois de uma bela noite de sono. Infelizmente, não conseguimos levantar cedo e acabamos saindo da cama só às 10h30min. Desayunamos, arrumamos tudo e fomos para o supermercado para comprar alguns mantimentos, pois os próximos dias serão de pequenos povoados de beira de estrada. Após adquirirmos tudo que queríamos, fomos para a estrada debaixo de um sol forte e com calor e vento intensos.
     Saímos da cidade e nos deparamos com uma estrada em condições muito ruins. Até a praia de La Vela encaramos um forte fluxo de veículos, sendo que alguns encostavam ao nosso lado para saber mais sobre algo não muito comum por aqui: CICLOTURISTAS! Depois deste início meio conturbado, a pedalada foi tranquila mas difícil. Fizemos uma parada numas casas a beira da estrada que tinham anúncio de bebida gelada. Para o nosso azar, tudo estava fechado e ninguém tinha nada para vender. Sendo assim, bebemos o restinho da nossa água gelada, descansamos um pouco e continuamos viagem.
     Após mais de 50Km, chegamos até o vilarejo de Tocópero e começamos a procurar onde ficar. Perguntamos para várias pessoas sobre alguma posada, mas todos diziam que não tinha nada disso na cidade. Finalmente um cara nos disse que poderíamos ficar numa posada na estrada que estava a uns 2Km da entrada da cidade. Esperançosos, continuamos a pedalar.
     Chegamos até o estabelecimento e um senhor muito gentil nos atendeu. Instalamo-nos e fomos tomar um bom banho para relaxarmos. Após o banho, ficamos admirando a vista extremamente bela que tínhamos da nossa janela. Depois de um tempo, deitei na cama para ver televisão e a Cris ficou tirando umas fotos do visual. Quando ela foi fechar a janela, uma das partes corrediças simplesmente se jogou da janela. A Cris ainda conseguiu segurar uma das pontas, mas o quadro girou e se chocou com a parede externa do prédio. Neste momento o vidro se estilhaçou e parecia que estávamos quebrando tudo. Levei um susto, mas me tranquilizei quando vi que ela estava bem e só com um pequeno arranhão. O senhor também se assustou e veio correndo para ver o que havia passado. Ele, mega super compreensivo, disse que a janela que estava mal colocada e nos mudou de habitacion.
     No novo quarto, nem chegamos perto da janela! Só relaxamos um tempo antes de começarmos a função de cozinhar, pois aqui não tem nenhum restaurante perto. Desta maneira, juntamos todos os nossos artefatos e iniciamos a preparação da nossa clássica massa. O bom é que a pousada tem uma grande e excelente área externa onde pudemos cozinhar tranquilamente. Enquanto cozinhávamos, o gentil senhor ainda veio nos oferecer a cozinha dele para prepararmos a nossa janta. Agradecemos a oferta, mas continuamos utilizando o nosso fogareiro ainda com um embaraço pelo fato ocorrido. Com tudo pronto, o senhor ainda nos brindou com uma deliciosa jarra de suco natural de maracujá! Com a barriga mais do que cheia, voltamos ao quarto para descansarmos.
     Na subida da escada para chegarmos até a habitacion nos deparamos com um bicho muito estranho e ficamos observando-o e fotografando-o por alguns instantes. De volta ao quarto, nos escovamos e caímos na cama, pois a pedalada de hoje foi bem puxada apesar da pouca distância.
Gastos
- Posada: R$38,10 - Mercado: R$14,77
Estatísticas
- Distância: 54,65Km - Tempo: 4h08min32” - Média: 13Km/h
Condições da estrada
- Medianas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

292° Dia – Coro – 04/09/2011 – Domingo

     Acordamos cedo, mas depois de várias “sonecas”, acabamos levantando só às 10h30min. A Cris não estava muito legal e falou que gostaria de ficar aqui hoje para descansar e se recuperar da “moleza” que estava sentindo. Desta maneira, voltamos para cama e demos mais uma recostada.
     Realmente acordamos só ao meio-dia e tomamos o nosso desayuno. Como a cidade não oferece muitos atrativos, ficamos no quarto escrevendo os diversos relatos atrasados (finalmente acabamos o resumo da nossa passagem pelo Equador!). Lá pelas 14h30min saímos para procurar algum restaurante onde pudéssemos almoçar.
     Como a cidade não é das maiores, hoje é domingo e já tinha passado um pouco do horário do almoço, demoramos até encontrar algum restaurante aberto. Quando finalmente vimos uma pizzaria aberta, nos empolgamos e já salivávamos por uma bela pizza. Entramos no local, nos acomodamos e começamos a ver o cardápio para escolher os sabores. Após uns 10min, decidimos o pedido e chamamos a garçonete. Assim que pedimos, ela disse não ter aquele sabor. Olhamos as demais opções e refizemos a nossa escolha. Ela, novamente, disse não ter o sabor, mas disse que tinha todos os demais. Estávamos com fome, mas também não ficaríamos comendo qualquer coisa só por comer. Sendo assim, agradecemos e saímos a procura de algum outro local.
     Chegamos na avenida principal da cidade e vimos um restaurante 24h bem na esquina. Mais uma vez achávamos que tínhamos nos dado bem. Entramos, pedimos e, de novo, não tinham o que queríamos. Além disso, o preço dos pratos era um pouco acima do que pretendíamos pagar. Mais uma vez agradecemos e saímos para ver outro lugar. Ao caminhar mais um pouco, percebemos que na rua em que estávamos tinham vários restaurantes abertos e teríamos várias opções. No meio da quadra, passamos por um fast-food de frango assado e nos interessou um combo com um frango assado e mais alguns adereços por um preço bem bom. Como já estávamos um pouco cansados de caminhar debaixo de um sol escaldante, decidimos que seria ali mesmo onde almoçaríamos. Entramos, pedimos e nos espraiamos bem próximos da saída do ar-condicionado.
     Após uns 5min de espera, estava listo o nosso pedido e começamos a degustar o saboroso pollo acompanhado de salada, guacamole, bollo de aipim, sobremesa e chá gelado. Toda a comida estava muito saborosa e ficamos mais do que satisfeitos com tanta comida. Quando fizemos o pedido tínhamos pensado em levar as sobras para fazer uns sanduíches reforçados para a janta, mas só sobraram ossos.
     Saímos para mais uma caminhada para explorar a bela e desconhecida região da cidade. Fomos até um centro comercial, mas todas as lojas estavam fechadas e não estávamos muito animados para um cinema. Já voltando para a posada, passamos por uma casinha quase caindo que dizia ter internet e tentamos a sorte. Para a nossa surpresa, realmente era uma lan house e aproveitamos para mandar notícias (internet na Venezuela é algo ainda não muito difundido).
     Saindo da lan house, ainda passamos numa padaria e compramos algumas coisinhas para a janta e para a pedalada de amanhã. Após comprar tudo, voltamos para a posada. Chegamos no quarto e recomeçamos os trabalhos burocráticos. Agora estou matando a saudade do Rio Grande escutando umas músicas gauchescas enquanto escrevo este relato e a Cris acaba de ler o livro que comprou no aeroporto de Guayaquil. Em breve faremos nosso lanchinho da noite e iremos dormir, pois amanhã teremos que acordar cedo para recuperar o dia de hoje.
Gastos
- Hotel: R$35,72   - Almoço: R$19,05   - Mercado: R$14,77   - Internet: R$1,20

domingo, 18 de setembro de 2011

291° Dia – Punto Fijo – Coro – 03/09/2011 – Sábado

     Acordamos às 8h50min e, enquanto tomávamos o nosso desayuno, discutimos se sairíamos para conhecer as lojas do centro ou se descansaríamos no hotel. Como era a nossa última possibilidade de encontrarmos alguma loja que vendesse sapatilha de ciclismo (pois a do Moacir está descolando a sola), preparamo-nos e saímos. O calor estava intenso na rua e haviam muitas pessoas vagando entre as lojas. Era praticamente impossível caminhar sem se chocar com alguma sacola.
     Dirigimo-nos a uma loja de bike que havíamos passado de ônibus no dia de ontem. No caminho, passamos por muitas tiendas de eletrônicos. Vimos televisores de plasma por R$700, secadores de cabelo por R$20 e celulares Balck Berry por R$500. Apesar dos preços tentadores, não nos empolgamos com as compras, pois as bikes estão lotadas e já estamos começando a pensar em economizar para o nosso retorno ao Brasil. Assim que chegamos na loja de bike, perguntamos ao vendedor se tinha o produto. Diante da resposta negativa, questionamos-lhe sobre alguma outra loja onde poderíamos encontrá-las, mas ele não soube nos indicar.
     Desta maneira, começamos a entrar em todas as tiendas deportivas que mirávamos. Mais uma vez, vimos diversos tênis e roupas esportivas baratos, mas nada das sapatilhas. Como se aproximava do horário do check out, voltamos ao hotel. Teremos que deixar a caça à sapatilha para Caracas.
     Assim que voltamos ao quarto, tomamos uma ducha para aliviar o calor, arrumamos as bagagens e nos preparamos para o retorno a Coro. Após os trâmites do check out, caminhamos até a parada da “buseta” que nos levaria ao terminal. O micro-ônibus estava lotado e tivemos que deixar as bagagens com o motorista. Felizmente, aqui todo mundo é “chevere” e ninguém mexeu nos alforges.
     Descemos na rodoviária, compramos o nosso ticket para poder entrar no terminal e pegamos a “buseta” para Coro. Acreditamos que aqui eles só utilizam ônibus para grandes distâncias, o restante do transporte é feito por vans e micro-ônibus (busetas). A viagem foi tranquila, apesar de termos que sentar separados e a minha companheira de viagem (Cris) ser uma louca que fechava as janelas e deixava o lugar extremamente quente.
     Após a guerra de abre e fecha de janela, chegamos em Coro. Como sofremos muito com o calor na nossa ida caminhando ao terminal, há três dias atrás, preferimos pegar um táxi até a pousada. Aqui, os táxis são muito baratos, pagamos menos de R$4 o trajeto. Ao chegarmos na pousada, tomamos mais uma ducha gelada e saímos para almoçar. Comemos em um restaurante colombiano (muito bom) perto da pousada e, em vez da siesta, fomos caminhar até o centro histórico. O centro é bem conservado, possui belos prédios e igrejas. Além disso, apresenta várias feiras artesanais que valorizam a cultura regional. O passeio foi muito bonito e interessante, mas o calor não permitiu que ficássemos muito tempo caminhando. Sendo assim, paramos em um centro de informações turísticas (afim de pegarmos mais dados sobre os próximos destinos), passamos no supermercado e voltamos ao ar-condicionado da pousada.
     Ficamos no quarto o resto do dia, oscilando entre computador e televisão. Assistimos todos os programas sobre o 11 de setembro e o sequestro de Ingrid Bitencourt da Discovery. Agora, escrevo este relato enquanto o Moacir organiza o nosso cafezão da noite. Em seguida, vamos dormir, pois amanhã teremos muito vento contra pela frente.
Gastos
- Hotel: R$35,72   - Sorvete: R$1,43   - Translados: R$13,81   - Supermercado: R$22,39   - Almoço: R$10,72

290° Dia – Los Taques - Punto Fijo – 02/09/2011 – Sexta-feira

     Acordamos com bastante preguiça e sem muita disposição para ir até a praia de Villa Marina (não gostamos muito), sendo assim, tiramos a manhã para descansar. Levantamos somente às 9h30min e fomos para o nosso desayuno. O pessoal da pousada nos serviu uma xícara de café com leite, um copo de suco e duas pequenas arepas recheadas com carne e queijo. Tudo estava bom, mas o destaque foi o café com leite! Comemos e retornamos para a nossa habitacion.
     Lá pelas 11h é que começamos a arrumar tudo para partir. Ao meio-dia, deixávamos a pousada e já nos dirigíamos ao ponto de parada dos micro-ônibus. Esperamos por uns 45min até que, finalmente, encostou um micro caindo aos pedaços e pudemos embarcar para retornar até Punto Fijo. A viagem foi tranquila e, rapidamente, já estávamos no centro da cidade.
     Assim que desembarcamos, começamos a procurar onde ficar. Passamos por uns cinco hotéis até achar um que coubesse no nosso pressupuesto e não fosse um pulgueiro. Instalamo-nos, tomamos um bom banho gelado (por aqui, com dez minutos debaixo do sol já estamos pingando) e fomos procurar onde comer. Paramos num restaurantezinho na esquina do hotel e, enquanto almoçávamos, decidimos conhecer algum dos grandes centros de compra que tem por aqui. Informamo-nos sobre qual é o melhor e nos disseram que o mais novo e com mais loja é o Sambil. Sendo assim, lá fomos nós.
     Pegamos um carrito e em 10min já estávamos lá. O centro comercial é realmente grande e ficamos umas 3h rodando por todas as suas lojas. Até tem produtos bem baratos, mas como não estamos procurando nada e não temos como carregar algumas das ofertas que vimos (TV de plasma de 42” por R$750) nem compramos nada. Ou melhor, somente passamos no supermercado e compramos alguns mantimentos que estamos precisando. Além disso, aproveitamos a praça de alimentação para jantar, pois não sabíamos se teria algo aberto no centro da cidade.
     Voltando para o nosso hotel, já era umas 20h e o centro estava completamente morto. As ruas praticamente sem iluminação fizeram com que demorássemos um bom tempo até nos acharmos e encontrarmos o nosso hotel. Assim que chegamos no quarto, demos uma arrumadinha nas coisas para amanhã e nos deitamos para relaxar e ver um pouco de televisão. Ficamos na dúvida se as expectativas que eram muito grandes a respeito da península de Paranaguá ou se o local que não é tudo isso, mas o certo é que sairemos daqui com uma certo insatisfação.
Gastos
- Hotel: R$40,48   - Almoço: R$21,43   - Translados: R$8,58   - Supermercado: R$29,29   - Janta: R$16,91

sábado, 17 de setembro de 2011

289° Dia – Coro – Los Taques – 01/09/2011 – Quinta-feira

     Acordamos, desayunamos e começamos a nos preparar para conhecer a tão esperada península de Paranaguá. Fizemos vários sanduíches para levar, pois sobraram várias fatias de queijo e presunto, e também congelamos uma garrafinha cheia de água para termos alguma bebida fria para nos refrescarmos. Saímos da posada e fomos caminhando até o terminal de ônibus. Infelizmente, não era tão perto quanto o dono da posada havia nos dito e foram uns 30min de caminhada com dois alforges pesando uns 30Kg e debaixo de um sol escaldante! Valeria a pena ter pagado os quase R$4 do táxi da posada até o terminal.
     Por sorte, a buseta (micro-ônibus) para Punto Fijo já estava prestes a sair e não tivemos que ficar esperando muito no calor infernal. Em poucos minutos já estávamos na carretera e podíamos observar as dunas de Coro ao nosso redor. O local é bonito, mas não nos animamos a pedir para descer e subir nas areias escaldantes dos diversos cômoros. Seguimos viagem e, em 1h, já passávamos por vários centros comercias da zona libre de Paraguaná (toda a região é livre de impostos – free shop). Em seguida, chegávamos ao terminal de Punto Fijo.
     Ficamos um pouco decepcionados ao ver que o terminal ficava no meio do nada. Assim que desembarcamos, vimos uma banquinha de informações turísticas e fomos ver o que tem para se conhecer na região. A atendente nos disse que havia duas regiões com praia, mas as melhores eram em Villa Marina e que ficavam perto do povoado de Los Taques. Conversamos um pouco sobre o que faríamos e decidimos ir direto para lá e ficar hospedados na praia mesmo, pois não estamos interessados em compras. Sendo assim, nos informamos sobre como chegar lá e agradecemos pela ajuda.
     Agora teríamos que comprar a taxa de embarque e depois nos dirigirmos para o box de Los Taques. Infelizmente não tinha nenhuma buseta no local e tivemos que ficar esperando uns 15min. Até tinham carros que faziam o mesmo trajeto, mas eram o dobro do preço (uns R$2,50 por pessoa). Enquanto esperávamos, a Cris pegou um sorvetinho para que nos refrescássemos e eu comi um sanduíche, pois a fome já estava batendo.
     Finalmente chegou a buseta, e pudemos partir rumo ao litoral. A viagem de 16Km passou rapidamente, mas pudemos perceber a precária condição da península, pois toda a área é praticamente deserto. Pretendíamos ficar em Villa Marina mesmo, mas o povoado parecia meio desabitado. Sendo assim, desembarcamos no centro de Los Taques (1Km de distância da beira da praia de Villa Marina) e começamos a nossa caça a posada. Ficamos 1h30min nessa irritante e cansativa função. Todas estavam lotadas ou eram muito caras. Depois de MUITO procurar, acabamos nos instalando numa bem na praça e com excelentes instalações.
     Colocamos as nossas coisas no quarto, tomamos um bom banho e saímos para procurar algum lugar onde almoçar. Não achamos nenhum restaurante aberto e tivemos que nos contentar em passar no supermercado para comprar um suco para acompanhar os sanduíches que havíamos trazido. Após o nosso lanchinho, pegamos o kit praia (infelizmente não trouxemos o Eclipse) e fomos conhecer mais de perto a orla.
     Caminhamos uns 10min e já estávamos com os pés na areia. Até aqui o vento nos persegue e dificultava a nossa caminhada! Jogamos tudo na areia e fomos para o mar. Não sabemos se estamos nojentos demais ou se estávamos esperando muito, mas não ficamos muito satisfeitos com a praia. O mar é bem calminho e com uma temperatura boa, mas a água não era das mais claras e a areia também não era das melhores. Mesmo assim, aproveitamos muito a tarde com o revezamento de ficar jogado na areia e dar um mergulho para refrescar.
     Ao cair do sol, voltamos para a posada. Quando chegamos, ainda fomos surpreendidos quando o recepcionista nos avisou que tínhamos direito a café da manhã (coisa MUITO rara por aqui) e que era servido das 8h às 10h. Agradecemos e fomos nos banhar. Ficamos de bobeira no quarto, vendo um pedaço do filme “Sete Anos no Tibet”. De repente, mais uma vez, faltou energia elétrica. A Cris não acreditava no que estava acontecendo e ficou ainda mais surpresa quando tirei o meu farol do alforge (já que é normal faltar luz por aqui preferi prevenir). Aproveitamos o momento de paz e silêncio para dar uma recostada.
     Assim que acordamos, nos arrumamos para ir jantar. Não esperávamos muita coisa, mas pelo menos um restaurantezinho onde pudéssemos comer alguma coisa. Infelizmente, novamente não achamos nada aberto e, desta vez, apelamos para a padaria. Pegamos vários salgados, um sonho, suco e iogurte para a nossa jantinha. Voltamos ao quarto e devoramos tudo. Neste momento já havia voltado a energia elétrica e aproveitamos o restinho da noite para relaxar. Agora estou escrevendo enquanto a Cris vê o programa Encantador de Cães no Animal Planet. Em breve vamos dormir, pois amanhã teremos que nos transladar para o centro, pois aqui não tem vaga, a praia não é tudo o que esperávamos e tudo é mais caro que no centro.
Gastos
- Hotel: R$66,67   - Translado: R$12,15   - Mercado: R$4,29   - Janta: R$13,34    - Sorvete: R$1,43

288° Dia – Urumaco – Coro – 31/08/2011 – Quarta-feira

     Acordamos cedo, tomamos o nosso café da manhã, arrumamos tudo e partimos rumo a Coro. Para nos ajudar,  as pousadas e hotéis têm o costume de ter frigobar no quarto ou deixar uma geladeira a disposição dos hóspedes. Sendo assim, congelamos todas as nossas garrafinhas com água e esperamos ter água gelada durante quase todo o dia, pois a bolsinha térmica que ganhamos da rede hoteleira Red Mangrove é excelente (fora da bolsa térmica o gelo das garrafas de um litro não dura 1h)!
     Assim que começamos a pedalar o calor já estava intenso e o vento dava indícios de que seria mais um dia sem trégua alguma. Pedalávamos lentamente e gastando muita energia. Combinamos fazer paradas a cada 20Km para que consigamos completar os 80Km sem tanto desgaste. Na primeira parada já estávamos exaustos e aproveitamos uma parada de ônibus para ter a rara chance de desfrutar uma sombra. Sacamos a nossa bolsinha do Red Mangrove e nos deleitamos na água gelada! Como é bom tomar algo bem gelado depois de 2h passando calor e tomando água de chimarrão! Depois de uns 20min parados, voltamos para a calorosa estrada.
     O calor tinha se intensificado e o vento estava na mesma, sempre presente. Pedalamos uns 5Km e começamos a ver pessoas vendendo frutas típicas da região parecida com a tuna (fruta de cactus) que comemos no Peru. Parei num destes vendedores para ver se realmente eram frutas, como se comia e quanto custava. O vendedor foi bem atencioso e, além de tirar as minhas dúvidas, me deu meio fruto para provar. O sabor e a textura eram diferentes do da tuna e resolvi comprar alguns para degustarmos com mais calma. Em relação ao preço, ele só vendia um balde e insistiu em me regalar dois frutos de cada tipo. Para não fazer desfeita, aceitei o presente, mas dei em troca dois pacotinhos de bolacha maria que tinha na bolsa de guidão. Com as novas experiências para o nosso paladar devidamente guardadas, continuamos a pedalada.
     Aos 36Km percorridos, vimos um restaurante ajeitadinho e optamos por parar para almoçar. Pedimos um prato de carne assada para dividirmos e uma garrafa de dois litros de refrigerante. Para a nossa sorte, o restaurante tinha uma área com ar-condicionado e aproveitamos para nos refrescarmos. Depois de uns 10min, chegávamos a estar com frio de tão forte que estava o ar-condicionado. Comemos, bebemos e descansamos bastante. Quando estávamos nos preparando para partir, percebi que as frutas estavam amassando um pouco e decidi abrir duas para provarmos. A com formato redondo e de cor vermelha era doce e pouco ácida, tendo sua polpa de cor vermelha e com muitas pequenas sementes pretas. Já a verde que parecia um pão receado, tinha uma polpa verde e branca com muitas pequenas sementes pretas e o sabor era semelhante ao do kiwi, sendo um pouco mais ácida que a vermelha. Além de tudo isso, este fruto verde soltava uma espessa secreção da casca, bem semelhante a da babosa, que, se não cuidasse, se misturava à polpa.
     Reiniciamos as pedaladas e agora “só” faltava uns 44Km. Estávamos cansados de não conseguir fazer a pedalada render devido ao forte vento contra, mas como não tinha o que fazer, baixamos a cabeça e continuamos a pedalar. Depois de umas 2h de muito suor, procurávamos algum lugar para parar, mas não havia nada. Ficamos uns 10Km procurando algum barzinho, posto, restaurante ou alguma sombra, mas não achamos. Desta maneira, paramos no meio do nada debaixo de umas pequenas árvores que faziam uma mínima sombra. Ficamos uns 15min descansando e vimos que não era uma boa ideia continuarmos ali, pois o ambiente era meio suspechoso. Voltamos para a estrada e encontramos um pequeno boteco uns 7Km adiante. Aproveitamos a oportunidade e paramos para descansar. Vimos que agora só faltava uns 10Km e nos animamos, pois já conseguíamos enxergar alguns prédios da entrada da cidade.
Sempre tem uma frutinha nova para provarmos!
     Voltamos para a estrada depois de relaxar na sombra por meia hora. Pedalamos até a entrada da cidade e paramos num posto de gasolina para nos informar sobre a cidade e como chegar na posada que tínhamos visto na internet. Conseguimos o que queríamos e continuamos o nosso caminho. A cidade era um pouco maior do que esperávamos, mas encontramos facilmente a posada. Infelizmente a localização não era das melhores e o pessoal era cheio de nove horas para aceitar as bikes e guardar durante o período em que estaremos em Paranaguá (pretendemos deixar as bikes aqui em Coro e passar duas noites na península de Paranaguá para conhecer as praias). Desta maneira fomos procurar outras hospedagens.
     Rodamos a cidade toda e tudo era muito caro ou muito ruim. Quando já estávamos quase desistindo, achamos uma pousadinha meia boca, mas bem localizada e com um pessoal bem parceria. Instalamo-nos, tomamos um banho  e deitamos um pouco para relaxarmos. Lá pelas 19h, saímos para passar no supermercado e para jantar.
     Chegamos no super quando já estava quase fechando, mas não tivemos a mesma sorte com os restaurantes. Caminhamos por várias quadras e não achamos nada aberto, somente lancherias. Como a fome era grande, acabamos nos entregando para um xis que parecia bom. As nossas expectativas foram confirmadas e os lanches eram grandes e bem saborosos. Bem satisfeitos, voltamos para o quarto e ficamos vendo um pouco de televisão. Não tínhamos muita preocupação, pois no dia seguinte iríamos de ônibus para Punto Fijo. Mais tarde começamos a arrumar tudo para levar e, em seguida, fomos dormir.
Gastos
- Hotel: R$35,72   - Bebidas e comidas na estrada: R$18,10   - Mercado: R$24,29   - Janta: R$17,86
Estatísticas
- Distância: 76,76Km   - Tempo: 5h11min57”   - Média: 14,6Km/h
Condições da estrada
- Medianas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

287° Dia – Dabajuro – Urumaco – 30/08/2011 – Terça-feira

     Ontem fomos dormir relativamente tarde e acabamos acordamos bem cansados hoje lá pelas 6h. Desta maneira, optamos por aproveitarmos o quarto e descansarmos o resto da manhã. Saímos da cama só às 11h e começamos a arrumar tudo. Ao meio-dia iniciávamos as pedaladas do dia sob um sol forte e um vento contra incessante.
     Gostaríamos de chegar em Coro hoje mesmo, mas vimos que com o vento nos segurando seria muito difícil fazer os 120Km. Pedalávamos bem devagar, apesar de estarmos fazendo muita força. O vento contra suga as nossas energias e nos faz andar realmente devagar (15Km/h). Depois de pedalar uns 30Km, paramos para almoçar numa parrilla no meio da estrada. Pegamos um prato de frango com salada e aipim cozido acompanhado de um litro e meio de refrigerante bem gelado. Comemos bem e descansamos um pouco antes de voltarmos para o calor infernal da estrada.
     Ainda teríamos uns 25Km de muito vento e sol pela frente. Exaustos e irritados por causa do vento que não dá trégua durante toda a pedalada, finalmente chegamos à entrada da cidade. Paramos num grande parador para nos informarmos  sobre onde passar a noite. O atendente disse que teríamos que sair da estrada e ir até a praça central do povoado, pois lá teria uma posada. Como ficava pertinho, lá fomos nós.
     Pedalamos por cerca de uns 5min e chegamos a um pequeno mas belo centrinho, avistamos a posada e fomos nos informar. O preço e a estrutura eram bons, então já nos instalamos. Depois de um bom banho, saímos para comprar alguns mantimentos num mercadinho perto e retornamos para o quarto para descansarmos um pouco. Além disso, a dona da posada disse que ao anoitecer teriam barraquinhas com parrilla na praça central.
     Ficamos cerca de 2h deitados vendo televisão e escrevendo relatos, até a noite cair e a fome bater. Infelizmente, saímos da posada e não encontramos barraquinha alguma. Sendo assim, só nos sobrou a opção de irmos até a estrada e comermos em algum dos restaurantes por quais passamos. Acabamos escolhendo uma parrilla meio pé sujo, mas era a mais movimentada. Pedimos duas parrillas, sendo uma de carne (gado) e outra de chivo (descobrimos que chivo é cabrito). Os pratos vieram MUITO BEM servidos e não conseguimos dar conta de tanta carne, ou seja, teremos sanduíches reforçados no café da manhã. Com um copinho descartável cheio de carne, voltamos para a posada.
     Chegando de volta ao quarto, nos banhamos novamente, pois estávamos encharcados de suor devido à caminhada. Quando deitamos para ver algum seriadinho, faltou luz novamente. Começamos a acreditar que é rotineira esta falta de energia elétrica. Sendo assim, nos preparamos para dormir, pois amanhã teremos um longo, quente e ventoso caminho de uns 80Km até Coro.
Gastos
- Hotel: R$28,57   - Almoço: R$10,72   - Mercado: R$9,41   - Janta: R$20,24
Estatísticas
- Distância: 53,52Km   - Tempo: 3h23min11”   - Média: 15,6Km/h
Condições da estrada
- Medianas.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

286° Dia – Mene Mauroa – Dabajuro – 29/08/2011 – Segunda-feira

     Hoje acordamos às 5h30min e não havia luz no quarto, desta maneira, tomamos café da manhã e voltamos a dormir antes de arrumar tudo. Levantamos às 6h50min e preparamos tudo para sair. Às 7h45min, entramos na estrada e o calor já estava insuportável.
     Desde a saída de mene Mauroa a estrada pareceu estar um pouco melhor do que a dos dias anteriores (apesar de ainda não ter acostamento). Pedalamos 20Km em um terreno relativamente plano e com vegetação rasteira quase invadindo estrada até pararmos em uma tienda para pegarmos água gelada para repor as garrafinhas e para nos refrescarmos. Quando o calor diminuiu, voltamos para a estrada.
     O caminho começou a alterar entre sobe e desce e o meu ritmo diminuiu, sendo assim, o Moacir começou a me puxar. Ele me arrastou pela estrada por 20Km. No caminho, pude perceber que as cidadezinhas venezuelanas são bem simples e com pouca estrutura sanitária, além disso, a estrada é muito mal cuidada e os veículos que transitam por ela oscilam entre carros dos anos 60 (a maioria) e caminhonetes top de linha. Ou seja, apesar do governo se dizer socialista, a desigualdade social é absurdamente grande.
     Assim que o Moacir me largou, paramos em uma sombra para comermos uns biscoitos. Cerca de 18Km após a parada, chegamos a Dabajuro. Como a cidade parecia ser bem simples e pequena, optamos por ficar em um hotel na beira da estrada mesmo. Surpreendemo-nos em pagar apenas R$30 por um quarto com ar-condicionado, frigobar, TV a cabo e internet.
     Após nos instalarmos, fomos almoçar no restaurante do hotel. Depois do almoço, voltamos para o quarto e curtimos uma “siesta”. Acordamos às 17h e saímos para comprar os mantimentos para amanhã. Vamos aproveitar o frigobar para congelarmos água nas garrafinhas e termos bebida gelada ao longo do dia.
     Agora, escrevo este relato enquanto o Moacir briga com o computador. Em seguida, vamos sair para jantar e dormiremos. Amanhã teremos 120Km de pedal até Coro, debaixo de muito sol.
Gastos
- Hotel: R$28,57   - Almoço: R$29,30   - Compras: R$20,00
Estatísticas
- Distância: 59,15Km   - Tempo: 3h20min25”   - Média: 17,5Km/h
Condições da estrada
- Medianas.