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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

NOSSA PASSAGEM PELA REPUBLICA DE CHILE

     A nossa entrada no Chile ocorreu pelas montanhas da Cordilheira dos Andes no 41° dia (27/12/10) pelo passo “Los Libertadores” (fronteira de Las Cuevas na Argentina com Los Andes no Chile). A nossa estadia no Chile teve duração de 48 dias e percorremos 2.754,74Km, sendo 1.427,94Km de bicicleta e 1.326,80Km de ônibus. Saímos do país pela cidade de Arica que fica na fronteira com o Peru.
     O povo chileno mostrou-se um pouco mais distante do que o argentino e o uruguaio. Pouquíssimas pessoas se aproximaram da gente para perguntar o que estávamos fazendo, mas podíamos notar inúmeros olhares curiosos em nossa direção. Até mesmo enquanto pedalávamos nas estradas, recebemos muito menos apoio dos motoristas do que nos demais países. Vale ressaltar que os motoristas chilenos foram os mais solidários conosco, pois na grande maioria dos momentos mudavam de pista para passar mais afastado.
     O clima e o relevo chileno não se mostraram propícios para a prática do cicloturismo, pelo menos para o nosso nível preparo. Sentimos muita dificuldade de pedalar em inúmeros momentos, seja pelo clima extremamente seco do deserto ou pelos intermináveis cerros que estão em todo o país. Além destes fatores naturais, existem muitas regiões com baixíssima densidade populacional, o que exige uma autossuficiência muito grande (pedalamos 100Km sem ver povoado, venda ou barraquinha qualquer na beira da estrada).
     Não vimos muitos pratos da culinária chilena que não tenhamos provado na brasileira.
Alguns pontos que se destacaram nesta questão foram a grande variedade de pães que eles produzem, o mote com huesillos (grãos cozidos de uma variedade de milho com um suco parecido com guaraná e pêssego desidratado) e a utilização de aji (um tipo de molho de pimenta) e, principalmente, abacate em todos os tipos de comida. Podemos dizer que o abacate é o alicerce alimentar deles, sendo servido em saladas mistas até cachorro-quente! Para finalizar o quesito culinária, não poderíamos deixar de citar os vinhos chilenos. A variedade, qualidade e preço são incomparáveis com qualquer outro lugar que tenhamos visitado!
     As praias chilenas ficaram aquém do que esperávamos. Salvo algumas exceções, todas possuíam uma água gelada, muito vento na beira do mar e grande quantidade de algas marinhas. As praias que se destacaram para o nosso gosto foram:
           - Reñaca: bela praia na cidade de Viñadel Mar que possuí uma orla com boa infraestrutura (barzinho, música, restaurantes), além de ter um mar limpo e uma boa faixa de areia. Sendo recomendada para quem procura badalação.
            - Papudo: pequeno e tranquilo balneário com águas calmas, extensa faixa de areia e um centrinho simpático, limpo e bem organizado. Indicada pra quem procura tranquilidade.
           - Cavancha: praia da cidade de Iquique que tem um esplendoroso pôr-do-sol, fácil acesso à excelente infraestrutura da cidade, muitas opções de entretenimento na beira da praia (calçadão com ciclovia, feirinhas, quadras, escola de surf, mini zoológico) e uma boa faixa de areia com o mar propício para banho. Praia que serve para amigos procurando festa e família querendo descansar.
     O Chile, para brasileiros, é um pouco caro. Mesmo assim, existem produtos que são baratos em comparação com o preço no Brasil devido à inexistência de imposto de importação. É difícil dizer que alguém é pobre no Chile, pois todos dirigem caminhonetes do ano, possuem televisões gigantescas de plasma e usam roupas e produtos importados. Somente em locais mais isolados é que percebemos a ausência de fatores essenciais para uma boa qualidade vida.
      Durante a nossa passagem pelo país, pudemos observar regiões com uma beleza ímpar. A cidade de San Pedro de Atacama apresentou uma gama incrível de opções de turismo e de paisagens inigualáveis, variando de uma laguna sete vezes mais salgada que o mar até gêiseres à 4.200m de altitude que expelem água fervente em meio à uma temperatura negativa. Nos vales próximos ao centro da cidade, ficamos sabendo do costume dos criadores de lhama de marca-las com uma fita na orelha para saber a quem pertence.
     Alguns fatores curiosos que observamos durante nossas pedaladas foram que eles têm o hábito de acampar da beira da praia, a presença de grande quantidade de artistas de rua, a venda de uniformes escolares em grandes lojas de departamento e a venda de cabritos inteiros na beira da estrada. Os chilenos montam um verdadeiro acampamento quando vão à praia. Muitos levam barracas, gerador, barraca para banheiro e tudo mais, passando as férias inteiras acampados na areia. Em todos os povoados por quais passamos, por menores que fossem, existiam pessoas fazendo escultura, duplas de comédia, teatro ao ar livre, mini orquestra que aglomeravam muitos espectadores. Pedalamos por estradas onde os moradores locais vendiam cabritos, sem a pele e sem as vísceras, enrolados em um pano branco similar a uma fronha, sendo que os animais ficavam o dia todo expostos ao sol! 
     Em toda extensão do país existem incontáveis minas de cobre.Uma característica do Chile é a exploração do terreno através das minas ao invés da atividade agropecuária. A maioria das pequenas plantações por quais passamos eram vinhedos ou de subsistência.
     Durante os dias em que estivemos em solo chileno, sentimos uma sensação de segurança que até então não havíamos experimentado nesta expedição. O povo prima pela segurança. Víamos muitos carabineiros (policiais) em todas as cidades por quais passamos, de Santiago (capital nacional) à Chanavaya (pequeno povoado de pescadores). Segundo relatos dos nativos, a rigidez da polícia faz com as leis sejam respeitadas pelos habitantes.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

89° Dia – Arica –Tacna – Puno -13/02/11 – Domingo

Saindo do Chile
     O dia de hoje foi, literalmente, um longo dia de viagem: começou às 9h do domingo e só terminou às 7h da segunda. Pedalamos, atravessamos uma fronteira, andamos de ônibus, saímos do nível do mar e fomos parar a 3.800m de altitude e saímos de um clima extremamente seco para um extremamente úmido. Foram 22h de incríveis descobertas, suor, cansaço e muita diversão.
     O início do dia já nos reservou boas notícias: a recepcionista do Hostel Doña Ines não nos cobrou a hospedagem e ainda nos ofereceu mais um excelente café da manhã. Assim que organizamos todo o equipamento da bike, partimos rumo à fronteira. Estávamos apreensivos, pois não sabíamos se poderíamos entrar no Peru com artesanatos e comidas.
Chegada no Peru
     Pedalamos uns 20km até chegar na aduana Chilena, registramos a nossa saída do Chile nos passaportes e perguntamos sobre as regras de imigração do Peru. O rapaz que nos atendeu nos informou que os peruanos não são muito rígidos nesta questão de entrada de produtos agrícolas. Animados com a resposta, seguimos em direção da aduana peruana. Ao chegarmos lá, entregamos os nossos passaportes e já fomos dirigidos para a cancela da polícia aduaneira, onde só verificaram os nossos dados e nos mandaram seguir (vocês não imaginam a cara de criança feliz do Moacir ao saber que não teria que deixar as suas frutas e os seus artesanatos na fronteira – ele estava traumatizado por ter tido que abandonar os pêssegos na fronteira entre a Argentina e o Chile).
Artesanatos e comidas a salvo!
      Assim que entramos no Peru, percebemos que a vegetação já começava à mudar, as árvores já se faziam mais presentes na paisagem e, mesmo nos lugares desérticos, haviam placas do governo informando sobre estudos agrícolas em tais terrenos. Pedalamos mais uns 30Km e entramos em Tacna. O calor estava insuportável, tivemos que parar duas vezes embaixo de árvores para nos refrescarmos um pouco e baixarmos a temperatura corporal. Também tivemos que fazer uma pausa devido à quebra de um raio da roda traseira da bike do Moacir.
     A cidade de Tacna é bem extensa, entramos uns 15Km até encontrarmos o centro. Apesar da aparente pobreza, as avenidas principais de Tacna são bem conservadas, as escolas e os parques infantis são incríveis, não se percebe esgoto a céu aberto e existem templos, de diversas religiões, que enriquecem muito a arquitetura local. Além disso, os produtos e serviços são mais baratos do que no Chile. Como o fuso horário do Peru é de 2h a menos que o do Chile, às 15h30min já estávamos no centro de Tacna.
Janta de rodoviária
     Sendo assim, decidimos ir até o terminal rodoviário para vermos os horários do ônibus para Puno. Depois de meia hora e de pedir informações para umas dez pessoas, encontramos o terminal. Logo que nos informamos que a viagem até Puno duraria 8h e que os horários de saída eram restritos à 7h ou 20h, decidimos comprar as passagens para às 20h e ganhar um dia no nosso cronograma. O problema é que estávamos imundos, cansados e com fome. Desta maneira, tivemos que improvisar: tomamos banho nas duchas da rodoviária, buscamos um frango com salada e batata frita para a janta, compramos pães em uma feirinha local para o lanche durante a viagem e descansamos sentados nos bancos do terminal mesmo. Na hora de embarcar percebemos algo, no mínimo, estranho: além de comprar a passagem, também tínhamos que comprar um tícket de acesso ao local de embarque! Após comprar o tal tícket, fomos embarcar as bicicletas. O cobrador do ônibus quis nos enrolar, cobrando um valor muito mais alto que o combinado com o vendedor das passagens. Como somos brasileiros, e, infelizmente, estamos acostumados com a malandragem, chamamos o vendedor e ele resolveu este imprevisto para nós. Acomodamo-nos e partimos rumo ao Lago Titicaca!
Panorâmica da rodoviária
     A viagem foi cansativa e o motorista um pouco veloz demais, mas chegamos inteiros em Puno às 5h da madrugada. Depois de dois meses sem uma gota de chuva no Chile, o Peru nos deu as boas vindas com uma boa chuvinha torrencial assim que descemos do ônibus. Como ainda era noite, montamos os equipamentos, pedimos algumas informações e nos dirigimos ao centro da cidade em busca do hostel da rede Hostelling International. Sabíamos que ele ficava perto da rua “Libertad”, mas não tínhamos maiores informações. O jeito foi sair pergunto mesmo. Apesar da boa vontade dos peruanos em nos ajudar, rodamos uma hora e meia e nada de encontrar o hostel. Quando desistimos de procurar e decidimos nos instalar em qualquer outro lugar, nos deparamos com o tão procurado hostel. Acertamos todos os detalhes do check in e subimos para o quarto. Já eram 7h e o sono estava nos vencendo. Comemos uns sanduiches e caímos na cama. Depois de 22h de viagem, merecíamos uma caminha quentinha!
Gastos:
- Ônibus: R$45,00   - Janta: R$25,00  - Comidas no caminho: R$5,00 - Banho na rodoviária: R$5,00
Estatística:
- Distância: 58,57Km   - Tempo: 4h13min34”   - Média: 13,85Km/h
Condições da estrada:
- Ruins, o acostamento estava com muitas pedras, tivemos que transitar pela linha branca a maior parte do tempo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

88° Dia – Arica – 12/02/11 – Sábado

     Acordamos tranquilamente, tomamos nosso café e voltamos para o quarto. Enquanto a Cris foi dar uma descansada, fiquei elaborando o vídeo da nossa passagem pelo Chile. Assim que acabei, chamei-a para assistir.
     Em seguida, levantamos e nos arrumamos para darmos uma pedalada pela cidade. Saímos do hostel em direção às praias. Chegando na beira-mar, pudemos ratificar o que a Márcia (recepcionista do hostel) havia nos dito: a água está barrenta por causa da terra levada pelos rios que desembocam nas praias do centro. Sendo assim, continuamos pedalando em direção a uma praia mais ao sul, e que ficava afastada dos rios.
    Encontramos duas praias bem legais, uma com um mar mais forte e outra com uma enseada quase fechada, que parecia uma piscina. Vimos que amanhã poderemos passar o dia aproveitando estas duas praias. Depois de admirarmos um pouco e de tirarmos várias fotos, seguimos para o próximo destino: o Morro de Arica.
     Antes de subirmos o morro, paramos numas barraquinhas de comida em uma feirinha artesanal. Pegamos sucos, sucos com leite (batida), pizza e chaparrita. Depois de comermos, começamos a procurar o acesso ao morro. Encontramos o acesso para pedestres e lá fomos nós. Pena que era inviável pedalar, pois o início era uma escadaria e depois havia um pequeno caminho pavimentado com muita areia solta. Depois de uns 20min carregando e empurrando as bikes, tínhamos uma vista incrível de toda cidade e da imensidão do oceano.
     Lá de cima, vimos que havia um supermercado próximo do nosso hostel e da descida para carros. Como precisávamos comprar algumas coisas, decidimos descer pelo acesso de carros para aproveitar para poder descer sem carregar as bikes.
     Chegando no super, colocamos as bicicletas num bicicletário e fomos às compras. Aproveitamos que já estávamos lá, e compramos comida para o dia de amanhã (na praia) e para nossa pedalada rumo ao Peru, no dia seguinte. Pegamos até uma melancia inteira! Conseguimos acomodar tudo nas bikes e voltamos para o hostel.
     Assim que chegamos (lá pelas 21h), descarregamos tudo e deitamos um pouco para ver uma televisão e relaxar. Instantes depois, a Marcia bate na porta e nos dá uma ordem de despejo! Teríamos que sair do hostel até o meio-dia de amanhã, pois ela havia recebido uma reserva para, praticamente, todas as vagas (lembrando que fomos muito bem tratados e nos deixaram ficar duas noites sem pagar).
     Inicialmente ficamos meio perplexos, mas aos poucos fomos digerindo a notícia. O problema é que tínhamos uma melancia, oito bananas, cinco pêssegos, dois litros de iogurte e um litro e meio de suco para consumirmos até o café da manhã de amanhã. Sendo assim, peguei a nossa leiteira e coloquei uma banana picada, meio pacote de bolacha maria e um litro de iogurte para iniciar a janta. Depois disso, fomos comer a melancia. Abrimos a melancia e oferecemos para o pessoal, mas somente um casal aceitou. Desta maneira, entregamos para eles ¼ da melancia, a Cris comeu ¼ e eu comi a outra metade. Depois de matarmos nossa saudade de melancia, começamos a arrumar toda a bagunça. Aproximadamente às 2h, encerramos os trabalhos exaustos pela correria e fomos deitar.
Gastos:
- Almoço: R$22,30- Super: R$57,80

87° Dia – Iquique – Arica – 11/02/11 – Sexta-feira

     Hoje foi difícil acordar. Ontem à noite, fomos nos barzinhos que tem na beira-mar e acabamos entrando num muito engraçado. O bar não era bombástico, nem dos mais badalados, mas tinha uma pistinha de dança com frequentadores meio caricatos. Aproveitamos que ninguém nos conhecia e fizemos miséria na pista de dança: foi de salsa à samba enredo! Voltamos ao hostel às 3h para que conseguíssemos levantar até às 10h de hoje.
     Levantamos às 9h45min, tomamos nosso café, fizemos o check out e fomos para a rodoviária (pois o ônibus saía ao meio-dia). Quanto estávamos passando pelo centro da cidade, a Cris prendeu as duas rodas da bicicleta nos trilhos do bonde e teve uma queda espetacular (digna de Hollywood). Por sorte, o chão era de uma lajota bem lisa e ela não se machucou. Chegando na rodoviária, compramos as nossas passagens e aguardamos o horário para embarcar.
     Embarcamos assim que chegou o ônibus, surpreendentemente, sem muitos problemas para acomodar as bicicletas. A viagem foi tranquila e, mais uma vez, vimos que o caminho de bike seria complicado por existir pouquíssimos micros vilarejos até Arica.
      Chegando em Arica, procuramos o Hostel Doña Inês (no qual tínhamos feito reserva) para nos instalarmos. Depois de procurar um pouco, achamos o hostel. Fomos super bem recebidos pela atendente (que já nos deu várias dicas sobre a cidade), e levamos todas as nossas tralhas para o quarto. Depois de um belo banho, decidimos dar uma volta para conhecer a cidade.
      Pegamos um táxi coletivo, numa avenida próxima ao hostel, e fomos até o centro. Jantamos e, para nossa surpresa, nos deparamos novamente com o carnaval andino. Algumas “escolas” eram as mesmas que vimos em Iquique e outras eram diferentes. Depois de um tempo observando, continuamos a bater perna pelo centro. Encontramos uma feirinha bem legal de artesanato. Como já estava ficando tarde, pegamos um táxi de volta para o hostel para aproveitarmos que consigamos aproveitar o dia de amanhã.
Gastos:
- Hostel: R$8,00 (somente a reserva)   -Ônibus: R$48,00 - Bagagem extra: R$16,00 - Janta: R$24,00 - Taxi coletivo: R$7,20

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

86° DIA – Iquique – 10/02/2011 – Quinta-feira


     O Moacir acordou às 8h30min para se preparar para a entrevista com o pessoal do “O Viajante”, enquanto a bixo-do-mato aqui (que detesta câmeras) ficou dormindo. Depois da filmagem, ele foi me acordar e descemos para o café-da-manhã. Como havíamos nos programado para conhecer o centro histórico da cidade, tomamos o café e já começamos a nos arrumar para sair.
     Saímos caminhando pela beira da praia até uma rua fechada para pedestres (Peatonal Baquedano), onde se iniciava o centrinho histórico. Passamos por muitas casas antigas, bem características de zona portuária, pelo bonde, pela praça do relógio, pela praça de armas, pelos museus e pelas feiras artesanais. O centro é bem bonitinho, organizado, mas não possui grandes atrativos turísticos. Aproveitamos que já estávamos próximos à rodoviária e fomos ver os horários dos ônibus de amanhã para Arica. Ficamos tranquilos, pois todas as agências que faziam o translado levavam bicicletas (mediante pagamento de carga extra).
     Voltamos caminhando pelo centrinho e, aproveitamos para passar no supermercado para comprarmos o nosso almoço. Assim que chegamos nohostel, fomos cozinhar e atualizar o blog. Passamos o resto da tarde renomeando fotos, atualizando os relatos e falando com família e amigos. No início da noite, iniciamos os nossos preparativos para conhecer os bares da beira-mar que ficam na parte sul da cidade.
      Assim que jantamos, finalizamos os preparativos e fomos para a noite. Achávamos que os bares ficavam pertinho do hostel e fomos caminhando pelo calçadão. Passamos por muitos artistas de rua, pelo cassino, por um evento andino com banda tradicionalista e comida típica, e seguimos rumo à noite iquiqueña. Infelizmente, os bares não eram tão próximos quanto esperávamos e tivemos que caminhar muito. Já estávamos no meio de uma crise conjugal quando, finalmente, as luzes dos bares começaram a brilhar. Ficamos um pouco decepcionados na chegada, pois a maioria dos bares pareciam locais para happy hour, e não danceterias. Passamos pela frente de todos e, apesar da bela arquitetura de vários, nenhum nos chamava a atenção.
     Optamos por uma salsateca que não estava muito cheia, mas parecia divertida. Dançamos muito e voltamos para o hostel (de táxi coletivo) às 3h. Não quero nem ver como acordaremos amanhã!
Gastos:
-Hostel: R$40,00   - Noite: R$ 22,00 - Supermercado: R$8,40

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

85° Dia - Iquique - 09/02/11 - Quarta-feira

     Hoje estávamos decididos a conhecer a zona franca de Iquique. Acordamos às 9h30min, tomamos nosso café e partimos rumo ao "Mall Zofri" (maior centro comercial do local). Pegamos um taxi coletivo que nos deixou na porta! O local é, na verdade, inúmeras (muitas mesmo!) lojas que são cobertas por uma tenda gigantesca parecida com aquelas de circo. Nas proximidades, existe um setor pesqueiro que não deixa ninguém esquecer que está próximo do mar!
Picnic
     Batemos perna por todos os corredores lotados de lojinhas. Encontramos perfumes, pilhas, artesanato, panelas, eletrônicos e tudo mais que você possa imaginar! Realmente os preços são imbatíveis! Muitas coisas que nos faziam pensar: VOLTAREMOS AQUI!...rs.. A Cris comprou um perfume que estava procurando a tempos e compramos, ainda, algumas pilhas para nossos faróis. A maior compra que fizemos, foram duas máscaras gigantescas e muito legais. Ambas em madeira crua e com desenhos show de bola. Ficamos, durante muito tempo, em dúvida se deveríamos comprar, pois não sabíamos se teríamos condições de carregá-las. Como o preço estava muito bom, decidimos comprá-las e depois ver no que vai dar!
     Depois das compras e de almoçar por lá mesmo, voltamos para o hostel com um taxi coletivo. Chegando no hostel, embalamos as máscaras nos isolantes térmico (elas são maiores do que a largura dos dois isolantes lado a lado!) e só pretendemos tirá-las de lá para entregar para a mãe levar para o Brasil quando a encontrarmos em Cuzco! Depois da trabalheira, decidimos pegar uma praia, pois o tempo estava perfeito!
Vista da sacada do hostel
     Ficamos um tempo na praia curtindo o visual e arriscamos um banho no mar gelado (DELÍCIA!). Após relaxar bastante, a Cris deu a ideia de irmos no super para comprar os ingredientes para fazermos uns canapés com cerveja para assistirmos ao pôr-do-sol de um terracinho que tem no hostel. Saímos da praia, fomos no super e voltamos ao hostel para iniciar os preparativos. Infelizmente, assim que preparamos tudo, o terraço encheu de gente! Sendo assim, ficamos numa sacada embaixo do terraço. Pegamos a canga e montamos nosso picnic! Que delícia! Canapés, cerveja bem gelada, pôr-do-sol e uma companhia MARAVILHOSA! Não poderia pedir mais nada!
     Ficamos apreciando tudo até umas 21h, quando escureceu de vez. Descemos para cozinha, arrumamos tudo e fomos postar as novidades. Ficamos escrevendo, falando com o pessoal e degustando mais uma cerveja (Escudo) que estava descendo redondo. Enquanto escrevíamos, conhecemos dois brasileiros que também estavam postando sua viagem num blog. Durante o papo, descobrimos que se tratava do fundador do "O Viajante" e seu parceiro de viagem. Falamos sobre o nosso projeto e eles se interessaram em fazer uma gravação para o programa deles amanhã de manhã. Após conversarmos um pouco, acabarmos de postar e mandarmos as novidades para a nave mãe, fomos nos recolher, pois já era 1h30min e amanhã teremos mais um dia em Iquique!
Gastos:
- Hostel: R$40,00   - Taxi coletivo: R$8,00   - Perfume: R$8,00   - Máscaras: R$56,00   - Super: R$25,30   - Almoço: R$25,80

84° Dia – Iquique – 08/02/11 – Terça-feira

     O dia de hoje foi muito tranquilo. Acordamos umas 10h e, como estava nublado, fomos conhecer o “Mall las Americas”. Saímos caminhando do hostel e chegamos às 10h45min no mall, mas ele ainda estava fechado (abre às 11h). Portanto, aproveitamos o tempo livre para fazermos as compras para o almoço. Às 11h, deixamos as nossas compras separadas no supermercado, para pegar depois, e fomos conhecer o shopping. Ao entrar, percebemos que ele não era muito grande: possuía 2 andares e aproximadamente 30 lojas, sendo que duas delas eram lojas de departamento. Aproveitamos que as lojas estão em período de “rebajas” e compramos uma saia jeans para mim (por dezesseis Reais)! Demos mais algumas voltas para conhecer o shopping e voltamos ao mercado para pegar as compras.
     No caminho para o hostel pudemos perceber que, apesar da organização e estrutura da cidade, existe bastante pobreza e desigualdade social em Iquique. Ao lado de hotéis e cassinos luxuosos existem casebres de madeira compensada, praticamente desabando. Ao chegarmos no hostel, eu fui cozinhar e o Moacir foi atualizar o blog. Assim que almoçamos, descansamos um pouco e fomos aproveitar a bela tarde de sol na beira da praia.
     Ficamos curtindo o mar azul, a areia soltinha, as aves voando no horizonte e o céu azul até o anoitecer. Assim que o sol se pôs e o ventinho começou a soprar, voltamos ao hostel. Aproveitamos o tempo livre para falar com família e amigos no msn e colocar as nossas fotos nas postagens. Em seguida, jantamos o resto do almoço com uma garrafa de Sauvignon Blanco “Cosecha Tarapacá”. Nem preciso dizer que depois disso eu capotei e o Moacir teve que terminar de escrever as postagens atrasadas sozinho, né? Desculpa mãe, mas vinho chileno é uma dádiva divina, não tem como negar! E o dia foi finalizado com uma bela noite de sono!
Gastos:
- Hostel: R$40,00 - Compras shopping: R$16,00 - Supermercado: R$68,00

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

83° Dia – Chanavaya – Iquique – 07/02/11 – Segunda-feira

Barracas de veraneio na beira mar
     Hoje acordamos às 9h30min da manhã renovados! Dormimos um sono só esta noite. Ainda sentíamos um pouco das consequências das pedaladas de ontem, mas estávamos prontos para mais um dia de estrada. Levantamos, fizemos nossa higiene, saímos da hospedaje e fomos até um mercadinho para tomarmos nosso café. Comemos nossos sanduíches de ontem e pegamos uma água e um suco gelados para acompanhar. Depois de comer iniciamos nossa última pernada até Iquique. Assim que começamos a pedalar, pudemos ver o tamanho da duna que havíamos cruzado na noite anterior e, também, as diversas barracas na beira da praia.
     O início da pedalada foi bem tranquilo, com bastante terreno plano, com subidas curtas e íngremes e descidas pouco íngremes e longas para compensar, além de um vento que nos ajudava. Com todos estes fatores a favor, fizemos nossa primeira parada somente aos 50km de viagem. Comemos algo, tomamos uma água e seguimos pedalando.
Sempre Coca-Cola
     Ao se aproximar de Iquique, o vento virou e começamos a pegar algumas subidas mais difíceis, mas nada que abalasse nossa moral. Afinal de contas, estávamos chegando numa praia com um dia de antecedência! Ao avistarmos os prédios, relaxamos um pouco e percebemos que ainda conseguiríamos aproveitar o dia para conhecer a cidade.
     Chegando na cidade, nos dirigimos para o hostel da rede Hostelling International. Instalamo-nos, tomamos um banho (estávamos sedentos por um bom banho gelado!) e já fomos bater perna pelo calçadão. Notamos que um carabinero estava fechando o trânsito na beira mar e perguntamos se haveria algum evento. Ele respondeu que estava acontecendo o Carnaval Andino e que daqui uma hora (às 21h) começaria o desfile. Aproveitamos esta hora para pegar umas empanadas, admirar um pôr-do-sol alucinante e dar uma caminhada pelo calçadão.
     Quando vimos que se aproximava da hora de início do desfile, nos dirigimos para o local. Estava cheio de gente, as arquibancadas montadas lotadas e nos sobrou apenas o meio fio do canteiro central da avenida. Sentamo-nos e esperamos começar o espetáculo. Enquanto aguardávamos pudemos notar que os “Iquiquenses” adoram brincar de se tocar neve artificial (espuma em lata – aquelas que se vende em eventos). Eles não paravam de brincar com aquilo, mas, por sorte, os mais alucinados estavam do outro lado da rua.
Pôr-do-sol na praia de Cavancha em Iquique
     O desfile começou e pudemos observar a diferença da nossa cultura para a deles. Não existia mulheres seminuas desfilando com os corpos apenas pintados, mas sim um desfile onde estava sendo demonstrada a cultura dos povos que ali passavam. Para o nosso azar, uma “escola” atrasou um pouco e neste momento a alucinação pela neve artificial aumentou e veio para o nosso lado. Sendo assim, decidimos sair dali e dar mais uma volta pelo calçadão.
     Fomos até uma barraquinha que vendia sucos naturais e pegamos dois copos: um de melancia e outro de morango com banana. Ambos uma delícia! O suco abriu o apetite e fomos comer algo.
Carnaval Andino
     Peguei (Moacir) um salchipão como entrada e depois pegamos um completo cada um. A Cris começou a sentir uma dorzinha incomodativa no tornozelo e no joelho, por isso voltamos para o hostel. Aproveitamos para entrar na internet e ver as novidades. Enquanto um entra na internet, o outro vai escrevendo este relato. Assim que acabarmos, vamos descansar, pois o corpo está pedindo uma folga!
Gastos:
- Hostel: R$40,00 - Café da manhã: R$10,00 - Sucos: R$8,00 - Janta: R$8,00 - Empanadas: R$6,00
Estatística:
- Distância: 81,46Km - Tempo: 04h11min50” - Média: 19,41Km/h
Condições da estrada:
- Muito boas, porém com um acostamento só de britas em certos momentos.

82° Dia – Tocopilla – Caleta Chanavaya – 06/02/11 – Domingo

Saindo de Tocopilla
     Ontem não conseguimos ir dormir cedo. Ficamos escrevendo e postando alguns relatos atrasados, viajando nas oportunidades que estão surgindo e arrumando tudo para hoje. Acordamos às 9h30min, tomamos nosso café (onde aproveitamos e fizemos os sanduíches para o dia) e começamos nossas pedaladas. Antes de ir para estrada, tivemos que passar num posto de gasolina e encher o tanque (garrafinha do fogareiro), pois já estava na reserva.
   Saindo do posto, nos dirigimos para beira da praia e pegamos a Ruta 1 em direção à Iquique. Era meio-dia, o sol estava escaldante e, já na primeira subidinha, destilávamos! Mesmo com esse calor todo, a brisa que vem do mar ajuda bastante, deixando um ambiente bem melhor do que a secura que foram os últimos dias de pedal rumo ao litoral. Hoje, nos sentíamos muito bem, conseguíamos respirar maravilhosamente estando ao nível do mar novamente (acreditamos que os “treininhos” de subida na altitude nos deixaram em boa forma..rs..). A estrada vai serpenteando, literalmente, entre os morros da cordilheira da costa e o mar! Muitas e muitas vezes, ficávamos no único espaço possível entre aquele paredão à nossa direita e as ondas do oceano Pacífico à nossa esquerda.
Acampamento ao fundo
     Saímos de Tocopilla sem paradeiro, pois não sabíamos a real dificuldade do dia de hoje e, com isso, não fizemos nenhuma previsão de quilometragem. Tínhamos feito uma pesquisa no google maps para ver onde existem povoados e possíveis hospedagens, mas nada confirmado. Assim que fomos nos afastando de Tocopilla, começamos a ver inúmeras barracas na beira da praia (de todos os tipos: das mais simples às com banheiro químico e tudo). Achamos meio estranho e ficamos na dúvida se o pessoal passava o dia, o fim de semana ou o veraneio todo acampado.
      Depois de uns 85Km de pedal, chegamos na aduana da 1ª Região aproximadamente às 17h30min. A fronteira da 1ª e 2ª Regiões é marcada pelo encontro do Rio Loa (principal Rio do deserto, que atualmente está muito seco devido às mineradoras) com o mar. Existia um restaurante, banheiros, um botequim e um posto dos carabineiros (acreditamos que foram um pouco infelizes em batizar os banheiros de “baños públicos El Loa”, com esse nome nem precisamos dizer para onde vai tudo!). Como ainda era cedo e só havia água gelada na ducha da habitación que o restaurante alugava, tomamos uma Pepsi e pegamos um mote com huesillos (FINALMENTE! Queria comer já faz um tempo, mas não achava! É tipo um milho de canjica com um suco parecido com guaraná e pêssego meio desidratado) e continuamos o nosso caminho. Antes de sair, informamo-nos a respeito de hospedagens e a atendente (muito sem saco!) nos disse que havia uma no próximo povoado que ficaria uns 10km à frente.
Caleta de pescadores
     Subimos nas bikes e fomos para estrada novamente. Pedalamos uns 15Km até chegar na entrada do tal povoado. Antes de entrarmos, perguntamos para um casal que estava na parada de ônibus sobre hosterias, hospedajes, arriendo de camas. Eles disseram que não existia nada disso ali, somente em San Marcos que ficava mais 10Km em direção à Iquique. Sendo assim, lá fomos nós novamente. Por sorte, o vento estava soprando a nosso favor e conseguíamos manter uma boa média de velocidade.
     Depois de pedalar uns 22Km (o pessoal daqui não é muito bom com distância..rs..), avistamos uma placa de pousada a venda. Chamamos, batemos palma, olhamos em volta e NADA! Sendo assim, andamos mais um pouco até um armazém. Antes de chegar no armazém, olhei (Moacir) para trás e vi um pôr-do-sol incrível. Fomos obrigados a parar e registrar o momento. Continuando nossa busca, perguntei no armazém sobre “posadas” e a primeira coisa que escutei foi “Por que não acampam na praia? Não tem barraca? Aqui é bem seguro!”. Depois de explicar que queríamos um lugar onde pudéssemos tomar banho, recebi a indicação de Rio Seco, um povoado seguinte, onde talvez houvesse alguma coisa do tipo.
Rio Loa
     Saindo do povoado, percebemos que já era 20h30min, estava escurecendo e ligamos nossas luzes traseiras. Andamos mais uns 3Km e escureceu de vez, sendo assim, tivemos que dar uma parada para ligar os faróis. O farol da Cris, não sabemos por qual motivo, não ligava de jeito nenhum! Colocamos pilhas novas e nada. Por sorte, trouxe um farol reserva e este funcionou perfeitamente. Após a função toda, seguimos naquela escuridão até Rio Seco.
     Assim que chegamos ao povoado, perguntamos para uns moradores se havia habitación ou camas para arrendar. Eles nos indicaram um restaurante mais a frente. Chegando no tal restaurante, ele estava “cerrado”! Uma casa ao lado estava com as luzes acesas e fui perguntar, mais uma vez, se alguém sabia onde poderíamos passar a noite. Novamente recebi a indicação de montar uma barraca na praia, mas após explicar, ela se prontificou a falar com a vizinha. Depois de conversarem meio que aos berros (uma na frente do restaurante e uma nos fundos), recebemos a resposta negativa. Decidimos respirar fundo, comer algo e nos prepararmos para o que viesse, pois, na pior das hipóteses, viraríamos a noite até encontrar algo ou até chegar em Iquique (de Tocopilla a Iquique são 230Km)!
Montanhas e mar
     Enquanto comíamos, a mulher veio falar conosco e disse que num próximo povoado (não entendemos o nome) havia um restaurante e talvez tivesse alguma hosteria. Mais uma vez lá fomos nós cheios de esperança! Começamos a pedalar e avistamos alguns veículos numa altitude muito maior que a nossa e descendo em nossa direção. Logo, deduzimos: vamos subir! Não deu outra, depois de uns 5min começamos uma subida um pouco íngreme e contínua. Enquanto subíamos, estávamos suando muito (a noite estava bem quente) e não tínhamos a mínima ideia de quanto faltava, pois não enxergávamos nada além dos nossos faróis!!! (muito obrigado Arco e Flecha!)
    Depois de muito suar, vimos uma tão esperada placa que indicava que a descida estava prestes a começar. Não parávamos de descer e conseguíamos ver algumas luzes à nossa esquerda, sendo que torcíamos para que fosse o tal restaurante. No final da descida, confirmamos que era o restaurante e paramos para pedir informação.
Pôr-do-sol em San Marcos
      Disseram que havia uma “hospedaje” na caleta (vilinha de pescadores, povoado). Fomos em direção ao que pensávamos ser a caleta e assim que chegamos perto vimos que eram mais barracas na beira da praia. Quando paramos para voltar ao restaurante perguntar onde era a caleta, a Cris teve a brilhante ideia de primeiro jantarmos e só depois irmos em busca de um teto. Estacionamos nossas bikes e nos sentamos para cenar, já era 23h30min. Pedimos umas bistecas e um pescado frito, tudo acompanhado com arroz e salada. Comemos com bastante calma e ficamos vendo uma televisão. Já planejávamos pedir para dormir dentro do restaurante caso não existisse algum tipo de hospedagem na caleta, pois o restaurante fechava às 2h e abria às 7h. Depois de viajar bastante em todas as possibilidades e surpresas que este dia nos reservara, pagamos a conta, perguntamos como se chegava na caleta e fomos adiante.
Cris na sua estréia noturna
     Pegamos um caminho de asfalto com algumas luzes ao seu final. Conforme descíamos, as luzes foram aumentando e, para nossa surpresa, eram mais barracas!!! O pessoal acampando com tudo que tem direito (de gerador à casinha para necessidades!). Seguimos em frente e começamos a ver algumas casas. Como já era 1h30min, torcíamos para que existisse alguém na rua para perguntarmos onde era a tal “hospedaje”. Ao chegar no centrinho, vimos um mercadinho e fomos questionar se sabiam onde era. A senhora, muito simpática, disse que sim e que devíamos acompanhá-la.
     Ao entrar na rua, ela disse que era numa casa de dois andares, mas todas as luzes já estavam apagadas. De uma forma sorridente ela disse que tentaria chamá-los para que nos atendessem. Depois de alguns chamados, ouvimos uma resposta lá de dentro e comemoramos (por dentro) pelas chances de termos um teto estarem aumentando. Assim que a dona da casa saiu, ainda de pijama e roupão, disse que existia um quarto em que poderíamos ficar.
A tão esperada descida final!
     Após ela nos mostrar as instalações, fomos tomar um banho gelado, pois não tinha água quente. Em seguida, demos uma alongada e arrumamos tudo para dormir. Com banho gelado e tudo, comemoramos ter encontrado onde passar a noite, tomar um banho e deitar numa cama, que por sinal era muito boa! Aproximadamente às 2h apagamos! Hoje foi o dia em que percorremos a maior quilometragem e pedalamos durante mais tempo em toda a expedição.
Obs: Eles realmente passam o verão acampados na beira da praia. Eles montam uma mega infraestrutura com gerador, barraca para banheiro, e barracas imensas e desfrutam suas férias desta maneira. Agora entendemos algumas placas que tínhamos visto em outras praias com os dizeres de “Proibido acampar”.
Gastos:
- Quarto: R$40,00 - Janta: R$33,20 - Mote com huesillos e Pepsi: R$7,20 - Gasolina: R$1,20 - Água: R$3,00
Estatísticas:
- Distância:156,23 Km - Tempo: 9h06min55” - Média: 17,27Km/h
Condições da estrada:
- Muito Boas, com poucos momentos com o asfalto irregular e acostamento estreito ou esburacado.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

81° Dia – Tocopilla - 05/02/11 – Sábado

     Começamos o nosso dia de folga com um belo café da manhã, seguido de um descanso no quarto enquanto esperávamos o sol baixar um pouco. No meio da tarde decidimos sair para conhecer as praias da cidade.
     Pegamos um taxi coletivo que nos levou até a praia artificial de Tocopilla. A qual se chamava artificial pela presença de uma muralha de pedras que servia como barreira para as bravas ondas do Pacífico que invadiam a orla. Ficamos umas 2 horas nesta praia, aproveitamos as suas águas cristalinas e o mar calminho. Em seguida, nos dirigimos para a praia ao lado que o pessoal chama de Balneário. É uma praia onde o pessoal construiu um muro a uns 20 metros da orla e transformou a beira da praia numa verdadeira piscina. No canto próximo ao muro existe um lugar onde o pessoal aproveita o local para saltar na água (show de bola!).
     Depois de tanta água, a fome veio. Sendo assim, sentamos num barzinho e pedimos um barros luco (pão, bife e queijo) com um chopp. Degustamos as tradições locais enquanto admirávamos aquele visual diferenciado (as montanhas desérticas quase dentro do mar). Assim que terminamos, pegamos um taxi coletivo novamente e paramos no super para comprar o que faltava para o dia de amanhã.
     Chegando no hostel, colocamos os relatos em dia e começamos a preparar nossa janta (massa com galinha). Depois de jantarmos fomos arrumar tudo para amanhã e agora estamos escrevendo este relato antes de nos deitarmos.
Gastos:
- Hostel: R$70,00 - Barros luco com chopp: R$10,00 - Super: R$24,50

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

80° Dia – María Elena – Tocopilla – 04/02/11 – Sexta-feira

     Hoje acordamos às 10h e começamos a preparar tudo para a partida. Sabíamos que o trecho de hoje seria curto, mas difícil. Assim que entramos na estrada, nos deparamos com 8Km de chão batido. Depois de muitas sacudidas, chegamos na Ruta B-24 e, apesar desta não ter acostamento, a pedalada começou a render muito mais.
     Ficamos felizes ao olhar ao redor e perceber que a subida não seria muito íngreme. Entretanto, depois de 50Km de subida, mudamos de opinião. O calor do deserto nos consumia, o vento nos segurava e a paisagem não variava, era somente areia e montanha para todos os lados. Estávamos exaustos! Felizmente, depois de uma curva entre as montanhas tivemos o nosso descanso merecido: os últimos 20Km eram de descida ininterrupta até a beira da praia (literalmente). Pedalamos 4h no dia de hoje: 3h20min de subida e 40min de descida. Foi cansativo, mas valeu a pena, finalmente voltamos ao litoral.
     Chegando na cidade nos assustamos um pouco, pois Tocopilla parece uma vilinha de pescadores em grande escala. Imaginamos que novamente ficaríamos sem ter onde dormir. Pedalamos pela avenida principal e paramos em um posto de gasolina a fim de nos informarmos sobre as hospedagens. O frentista nos indicou um hostal próximo de onde estávamos e nos dirigimos direto pra lá. No caminho, nos perdemos um pouco (porque todas as ruas parecem iguais aqui), perguntamos mais algumas vezes até que chegamos no hostal Puerto Caliche. Tivemos mais uma surpresa positiva quando chegamos, o hostal parecia um hotel: enorme, com uma fachada muito bonita e, aparentemente, novo e organizado. Assim que nos instalamos, pudemos comprovar que a qualidade do hostal era excelente mesmo.
     Tomamos banho e fomos conhecer a cidade. Como a praia própria para banho ficava um pouco longe do hostal, decidimos só andar um pouco pela orla, conhecer o porto, o mercado público e o centro da cidade. Amanhã iremos conhecer o balneário! O centro da cidade é bem organizado, apesar de simples. As ruas possuem jardins bem cuidados e a presença das montanhas junto à costa dão um toque especial à paisagem.
     Depois do passeio, passamos no supermercado para comprarmos a nossa janta e voltamos para o hostal. Agora estamos escrevendo o relato do dia e, em seguida, vamos descansar para amanhã pudermos aproveitar o dia de folga!
Gastos:
- Hostel: R$70,00 – Supermercado: R$44,90
Estatística:
- Distância: 69,83Km - Tempo: 04h17min40” - Média: 16,26Km/h
Condições da estrada:
- Boas, apesar de alguns trechos sem acostamento.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

79° Dia - Calama - Maria Elena - 03/02/11 - Quinta-feira

     Hoje sim. Acordamos às 9h, tomamos nosso café com um xis de frango e lá fomos nós em direção ao litoral. Saindo da cidade já pegamos uma longa subida. Suávamos muito! O sol estava meio escondido no meio das nuvens, mas o calor estava muito intenso. Assim que pedalamos uns 15Km, chegamos no vilarejo de Chuquicamata. Aproveitamos o oásis e paramos num posto de gasolina para comprar uma água bem gelada e comermos algo.
     Saindo do posto, chegamos numa subida mais íngrime e cheia de curvas. Subíamos muito devagar devido ao peso das bikes e à altitude. Chegamos à 3.150m de altitude! Depois de muito subir e uma parada para repor as energias e o ânimo, chegamos num plano em cima das montanhas. No final deste plano havia mais uma subida. Quando começamos a subir, avistamos a tão esperada placa indicando descida. Nem acreditávamos que, finalmente, desceríamos tudo aquilo que havíamos subido!
     Começamos a descer e não paramos mais. Foram uns 30Km de descida! No início um pouco de curvas e depois uma reta interminável. Parecia que em breve ficaria plano, mas nunca ficava. GRAÇAS A DEUS!!! Conseguimos aproveitar bastante essa descida para descansarmos.
     Quando a descida acabou, o vento contra começou a importunar nossas vidas. Dificultava um pouco nosso deslocamente e tivemos que fazer uma parada no entroncamento da estrada em que estávamos com a Ruta 5. Sabíamos que agora faltava pouco para chegarmos. Uns 5min depois de chegarmos neste entroncamento, um cara com um carro e um reboque. De repente ele começou a montar um gerador e abriu uma barraquinha que vendia empanadas, água, refri e tudo mais. Pena que chegamos antes que ele e ele ainda não estava vendendo nada. Perguntamos pra ele se faltava muito para Maria Elena e ele nos disse que era uns 14Km e nos indicou o caminho. Neste cruzamento observamos, como em diversos pontos na estrada, um hábito diferente: eles confeccionam "capelinhas" na beira da estrada em memória a entes queridos que faleceram.
     Pegamos a estrada novamente e vimos que o vento estava muito mais forte do que antes. Éramos levados para a estrada a cada rajada mais forte. O pior é que depois de 8Km tivemos que dobrar no acesso à cidade e começamos a encarar o vento de frente! Andávamos muito devagar e fazendo muita força. Tivemos que parar algumas vezes para descansar e até tivemos que empurrar as bikes por um tempo, pois o vento estava imbatível.
     Depois de alguns momentos de sofrimento, chegamos na cidade. Ficamos meio assustados com o que encontramos (pois no site da prefeitura dizia que era um pólo turístico). A cidade parecia meio fantasma e, depois de penar um pouco, encontramos onde ficar (a maioria dos residenciais são só para trabalhadores). Assim que nos instalamos, fui tomar banho para sair e comprar nossa janta, café da manhã de amanhã e água e demais mantimentos para amanhã. Jantamos três completos e sanduíches de queijo que haviam sobrado de hoje com refri, água e achocolatado. Por sorte, o quarto era para seis pessoas (três  beliches), então era grande e sobrou espaço para colocarmos as bikes dentro e não precisamos desmontá-las (tirar alforges, bolsa de guidão, faróis, etc.). Sendo assim, já ficou quase tudo pronto para amanhã.
Gastos:
- Água: 6,80   - Residencial: R$40,00   - Janta, café e mantimentos: R$26,40
Estatísticas:
- Distância: 107,1Km   - Tempo: 6H53min44"   - Média: 15,53Km/h
Condições da estrada:
- Boas, com certos momentos em que o acostamento estava muito bom.

78° Dia - Calama - 02/02/11 - Quarta-feira

     Hoje iríamos para Maria Elena, mas a Cris acordou com muitas cólicas e decidimos ficar mais um dia em Calama. Tiramos o dia para descansar e atualizar o blog. Depois de passarmos o dia todo dentro do quarto, fomos dar uma volta pela cidade para jantarmos. Paramos num restaurante e pegamos um combo com um frango assado, batata frita, 1,5l de refrigerante e três copas de helado. Assim que matamos a fome (ainda sobrou meio peito de frango para fazermos um xis no café da manhã), voltamos ao hostal para nos preparamos para amanhã. Assim que chegamos, vimos que o Grêmio ganhou e estamos ansiosos para ver se teremos como ir em algum jogo da Libertadores!
Gastos:
- Hostal: R$64,00   - Janta: R$30,00

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

77° Dia - Calama - 01/02/11 - Terça-feira

     Hoje acordamos sentindo os esforços de ontem: meus joelhos e garganta doiam e nós dois estávamos com muita fadiga muscular ("pernas pesadas"). Sendo assim, decidimos ficar mais um dia em Calama e aproveitarmos para atualizar os blogs e conhecer a cidade.
     Ficamos organizando fotos, vídeos e relatos da expedição até o início da tarde. Às 13h a Raquel da Rádio Gaúcha nos ligou para conversarmos sobre a dica de viagem que daremos para o programa "Super Sábado" que irá ao ar dia 05/02. Depois da ligação, saímos para conhecer Calama.
     Segundo o que pesquisamos na internet e nos disseram os senhores que nos deram carona ontem, os principais pontos turísticos da cidade são: o shopping mall, o passeo Ramirez, o Cristo do Deserto (uma estátua de Cristo posicionada na entrada da cidade), o rio Loa (rio de grande volume que ocrta o deserto) e o cassino. Como ontem passamos pelo Cristo e pelo rio Loa, aproveitamos o dia de hoje para conhecer o centro da cidade, passeo Ramirez e o shopping mall.
     A cidade não possui muitos atrativos, visto que é uma cidade dormitório para os trabalhadores das centenas de minas que existem ao seu redor. Do centro, é possível avistar as máquinas trabalhando e as refinarias exalando fumaça. Durante o passeio pelo centro, paramos em uma padaria onde compramos empanada de queijo e chaparrita (tipo um cachorro folhado, mas com presunto, queijo e tomate). Perguntamos para a atendente da padaria se o shopping ficava muito longe do centro, enquanto ela nos explicava o caminho um outro cliente nos ofereceu carona. Como já aprendemos a confiar na boa vontade alheia, aceitamos!
     O senhor que nos deu a carona era um mineiro (trabalhava com fundição do cobre). Ele nos contou que as minas atualmente são operadas por máquinas e os homens não precisam mais fazer força como antigamente. E nós que imaginávamos todos os operários descendo as minas com suas machadinhas nas costas.
     Chegando no Shopping Mall, ficamos impressionados com o preço das roupas e sapatos. Com R$60,00, compramos um tênis e dois blusões de fleece. Depois de conhecer suas instalações e fazer estas comprinhas, entremos no supermercado do shopping e compramos mantimentos para a viagem de amanhã. Aproveitamos para jantar no restaurante que tem dentro do supermercado, pois é bom e mais barato que os demais. Voltamos para o hostal em um taxi coletivo.
     Chegando ao hostal, fomos tomar banho e falar com o pessoal no MSN. Agora estou escrevendo o relato do dia e o Moacir está postando no blog. Depois iremos organizar tudo para amanhã e dormir. Amanhã será mais um dia de subida dura.
Gastos:
- Hostal: R$64,00   - Janta: R$19,00   - Tênis: R$28,00   - Lanche: R$8,00   - Super: R$43,20   - Farmácia: R$7,00

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

76° Dia - San Pedro de Atacama - Calama - 31/01/11 - Segunda-feira

Primeira subida do dia
     Ontem à noite deixamos tudo organizado para nossa partida de hoje. Havíamos nos preparado para sair cedo, visto que o dia de hoje prometia 40Km de subida e 60Km entre descida e plano. O combinado era acordar cedo para aproveitar ao máximo o sol fraco do amanhecer.
     Acordamos às 5h30min, mas estava muito frio. Enquanto tomávamos nosso café da manhã, percebemos que seria pior respirar o ar gelado do início da manhã do que aguentar o calor da tarde. Desta maneira, terminamos nosso café e deitamos um pouco mais para descansar.
     Levantamos às 9h e preparamos as bikes para a partida. Compramos mais água (pois a previsão era de ter pouco comércio na estrada) e, às 10h, caimos na estrada. O início já foi para nos testar, subimos uns em 100m em dois quilômetros e um elo da correia da bike do Moacir entortou. Consertamos a correia e seguimos uns 14Km acima. Quando surgiu a primeira descida do dia, o pneu traseiro do Moacir furou. Respiramos fundo, trocamos a câmara e seguimos.
Vista do Valle de la Luna
     Pedalamos mais 25Km montanha acima (1000m de desnível, sendo que na cordilheira dos Andes tivemos que pedalar 80Km para subirmos este mesmo desnível) até que iniciou a descida. Os primeiros 10Km foram perfeitos: descida levemente íngrime e contínua, excelente para não termos que pedalar ou frear. Como nem tudo é perfeito, nos 25Km seguintes tivemos que enfrentar um terreno plano com muito vento contra. Chegou ao extremo de um mini ciclone e me derrubar para fora do acostamento. Felizmente não cheguei a me machucar, mas o desânimo aumentava a cada pequeno problema que surgia a nossa frente.
Para cima e avante!
     A esta altura, já estávamos com dificuldades para respirar e com dor de cabeça devido à altitude. Além disso, tínhamos coágulos de sangue nas narinas e dor de garganta devido ao clima seco. Mesmo assim não desistíamos (SOMOS BRASILEIROS E NÃO DESISTIMOS NUNCA!), até porque não tínhamos outra opção (não vimos sequer uma vendinha no caminho e as tempestades de areia não permitiriam que acampássemos). Foi ai que Deus apontou o dedo na nossa direção e colocou dos gentis senhores chilenos (obrigado Sr. Juan Castiglione e amigo) no nosso caminho. Eles estavam em uma caminhonete e pararam no acostamento para nos oferecer carona. Aceitamos prontamente, visto que, naquele ritmo, chegaríamos só às 22h30min em Calama.
Juan e amigo
     O caminho foi muito agradável, eles nos deram várias dicas sobre os futuros destinos e nos contaram sobre o seu passado como mochileiros. Chegamos em Calama e fomos direto para o hostel que havíamos procurado no Google. Instalamo-nos, saímos para jantar e voltamos para dormir cedo. Não sabemos se amanhã teremos condições de fazer mais 100Km até Maria Elena, quando acordarmos decidiremos.
Gastos:
- Água: R$6,40   - Hostal: R$64,00   - Janta: R$45,00
Estatísticas:
- Distância: 76,02Km   - Tempo: 6h12min59"   - Média: 12,22Km/h
Condições da estrada:
- Início ruim, pois estava em reforma e depois ficou bom, mas com algumas pedras soltas e areia.
Hoje foi o dia em que pedalamos na maior altitude até agora (uns 3.350m).

75° Dia – San Pedro de Atacama – 30/01/11 – Domingo

     Ontem colocamos o celular para despertar às 3h20min, pois a van passaria para nos pegar entre 4h e 4h30min. Assim que o celular tocou, levantamos e começamos a nos arrumar. Ao entrar no banheiro para me escovar (Moacir), olhei para o relógio e vi marcar 4:25. Pensei que havia acionado o cronômetro e mexi para ver se conseguia ver que horas era. Ao confirmar que era 4h25min assustei-me e saí correndo do banheiro para chamar a Cris no banheiro feminino.
Geisers El Tatio
     Chamei-a e ela levou um susto. Assim que ela foi se arrumar, fui correndo para a frente do hostal para ver se a van estava nos esperando. Naõ havia nada na rua, então voltei para o quarto e acabei de me arrumar rapidamente e voltei para frente do hostal. Assim que abri a porta, a van apareceu para nos pegar. Coloquei o que carregava dentro da van e fui chamar a Cris. Quando entrei no hostal, ela estava vindo correndo com o resto das nossas coisas. Entramos aliviados na van e lembramos que não deu tempo de fazer nossa higiene, nem lavar o rosto! Passamos em outros locais para apanhar mais passageiros e começamos a viagem para as alturas, pois os geisers ficam a 4.200m de altitude.
Geisers El Tatio
     O motorista/guia se apresentou e disse que era bom dormirmos para não sentirmos muito o efeito da altitude, porém, devido à descarga de adrenalina, não conseguíamos nem fechar os olhos. Conforme andávamos, sentíamos a clássica pressão nos ouvidos. Assim que chegamos aos Geisers El Tatio, desembarcamos na sede do parque para irmos ao banheiro. Ao colocarmos o pé fora da van sentimos a friaca que estava. Em seguida continuamos mais um pouco e chegamos ao campo geotérmico (onde ficam os inúmeros geisers). Desembarcamos e fomos conhecer os geisers. Ver aquela água e vapor saindo da terra entre 80°C e 300°C de temperatura, enquanto estava -4°C, era algo absurdo. NUNCA HAVÍAMOS VISTO ALGO PARECIDO! O campo geotérmico era rodeado por cumes altíssimos que se encontravam com neve. Depois de alguns instantes ainda fomos agraciados com o nascer do sol naquele lugar maravilhoso.
Poço 3 - Piscina termal
     Ao pagarmos o passeio, haviam nos dito para não tomar café da manhã pois teria desayuno nos geiseres. Sendo assim, depois de uns 30min andando entre os geisers, voltamos à van para comermos algo. Ao abrir um iogurte, ele explodiu. Achamos estranho, mas depois observamos que todos estavam "estufados" (depois ficamos sabendo que eles estavam assim por causa da expansão do ar devido à altitude). Ficamos ali comendo e conversando com o guia e demais passageiros do tour.
     Assim que acabamos, nos dirigimos ao Poço 3. O Poço 3 é uma piscina natural que tem a água quente. Trocamos de roupa rapidamente e pulamos naquela água morna. Era uma delícia estar imerso naquela água quentinha enquanto fora estava uma friaca. Ficamos andando pela piscina e descobrimos alguns lugares que chegavam a queimar os pés de tão quente que a água estava. Depois de uns 30min relaxando, tivemos que sair para continuarmos o passeio. A saída da águas foi um pouco sofrida, mas acho q nunca nos vestimos tão rápido...hehe...
Caminho a Machuca
      O último destino do tour era o povoado de "Machuca". Um pequeno vilarejo que possui apenas sete moradores, porém tem umas vinte casas. No caminho até Machuca, passamos por muitos lugares bonitos. Paramos na beira de um rio onde flamingos se alimentavam e ao fundo existia uma montanha com neve no cume. O reflexo da montanha no rio proporcionava um espetáculo a parte! Após ficarmos um tempo pasmos com a paisagem, continuamos nossa viagem. Chegando no povoado, vimos um lugar muito simples, com casas de barro e telhado de palha e uma pequena igreja. Os habitantes vendem empanadas, churrasquinho de lhama e ervas para chá, também deixam tirar fotos com uma lhaminha por 1.000 pesos (R$4,00). Ao passearmos pela vila, enncontramos dois cachorrinhos muito legais.
Pessoal do tour aos geisers
      Após passarmos por todo povoado, embarcamos novamente na van e fomos rumo à San Pedro. No caminho passamos por vários vales com água, bastante vegetação rasteira e váris lhamas pastando. O guia nos contou que cada lhama defeca sempre num mesmo  lugar e, que quando uma delas morre, todas defecam emcima dela. Durante o trajeto também passamos por algumas emas no caminho. Chegando em San Pedro fomos almoçar num restaurantezinho próximo ao hostal. Provamos o "Limón Soda" (refrigerante de limão), mas também não foi aprovado. Depois de comermos, fomos ao hostal. A Cris foi dar uma deitada e fiquei verificando os nossos próximos destinos (quilometragem, altimetria e pontos de apoio). Após um tempo, o cansaço tomou conta e fui deitar com ela. Lá pelas 18h a Cris levantou e preparou nosso café da tarde (durazno, plátano e naranja picadinhos e bem gelados). Assim que acabamos de comer, fomos nos mercadinhos da cidade para nos abastecer para o dia de amanhã. Chegando de volta ao hostal fizemos nossa janta (400g de massa com um pacote de salsicha e molho vermelho com creme de leite).
Povoado de Machuca
     Depois de jantarmos, demos uma passeada pela cidade. O centrinho possui uma iluminação bem legal. A cidade é cheia de lojinhas de artesanato (não nos aguentamos e compramos uma lembrancinha) e restaurantes. Fomos até a praça central e à igreja. Depois de darmos esta caminhada, voltamos ao hostal para finalizarmos a arrumação das nossas coisas e dormirmos, pois amanhã será um dia duro.
Gastos:
- Hostal: R$64,00   - Passeio: R$132,00   - Almoço: R$25,60   - Mercado: R$35,20