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quinta-feira, 22 de março de 2012

482° Dia – Santos – Paranaguá – Ilha do Mel – 12/03/2012 – Segunda-feira


Após a viagem que durou a noite inteira, chegamos a Paranaguá. Como desembarcamos antes do previsto, fomos diretamente ao Hostel Continente para nos informarmos a respeito da ida para a Ilha do Mel. Assim que chegamos fomos super bem recebidos pelo pessoal da recepção. Prontamente, eles nos disponibilizaram diversas informações e guardaram as nossas bikes enquanto fomos dar um passeio pela cidade.
Paranaguá é uma cidade antiga, cheia de prédios bem conservados e de histórias. Adoramos caminhar pelas suas ruas de paralelepípedo, tomar café na cafeteria da praça (e um suco delicioso) e passear pela sua orla. Em torno das 8h30min, voltamos ao hostel a fim de pegarmos as bicicletas, passarmos no supermercado (dizem que a comida é caríssima na Ilha do Mel) e embarcarmos. Agradecemos a ajuda de todos e lá fomos nós rumo à ilha. A viagem durou uma hora e meia, e teve muitas surpresas. Até golfinhos vimos no final do percurso.
Logo que desembarcamos na Ilha do Mel, fomos procurar o Hostel Marimar. Mais uma vez, fomos muito bem atendidos, o Donizete, a Zuma e a Cecília nos ofereceram gratuitamente três noites e ainda nos deram muitas informações sobre a região. Após nos instalarmos, aproveitamos que o dia estava lindo e fomos conhecer o farol (um dos principais pontos turísticos da ilha). Caminhamos até a praia do farol, fizemos a trilha e chegamos até o topo do monte onde ele se encontra. Realmente, o local faz jus a sua fama, ficamos impressionados com a paisagem.
Quando começou a anoitecer, voltamos para a praia, tomamos um banho de mar, passeamos pela vila e retornamos ao hostel. O restante da noite foi de preguiça, pois estávamos exaustos do dia de turistas.

Gastos
- Barco: R$30,00   - Café da manhã: R$5,80    - Supermercado: R$66,03    - Água: R$11,50

481° Dia – Barra do Una – Santos – 11/03/2012 – Domingo


Acordamos e mandamos ver mais um cafezão, pois o dia de hoje seria bem puxado. Pretendíamos sair cedo, porém a Cris começou a se sentir mal após o café e demos mais uma recostadinha para ver se ele melhorava. Às 11h, levantamos novamente e a Cris já estava um pouco melhor. Desta maneira, acabamos de arrumar tudo e partirmos.
No início da pedalada ainda pegamos alguns morrinhos, mas logo vimos que as coisas melhorariam. Já não avistávamos tantos morros à nossa frente e começávamos acreditar que, finalmente, já teríamos deixado a Serra do Mar para trás. Pedalávamos numa velocidade razoavelmente alta e não cansávamos tanto quanto nos últimos dias. Revezamos entre bons trechos de pedalada e paradas para nos recompormos.
Depois de um bom tempo, chegamos à zona urbana de Guarujá (cidade vizinha de Santos). Neste momento, já víamos a principal características das cidades paulistas: o congestionamento! Uma fila de carros parados dava um bom exemplo do que era a volta da praia num domingo clássico.
Entramos na zona urbana e pedalamos um bom tempo em direção à orla de Guarujá. Como não sabíamos o caminho exato até a rodoviária de Santos, paramos para perguntar para um casal de ciclistas. O Júnior e a Alexandra nos disseram que seria mais fácil pegarmos a balsa que nos deixaria direto no centro de Santos, bem próximo da rodoviária. Aceitamos a sugestão e eles se prontificaram em nos levar até lá. Foram uns 30min de pedalada em meio à cidade até chegarmos ao nosso destino – a balsa. Mais uns 20min de travessia e já desembarcávamos no centro de Santos.
Foram mais uns 15min pedalando para chegarmos até a Rodoviária. Chegando lá, começamos a busca por ônibus para Curitiba. Para o nosso desespero, não tinha mais vaga em ônibus algum para hoje à noite. Procuramos, procuramos e nada! Como última alternativa, tentamos alguma linha direto para Paranaguá. Surpreendentemente, conseguimos dois lugares no ônibus das 23h30min. Como era apenas 18h, tínhamos um bom tempo para fazermos a nossa higiene e comermos algo.
Procuramos algum banheiro com chuveiro, mas não tinha nenhum na rodoviária. Desta maneira, o jeito foi tomarmos um “banho de gato”. Após esta situação meio constrangedora, fomos procurar o que jantar. Perguntamos para o segurança onde poderíamos comer e ele nos disse que o único local era um boteco do outro lado da praça que há em frente à rodoviária.
Chegando lá, pedimos dois PF’s bem servidos. Enquanto esperávamos, a Cris foi até o banheiro para lavar as mãos e se deparou com uma situação inusitada. Assim que ela abriu a porta, viu um funcionário do boteco lavando as frutas na pia. Ficou meio pasma com a situação e voltou para a mesa. Apesar desta primeira impressão, comemos toda a comida e ficamos bem satisfeitos. Como a região era meio suspechosa, retornamos antes que tivéssemos algum problema.
De volta à rodoviária, ficamos matando tempo até o horário de embarque. As horas voaram e quase perdemos o ônibus. Hoje tivemos sorte e o cara que cuida do bagageiro foi parceria e, além de nos ajudar a embarcar, não cobrou excesso de bagagem. Sendo assim, subimos, instalamo-nos e nos preparamos para mais uma longa noite de sono sacolejando na estrada!

Gastos
- Ônibus: R$160,00   - Janta: R$17,00   - Balas: R$4,00   - Bebida: R$3,50   - Balsa: R$2,20
Estatísticas
- Distância: 88,7Km   - Tempo: 4h28min12”    - Média: 16,2Km/h
Condições da estrada
- Muito boas, com um acostamento largo e com um asfalto bem manutenido.

quarta-feira, 21 de março de 2012

480° Dia – São Sebastião (Barequeçaba) – Barra do Una – 10/03/2012 – Sábado


Acordamos recuperados, porém ainda um pouco cansados. Mesmo assim, tínhamos bastante chão pela frente. Desta forma, levantamos e fomos preparar o nosso café da manhã. Após um belo desayuno, arrumamos tudo e partimos para a estrada.
Saímos de São Sebastião sem destino definido. Não sabíamos onde iríamos parar, mas pretendíamos chegar até Boracéia. Já de cara, nos deparamos com os 8Km de “Curvas acentuadas” e “Trecho sem acostamento” restantes (segundo as placas que vimos ontem). Após este trecho meio tenso (pois os carros passavam bem próximos à nós), pudemos aproveitar um pequeno pedaço de estrada mais tranquila para curtirmos a belíssima paisagem do Parque Estadual da Serra do Mar.
Pedalávamos debaixo de um sol forte do qual, para a nossa sorte, éramos protegidos pelas árvores mais frondosas. Mesmo assim, suávamos muito e fazíamos muito força para vencer os diversos morros que tínhamos pela frente. Depois de um bom tempo pedalando, fizemos uma paradinha para repor as energias. Neste momento, dois ciclistas paulistas chegaram até onde estávamos e ficamos conversando e trocando experiências. Não sei se foi bom ou não escutar as notícias deles, mas ficamos sabendo que o pior estava por vir. Eles nos disseram que a Serra de Maresias era o trecho mais difícil deste percurso. Agradecemos pelas informações, nos despedimos e seguimos o nosso caminho.
Estávamos bem curiosos a respeito da praia de Maresias, pois sempre escutamos as pessoas falarem que o lugar era legal. Assim que chegamos, ficamos um pouco decepcionados, pois as pequenas enseadas ao redor nos pareceram muito mais belas. Porém, é verdade, que a infraestrutura da praia é muito boa, disponibilizando diversos padrões de hospedagem, restaurantes e demais facilidades. Como tínhamos que passar de Maresias (principalmente por causa da serra) para podermos chegar em Santos amanhã, seguimos pedalando. Mas antes, aproveitamos a existência de um grande supermercado para fazermos umas comprinhas e garantirmos a janta, ou melhor, o cafezão da noite.
Carregados, seguimos em direção ao paredão verde à nossa frente. Segundo as informações dos dois paulistas com os quais conversamos, seriam 4Km de subida íngreme. Nos primeiros 500m, tivemos a esperança de que o resto da subida seria da mesma forma, porém estávamos enganados. De uma hora para outra a estrada se tornou extremamente íngreme e ficou impossível pedalarmos. Desta forma, tivemos que descer das bikes, engolir o orgulho e empurrar as “não tão magrelas” lomba acima. Depois de uns 2Km nesta função, fizemos uma paradinha para darmos uma descansada, pois estávamos lavados de suor! Deu para, literalmente, torcer a camiseta! Para o nosso alívio, em seguida a inclinação diminuiu bastante e conseguimos pedalar novamente. Foi apenas mais 1Km de sofrimento até chegarmos à nossa merecida recompensa. Foram uns 4Km de descida só curtindo o vento na cara e uma paisagem maravilhosa. Assim que terminou a descida, começamos a procurar algum lugar para passarmos a noite.
Após mais um tempo pedalando, a noite já queria dar o ar da graça e uma chuva fininha e alguns raios se fizeram presente, sendo assim, vimos que era hora de parar. Paramos na entrada de Juquehy para vermos se havia alguma pousadinha camarada. Depois de passarmos numas três, vimos que aquela região não era para o nosso bico. Sendo assim, pegamos o caminho para Barra do Una (próxima enseada) por dentro de Juquehy e nos surpreendemos pelo padrão do balneário. Só víamos carros importados e caminhonetes luxuosas, além dos bares e restaurantes chiquerésimos. Aí sim tivemos certeza de que nem adiantava procurar algum tipo de hospedagem!
Como já era noite, ligamos os faróis e entregamos a alma. Foram uns 45min pedalando até chegarmos ao centro de Barra do Una. Aproveitamos que tinha um pessoal na frente de um supermercado e aproveitamos para saber se havia alguma pousadinha próxima. Eles indicaram umas casas que alugavam quartos. Agradecemos e nos dirigimos para lá, torcendo que conseguíssemos nos hospedar, pois já estávamos cansados. Na segunda tentativa, achamos a Hospedagem da Lia (12-38671411 ou 12-92196130 ou bittencourtangela@hotmail.com). Lá, fomos muito bem recebidos e, após um chorinho, ela fez o precinho mais camarada da noite. Sendo assim, já nos instalamos e tomamos um bom banho. Completamente fadigados, tomamos o nosso cafezão (ainda bem que tínhamos comprado os mantimentos) e capotamos. Só pensávamos que amanhã ainda tínhamos muito pela frente até Santos (uns 90Km), que, segundo informações, era predominantemente plano! Graças a Deus!

Gastos
- Pousada: R$80,00   - Bebidas: R$3,50   - Supermercado: R$25,13
Estatísticas
- Distância: 49,3Km   - Tempo: 4h13min22”    - Média: 11,7Km/h
Condições da estrada
- Boas, porém uma estrada bem perigosa devido às inúmeras curvas.

segunda-feira, 19 de março de 2012

479° Dia – Ubatuba (Perequê Mirim) – São Sebastião (Barequeçaba) – 09/03/2012 – Sexta-feira


Hoje acordamos atrasados, arrumamos as nossas bagagens e já partimos rumo a Maresias. Desde o início da pedalada, a estrada dificultou o nosso rendimento. O acostamento estava cheio de buracos e areia solta, em diversos momentos, tirávamos fininho dos carros para fugirmos dos obstáculos.
Apesar das péssimas condições da estrada, conseguíamos relaxar devido à belíssima paisagem do norte paulista. Ficamos nos perguntando por que os paulistas saem tanto do seu Estado nas férias se eles possuem praias tão lindas. É incrível ver a mata atlântica cobrindo a Serra do Mar e chegando até o mar verdinho, da maioria das enseadas. O único “defeito” da região é o sobe e desce interminável, mas vale a pena o esforço para viajarmos em meio a tanta beleza natural.
Como o calor estava insuportável, fizemos uma parada para fugirmos do sol e pegarmos um picolé para refrescar. Assim que voltamos à estrada, nos deparamos com uma estrada pior ainda, sem nada de acostamento e cheia de curvas fechadas (os carros entravam nas curvas sem saber da nossa presença e passavam muito perto de nós). Ficamos realmente estressados com essa situação e decidimos reduzir o nosso trajeto do dia a fim de evitarmos o trânsito do horário de pico.
No final da tarde, chegamos em Barequeçaba, um pequeno povoado entre São Sebastião e Maresias. Fomos até a beira da praia e perguntamos para os locais se havia alguma pousadinha barata. Para o nosso azar, eles nos informaram que só havia hospedagem econômica em São Sebastião, que ficava há 10Km de distância (voltando!) e 4Km de subida. Desta maneira, optamos por pagarmos um pouco mais, mas nos instalarmos logo para descansarmos. Passamos em diversos lugares e os preços eram realmente abusivos. Ah, nesta hora percebemos um bom motivo para os paulistas irem curtir suas férias no litoral de outros Estados: o custo de vida! Acabamos ficando em um chalé com cozinha. Sendo assim, passamos no supermercado para comprarmos a nossa janta e, em seguida, nos instalamos para conseguirmos relaxar o restante da noite.
Agora, escrevo este relato enquanto o Moacir desfia um franguinho para colocarmos nos nossos sanduíches de amanhã. Em seguida, iremos dormir, pois amanhã ainda terá muito sobe e desce. Boa noite!

Gastos
- Pousada: R$100,00   - Supermercado: R$26,72  - Picolé: R$2,50
Estatísticas
- Distância: 72,1Km   - Tempo: 5h02min11”    - Média: 14,3Km/h
Condições da estrada
- Ruins, vários trechos sem acostamento e muito movimento.

478° Dia – Trindade – Ubatuba (Perequê Mirim) – 08/03/2012 – Quinta-feira


Acordamos animados com a viagem do dia. Eu já estava me sentindo bem melhor e o Moacir já estava com saudades da estrada. Demoramos muito para desarmarmos acampamento, mas conseguimos sair do camping antes das 10h.
Como havíamos combinado de tentar carona para o topo do morro Deus nos Acuda, fomos para o ponto de ônibus. Chegando lá, fomos falar com o motorista. O Moacir contou a triste história da nossa chegada em Trindade (2h pedalando e empurrando a bicicleta), o motorista até tentou se fazer de durão, mas não resistiu a carinha de gatinho do Shrek que o Moacir fez para ele e acabou nos deixando embarcar. Rapidamente desmontamos as bikes e embarcamos. Desta maneira, em 20min já estávamos desembarcando no auto do Deus nos Acuda (obrigada Deus por nos livrar desta!).
Descer o lado menos íngreme da montanha foi tranquilo e, em 5min, já estávamos na estrada Rio-Santos. Mal começamos a pedalar e já entendemos porque o Roberto Carlos cantou tanto sobre as curvas da estrada de Santos, parecia que estávamos contornando todos os morros da região. Andamos muito e parecia que não saíamos do lugar.
Apesar da belíssima paisagem (as praias paulistas e a Serra do Mar são encantadoras), o desânimo foi aumentando no decorrer do dia. Para piorar a situação, a estrada só foi piorando conforme entrávamos em São Paulo e, no início do anoitecer, tivemos que subir um trecho sem acostamento e com muitas curvas da Serra do Mar.
Desta maneira, desistirmos de ir até São Sebastião e decidimos ficar na praia de Perequê Mirim, em Ubatuba. Olhamos várias pousadas, mas todas eram caríssimas, quando estávamos quase desistindo, encontramos uma boa e de preço aceitável. Enquanto o Moacir acertava os detalhes do pagamento, o dono da pousada falou: vocês têm roupa de cama? Aí o Moacir respondeu: não. Com esta resposta, ele rebateu: com lençóis é mais caro. O Moacir deu uma risadinha com a “piada”. Dessa forma, o dono da pousada ficou constrangido e pediu para a sua sócia buscar uma muda de roupa para nós, aí entendemos que ele não estava brincando.
Após nos instalarmos, fomos no supermercado e cozinhamos a nossa janta. Comemos um franguinho delicioso e voltamos ao quarto. Passamos o restante da noite assistindo televisão e descansando, pois o dia de hoje foi bem puxado.
Gastos
- Pousada: R$60,00   - Ônibus: R$6,00   - Supermercado: R$33,08   - Lanche: R$5,30
Estatísticas
- Distância: 66,2Km   - Tempo: 4h39min36”    - Média: 14,2Km/h
Condições da estrada
- Boas, porém uma estrada bem perigosa devido às inúmeras curvas.