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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vídeo da nossa passagem pela República Argentina

     Demorou um pouco, mas já está no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=BSxmvEYg86g) o vídeo sobre a nossa passagem pela República Argentina. Lembrando também que os vídeos diárias estão atualizados conforme as postagens!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

RESUMO DA NOSSA PASSAGEM PELA REPÚBLICA DA ARGENTINA

     Entramos na Argentina no 17° dia (03/12/10) de Buquebus pela cidade de Buenos Aires e saímos pela cidade de Las Cuevas em direção ao Chile no dia 27/12/10 (41°). Pedalamos 979,32Km em estradas argentinas.
     O tempo que passamos na terra dos Hermanos foi cheio de novidades. Conseguimos observar costumes, rotinas e hábitos bem diferentes do que estamos acostumados. Também existem coisas em comum, como a tradição e costumes gauchos.
     Durante o tempo que estivemos na Argentina pudemos notar a paixão do povo pela “media luna” (croissant). Eles comem todos os dias no café da manhã! Normalmente a media luna é de massa doce e são consumidas com doce de leite ou geleia. É difícil encontrar cacetinho (pão francês para o resto do Brasil) nas padarias, cafés e supermercados. O pão fatiado, pão americano para eles, é a forma de pão que mais assemelha aos nossos costumes, mas é bem caro.
     A variedade de frutas e verduras é extremamente pequena. Eles têm uma grande oferta de batata, pimentão, laranja, pêssego e cereja. A batata é um quesito a parte: são vendidas em todos os lugares sujas de terra, completamente marrom. Os demais hortifrutigranjeiros são bem caros. Não conseguimos encontrar mamão, por exemplo, em nenhuma cidade.
     Os supermercados destinam uma grande porção do seu espaço para os vinhos. Normalmente 10% dos corredores eram tomados por garrafas e garrafas de vinho. O preço do vinho é algo absurdamente barato ao compararmos com a realidade brasileira.
     Notamos algumas diferenças relacionadas ao trânsito. As sinaleiras (semáforos) emitem um sinal sonoro para que pedestres com deficiência visual consigam realizar a travessia. Além disso, a luz amarela é acesa do verde para o vermelho e do vermelho para o verde. Os veículos, porém, são similares aos brasileiros.
     A maioria das principais estradas na Argentina possuem excelentes condições, mas em contrapartida algumas nem acostamento possuem. É comum nos acostamentos daqui existir um conjunto de três sonorizadores a cada 300m (acreditamos que seja para que o pessoal não transite na banquinha). Passamos a entender um pouco mais os argentinos apressados que invadem nossas estradas durante o verão rumo ao litoral brasileiro. A velocidade máxima nas estradas principais deles é de 130Km/h, se tornando difícil se acostumar aos nossos 80Km/h permitido.
      O povo argentino é um pouco mais distante do que o uruguaio, porém recebemos muitas buzinadas de apoio nas estradas enquanto pedalávamos. Fomos bem recebidos na grande maioria dos lugares, mas não daquela forma acolhedora. Não sofremos em momento algum da famosa richa entre brasileiros e argentinos. Notamos, também, que o povo, principalmente nos grandes centros, não tem uma educação exemplar nas atividades do dia a dia, pois observamos inúmeras vezes pessoas jogando lixo nas ruas pela janela dos carros e ônibus.
     Os lares argentinos possuem certa peculiaridade nos banheiros. Em grande parte dos locais em que passamos não existia box, mas sim uma banheira com cortinas. Isso mesmo, cortinas! Por dentro, uma de plástico, e outra por fora, muitas vezes de tecido. Outra diferença em comparação com o Brasil é que a numeração dos imóveis não é realizada conforme a quilometragem da rua, mas sim por quadras. A primeira quadra possui numeração de 0 a 100, a segunda de 101 a 200 e assim por diante.
     As principais cidades em que passamos foram Buenos Aires e Mendoza. Em Buenos Aires observamos uma cidade extremamente grande, com inúmeras avenidas largas (5 pistas ou mais) e muitos parques e praças espalhados por diversos bairros. A cidade tem um pique alucinante, aparenta ser bem segura e mantém uma arquitetura diferenciada Existem feiras em diversos pontos na cidade, além de tantas outras opções culturais (não tivemos como passar em todos os pontos turísticos). As casas de show são muitas e, em sua grande maioria, imensas!
     Em Mendoza notamos um aproveitamento do conhecimento antigo com a junção das novas tecnologias. Tanto na parte urbana, como na parte rural da cidade existe um sistema de canais para aproveitamento da água da chuva e do degelo dos Andes na irrigação de árvores e plantações. Achamos interessante, também, a existência de ônibus elétrico no centro da cidade. A vida noturna da cidade é bem intensa e se concentra na Av Villanueva, onde encontramos quase uma centena de opções para aproveitar a noite. Os principais pontos turísticos da região são o Parque San Martin (imperdível!) e a imensa opção de vinícolas, além de ser ponto de partida de inúmeros passeios aos Andes. O ar de Mendoza até Las Cuevas (divisa com o Chile) é extremamente seco, sendo que por inúmeras vezes nos encontrávamos com sangue nas vias respiratórias.
      O custo de vida (pelo que vivenciamos) na Argentina se assemelha ao gaúcho. A comida é um pouco mais cara, mas em compensação o transporte coletivo, por exemplo, é mais barato.
     Deixamos para o final o resumo da Cordilheira dos Andes por acreditarmos que deveria ser um capítulo a parte. Com certeza será um lugar marcante para toda a nossa vida. A cordilheira é extremamente bela e reserva surpresas a cada curva. O lago de Potrerillos é um local mágico, com um visual completamente indescritível. Durante toda nossa passagem pelas montanhas sentimos uma energia diferente, uma vibração muito boa! Impossível ficar triste diante de uma beleza natural como esta. Recomendamos para TODOS uma passada na Cordilheira dos Andes! Somente lembrando que passamos lá durante o mês de dezembro, ou seja, calor, tempo bem seco e neve somente nos cumes.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

41° Dia – Las Cuevas – Los Andes (Chile) – 27/12/10 – Segunda-feira

     Acordamos à 8h30min e começamos a arrumar nossas coisas. Às 9h demos uma pausa e fomos tomar o café da manhã (café com leite com torradinhas com manteiga e doce de leite). Assim que acabamos de comer fomos finalizar a arrumação dos materiais para partirmos.
     Às 10h saímos do hostel para os nossos últimos Km argentinos e nossa entrada no Chile. Assim como ontem, o vento contra estava muito forte e pudemos ratificar a grande utilidade do Buff (um pedaço de tecido tipo uma manga de camiseta que se pode utilizar de diversas maneiras) em condições assim. Colocamos de forma que tapasse boca e nariz e ajudou muito para que evitássemos o ressecamento das vias respiratórias.
     Chegamos no Tunel Cristo Redentor às 10h20min e prontamente um argentino que trabalha lá nos informou que viria um veículo para nos levar até o outro lado, pois é proibido o trânsito de ciclistas e pedestres no túnel. No fim das contas era ele mesmo o motorista e fomos na cachorreira de uma Fiorino junto comas bikes. Chegando do outro lado faltava pouco para adentrarmos oficialmente no Chile.
     Ao chegarmos na aduana chilena percebemos um grande movimento. Assim que paramos, já nos entregaram uns papéis para preencher. Depois de preencher fomos ver o que tínhamos que fazer e nos falaram para entrar na aduana e passar em seis guichês. Ao entrarmos na aduana parecia que estávamos no meio de uma feira. Era uma multidão e uma bagunça inimaginável. Entramos numa fila e uns 3min depois um cara já nos indicou outro locla. Entramos em outra fila e esperamos, aproximadamente, uma hora até sermos atendidos (sorte que perguntamos antes se eram necessários os papéis que nos entregaram lá fora, pois precisava de mais um documento e não haviam avisado nada! Por pouco não tivemos que ir pro fim da fila). No fim das contas passamos em apenas dois guichês, pois os outros eram para quem estava de carro.
     Saindo com todos os papéis e passaportes carimbados, só faltava a revista das bikes. Como havíamos declarado que estávamos carregando gêneros agrícolas nos mandaram retirar tudo (não sabíamos que não poderíamos passar com eles). Enquanto entregava nossos pêssegos, maçã, batatas, laranja e cenoura, ainda comi (Moacir) a nossa última banana.
     Depois de tudo isso, seguimos viagem! No início estava tudo em obras e muito ruim de pedalar, mas em pouco tempo chegamos nos “Los Caracoles”. Um lugar muito bonito e encantador. Com suas 29 curvas e paisagem deslumbrante, é algo que vale a pena conhecer.
     Passados os “Los Caracoles”, as descidas continuaram. Não parávamos de descer. Gastamos os freios! Tivemos que dar nossas primeiras pedaladas realmente aos 41Km de viagem. No caminho pudemos perceber grande diferença no ar (muito mais úmido do que no lado argentino) e nos morros (com muito mais vegetação) e passamos por um lugar com uma fenda nas rochas bem legal.
     Ao chegarmos em Los Andes encontramos uma cidade não tão pequena, mas sem muito atrativos. Demoramos até decidirmos onde ficar. Acabamos nos instalando num hotel bem no centro da cidade.
     Em seguida tomamos sorvete, fomos no super e voltamos ao hotel para jantarmos. Fiz (Moacir) um arroz com galinha com o fogareiro no pátio do hotel e, depois de comermos, fomos dormir. Lembrando apenas que hoje começamos o dia na altitude de 3.200m e acabamos em 930m acima do nível do mar.
Gastos:
- Hotel: R$72,00 - Super: 33,20 - Sorvete: R$3,20
Estatística:
- Distância: 74,92Km - Tempo: 4h26min59’ - Média: 16,83Km/h
Condições da estrada:
- Muito boas.

40° Dia – Los Penitentes – Las Cuevas – 26/12/10 – Domingo

     Ontem a noite, depois da janta, ficamos conversando um tempão com a Marcela e brincando com sua filha Francesa. A Marcela nos deu várias dicas para nossa ida ao Chile, nos tratou com muita atenção e foi extremamente carinhosa conosco, uma mãezona! Certamente é uma das pessoas diferenciadas que conhecemos na viagem. Depois de muito papo fomos dormir tarde e hoje só acordamos às 8h.
     Conseguimos sair do hostel às 9h30min para dar início ao nosso passeio até Las Cuevas. Como o trajeto era de apenas 20Km, decidimos aproveitar o tempo para conhecer a “Puente del Inca” e o Parque Aconcágua. A Puente del Inca é uma ponte natural de rochas desenhadas pela água que verte de dentro dela, muito lindo. A Marcela nos contou que antigamente as pessoas se banhavam em suas termas, mas houve um desabamento e a ponte foi interditada. Hoje só se pode “mirar”, e comprar alguns “regalos” ali. Tiramos algumas fotos e seguimos para o Aconcágua.
     Quando chegamos no Aconcágua (10h38min) começou um vento contra fortíssimo. Já previmos o que viria depois! O ingresso para o parque é bem acessível (10 pesos argentinos) e a estrutura é muito boa: organizado e seguro, mas a vista não é muito diferente da que se tem da estrada. Existem guardas parque que fazem a segurança do local e a remoção das pessoas que passam mal devido à altitude. Segundo a Marcela é comum retirarem pessoas com embolia pulmonar e/ou cerebral. Por isso, lá vão as dicas para quem pretende conhecer os Andes:
     - venha com tempo para aproveitar o passeio, pois é bom ficar uns dias em Uspallata, Los Penitentes ou Puente del Inca para se adaptar;
     - beba muita água ou Gatorade de maçã (pelo menos uns 4 litros por dia);
     - alimente-se bem antes dos passeios para não ter queda de pressão;
     - evite ir sozinho, caso isso seja inevitável, procure um guia ou ande perto de grupo;
     - caso se sinta mal, pare e chame alguém.
     A maioria das dicas recebemos dos nativos, dos guardas parque ou aprendemos na marra!
     Saindo do parque o Moacir começou a me rebocar, visto que só hoje comecei a me sentir bem mesmo, e ainda estou bem fraca. Pedalamos muito devagar porque o vento estava extremamente forte, nos empurrava para trás e, nas curvas, nos jogava de um lado para o outro da estrada. Em certos pontos preferimos empurrar as bikes porque as curvas eram muito fechadas, sem acostamento e o vento nos jogava para cima dos carros.
     Além disso, comecei a sentir a altitude: fiquei tonta e enjoada e cheguei a perder o controle da sustentação da minha cabeça. Sério, parecia que a minha cabeça estava flutuando em cima do meu pescoço – muito doido! Por esses motivos, tivemos que parar muitas vezes e demoramos muito à chegar (3h para fazer 10Km!). Para fechar com chave de ouro passamos por um túnel de 1Km, muito escuro, até chegarmos em Las Cuevas! Apavorados, nos deparamos com um amor de cidade: cheia de construções estilo “faroeste” e com um arco no topo do morro onde a cidade acaba.
     Encontramos o único hostel e nos instalamos (justamente no arco). Depois do banho fomos comprar mais água e pão e pudemos perceber o que é o frio dos Andes. A sensação térmica estava de, no máximo, 5°C e o vento cortava nossos rostos. Voltamos bem rápido para o hostel e fomos dormir para nos aquecermos! Quando acordamos, só tivemos ânimo de comer alguma coisa e voltar para a cama para dormir de vez!
Gastos:
- Hostel: R$63,70 - Parque Aconcágua: R$9,10 - Compras: R$11,40
Estatísticas:
- Distância: 24,94Km - Tempo: 2h47min51’ - Média: 8,91Km/h
Condições da estrada:
- Razoáveis, com alguns locais muito perigosos.

39° Dia – Uspallata – Los Penitentes – 25/12/10 – Sábado

     Acordamos às 10h com uma excelente novidade: A Cris está se sentindo bem melhor! Levantamos, tomamos café da manhã (fiquei dando maçã raspadinha para Cris) e começamos a arrumar nossas coisas, pois o ônibus para Los Penitentes sai às 12h30min.
     Fomos direto para rodoviária, onde a Cris ficou com todas as nossas sacolas enquanto eu procurava algum kiosco aberto para comprar água, Gatorade e pão.
     Embarcamos no horário e ao chegar em Los Penitentes percebemos uma grande mudança: o vento estava na direção oposta, ou seja, a nosso favor rumo à Las Cuevas! Chegando no hostel a Marcela nos recebeu super bem e nos disse que no dia anterior todos ficaram preocupados conosco, sendo que até o Dario, que mora em Uspallata, deu uma volta pela cidade quando foi pra casa para ver se nos achava. Passado o susto, avisamos que a Cris estava melhor.
     Começamos a arrumar nossas coisas para partir amanhã. Depois de arrumar, demos uma recostada, só para não perder o costume.
     Acordamos às 18h30min com um pouco de fome. Estou escrevendo e a Cris arrumando as unhas enquanto a Marcela acaba de arrumar a cozinha, pois ela serviu almoço para umas 18 pessoas que estavam fazendo um passeio. Em breve faremos uma massa com purê e cenoura cozida.
     Depois de comer pretendemos dormir, pois amanhã queremos sair cedo para não pegar o vento forte que começa lá pelas 10h. A Marcela já nos deu a boa notícia de que o hostel de Las Cuevas está funcionando.
Gastos:
- Ônibus: R$10,50 - Compras: R$16,85

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

38° Dia - Los Penitentes - Uspallata - 24/12/10 - Sexta-feira

     Acordamos às 9h, eu (Cris) ainda estava com muita dor de estômago, enjoo e ânsia de vômito. Decidimos que, diante dessas condições, o melhor seria ir para Uspallata pois lá teríamos acesso à hospital, farmácia e mercado. Conversamos com o Dario e ele nos disse que o ônibus passaria só às 12h, sendo assim, nos deitamos um pouco mais para ver se eu melhorava.
     Às 11h levantei e fui tomar um banho para me animar um pouco. Arrumamos a bolsa que levaríamos para a cidade, pegamos muitos casacos (o vento aqui é gelado) e fomos até a parada de ônibus. No caminho, o Moacir foi devolver o powerade vencido que ele havia comprado no dia anterior. O vento gelado cortava os nossos lábios e a ponta dos nossos dedos, ficamos uns vinte minutos nos protegendo do vento atrás de uma placa até que o ônibus chegou. Entramos no ônibus semi-leito (que aqui eles chamam de micro semi-cama) e nos surpreendemos com a excelente qualidade do mesmo. Além disso, achamos a passagem muito barata (R$10,50 para os dois). Eu já estava melhor e fomos conversando durante todo o caminho.
     Ao chegar em Uspallata fomos perguntar o horário do ônibus de volta e, para nossa surpresa, ficamos sabendo que nenhum ônibus iria para Los Penitentes hoje, só amanhã. Depois que o choque e o desespero passaram, fomos procurar o hospital para só depois ver se valeria a pena ficar na cidade ou pegar alguma carona. No caminho do hospital, paramos em um mercado e perguntamos que horário eles fechariam. Como o mercado iria fechar às 13h30min, preferimos comprar alguns mantimentos para garantirmos as próximas refeições. Seguimos o caminho para o hospital e, chegando lá, não vimos ninguém. Ficamos um minuto dizendo "hola" até que um senhor baixinho, calvo e com uma roupa toda vermelha apareceu em um corredor. Achando que ele era um funcionário do hospital, fui pedir informações. Ele escutou as minhas solicitações e mandou entrar na sala para me examinar. Imaginei então, que ele era um enfermeiro e iria fazer uma triagem. Mas para mais uma de nossas surpresas, ele era o médico, aliás, o único médico do hospital. Estava de plantão e me examinou, encostou duas vezes na minha barriga, viu a mordida do carrapato, perguntou sobre vômito e diarréia e me deu o diagnóstico: a água me fez mal e a solução é tomar só Gatorade. Perguntamos se não era bom fazer um soro ou tomar algum remédio, mas ele nos disse para usar só Gatorade e, caso piorasse, ai sim voltar e fazer um soro.
     Meio desconfiados do médico, fomos até o mercado comprar o Gatorade e em seguida passamos numa farmácia para comprar Imosec. A farmacêutica nos indicou Dotalsec, compramos, mas o Moacir me pilhou tanto sobre os riscos da automedicação que até desisti do remédio e apelei para a dieta Gatorade de maçã mais comidas levinhas. Depois de toda essa confusão, achamos mais coerente ficar na cidade e voltar só amanhã para Los Penitentes, visto que a estrutura aqui é bem melhor.
     Desta maneira, fomos procurar uma cabaña para nos instalarmos. Ficamos na primeira que apareceu, pois o cansaço e a fome já estava nos vencendo. Saímos para comprar o que estava faltando e voltamos para cozinhar e dormir um pouco. No fim das contas consideramos que foi uma boa idéia passar o natal em Uspallata, pelo menos estaremos mais tranquilos. O ruim é que não teremos como avisar o pessoal do hostel que não voltaremos para lá hoje. Além da preocupação que podemos causar, nossas coisas ficaram lá ocupando um quarto inteiro. Esperamos não estar atrapalhando muito, não é bom abusar a boa vontade alheia.
      Agora acabamos de acordar, eu já estou bem melhor e o Moacir está cozinhando a nossa ceia: arroz com cenoura e purê de batatas para mim e milanesa com arroz, omelete e purê para ele. Um feliz natal a todos! Ou melhor, una FELIZ NAVIDAD! E que o Papai Noel nos de muita saúde e muito amor. Amém.
Gastos:
- Ônibus: R$10,50   - Cabaña: R$91,00   - Remédio: R$9,10   - Compras: R$45,45    - Devolução do powerade: (R$4,55)

37° Dia - Los Penitentes - 23/12/10 - Quinta-feira

     Hoje o dia não começou muito bem. Acordamos às 9h30min e a Cris se sentia mal. Levantei e comi umas bolachas com doce de leite e, assim que acabei, voltei para cama para ficar com a Cris. Acordamos novamente às 13h e a Cris continuava mal. Decidi levantar e fazer algo para comer. Como não podíamos utilizar a cozinha, peguei todos os alimentos e o fogareiro e fui para o deck do hostel.
     Enquanto cozinhava, o Dario me viu ali e falou para entrar e usar a cozinha. Sendo assim, desmontei o fogareiro e entrei para acabar nosso purê, arroz e lentilha. A Cris só comeu um pouco de purê e, como sempre, exagerei na quantidade. Fiquei com a janta pronta. Dormimos mais um pouco e quando acordei fui buscar um sanduíche de queijo e dois powerades no posto de gasolina.
      Assim que cheguei de volta, a Cris comeu um pouco do sanduba e tomou uns goles do powerade (depois vimos que estava vencido), mas não desceu legal. Como ela precisava se hidratar, fiz um soro caseiro para a Cris. A única parte boa do dia foi quando conseguimos ligar para casa e falar com os nossos familiares e dar parabéns para o pai, que está de aniversário hoje.
      Ficamos neste dorme, acorda, come e bebe, até tarde da noite, quando conseguimos engrenar no sono.
Gastos:
- Compras: R$18,20

36° Dia - Uspallata - Los Penitentes - 22/12/2010 - Quarta-feira

     Acordamos às 9h e levantamos para o café da manhã. A Cris estava um pouco melhor e, enquanto tomávamos nosso "desayuno", decidimos ir até Los Penitentes. Arrumamos tudo e às 11h30min saímos do hostel. Na hora da nossa saída começou a funcionar a internet. Aproveitamos para ver se o hostel de Los Penitentes havia respondido nosso e-mail, mas nada feito.
     Saímos em direção a Los Penitentes pela Ruta 7, mas antes fizemos uma parada no centro de Uspallata para nos abastecermos. Compramos bolachas, arroz, lentilha, frutas, verduras, sabonete e, é claro, muita água. As bikes ficaram pesadas de tantos mantimentos!
     Sabíamos que hoje teríamos que subir bastante. Durante boa parte da estrada foi o mesmo sobe e desce constante dos outros dias (é claro que as subidas predominavam), porém, começamos a sentir maior dificuldade para pedalar (acreditamos que seja devido à altitude de mais de 2.000m). O forte calor nos fez suar muito, mas, por sorte, o vento estava a nosso favor.
     A Cris não estava muito legal e decidimos parar em Punta Vacas (vilarejo que antecede Los Penitentes). Porém, assim que chegamos vimos que a vila era um quartel e uma aduana, e não teríamos onde dormir ali. Sendo assim, continuamos na estrada pois faltavam apenas 8Km para Los Penitentes.
     Achávamos que em breve chegaríamos ao nosso objetivo, mas tudo mudou ao fazer uma curva: o vento ficou extremamente forte e completamente contra a gente. Pedalamos uns 500m e paramos para comer e beber um pouco.
     Assim que voltamos a pedalar percebemos que os 8Km demorariam a passar. Tínhamos que fazer muita força para conseguir pedalar, até mesmo nas descidas. Em certos pontos chegamos a utilizar a marcha mais leve da bike e em outros tivemos que descer e empurrar. Ao avistarmos um vilarejo (umas 15 construções na beira da estrada) ficamos muito felizes! Lá estava Los Penitentes. Só por curiosidade, Los Penitentes fica a 2.622m de altitude.
     Chegamos no campo Campo Base - Los Penitente Hostel e fomos muito bem recepcionados pelo Dario. Ele entrou em contato com a Eugenia (gerente da rede que trabalha na sede em Mendoza) para ver sobre o apoio. Enquanto esperávamos a resposta ficamos conversando um pouco. Durante a conversa, descobrimos que aquela curva que passamos é chamada "Curva del Tiempo". Diz o Dario que no inverno acontece de antes da curva não ter neve e depois da curva a neve chegar a 2m de altura. Não duvidamos! Logo após recebemos a resposta de que poderíamos ficar sem pagar. Sendo assim, nos instalamos.
      A Cris não tava muito legal, então fui tomar banho e fazer a nossa janta. Quando ela foi tomar banho a água ficou gelada enquanto ela estava ensaboada. Alcancei para ela um bule com água quente para que acabasse o banho. Enquanto eu cozinhava, o Dario chegou no hostel e avisou que não era permetido usar a cozinha, mas disse que poderia acabar a massa que estava fazendo.
     Assim que ficou pronta, chamei a Cris para jantarmos. Comemos e fomos dormir, pois o final da pedalada havia nos destruído (1h30min para fazer 8km).
Gastos:
- Compras: R$32,70
Estatísticas:
- Distância: 72,75km   - Tempo: 5h27min53'   - Média: 13,31km/h
Condições da estrada:
- Medianas, pois não possui acostamento.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

35º Dia - Uspallata - 21/12/10 - Terça-feira

     Acordei com muito enjoo e ânsia de vômito. Pedi para o Moacir levantar e fui correndo para o banheiro. Estava com diarréia e me sentindo muito enjoada. Quando voltei para o quarto, deitei na cama e o Moacir foi para outra para me deixar mais a vontade, visto que estava muito calor.
     Depois de meia hora deitados, o Moacir levantou para o café da manhã, mas eu não me sentia animada e continuei dormindo. Após o café, ele foi até a cidade de Uspallata para comprar legumes e fazer uma canja de galinha para mim (não é muito fofo esse meu maridinho?). Ao voltar da cidade, ele me obrigou a beber um isotônico e comer umas três bolachas, em seguida, começou a preparar o almoço.
     Quando a comida ficou pronta, me animei um pouco e fui comer na cozinha. Entretanto, depois do almoço, me senti enjoada novamente e fui deitar. Dormi até umas 16h e fui tomar banho. Ao sair do banho me senti enjoada novamente e voltei para a cama (mais uma vez!). Enquanto dormia o Moacir ficava trabalhando no computador editando fotos e vídeos e indo ver se estava tudo bem comigo a cada dez minutos. Ao me ver na cama depois do banho ele se assustou e me obrigou a comer mais um pouco de canja e a beber muita água. Depois de tanto mimo, fiquei um pouco melhor e fui acompanhá-lo no computador.
     Ao longo do dia fui melhorando. Infelizmente hoje não temos muitas novidades, pois fomos obrigados a passar o dia no hostel. A boa notícias é que Los Penitentes fica à uns 65km daqui e a estrada não sobe muito mais (se soubéssemos disso nem teríamos pego ônibus em Rio Cuarto). Ou seja, chegando cedo em Los Penitentes poderemos fazer os passeios até o Aconcágua e até a Puente del Inca. E ainda, passaremos o natal no alto dos Andes. Óbvio que junto com a notícia boa vem uma não tão boa: os paulistas disseram que Los Penitentes é uma cidade muito pequena, que não tem muito comércio e que tudo é caro lá. Resumindo, teremos que nos abastecer em Uspallata e subir com toda ceia de natal nas bikes. Mas o importante é saber que, apesar da distância e da saudade da família e dos amigos, teremos um natal único em nossas vidas.
Gastos:
- Mercado: R$33,64

34º Dia - Potrerillos - Uspallata - 20/12/10 - Segunda-feira

     Antes de relatar os fatos de hoje, gostaríamos de dizer que já faz muito, mas muito tempo, que estamos completamente perdidos nos dias da semana. Normalmente vamos saber se é quarta ou domingo somente na hora de escrever o relato do dia.
     Bom, hoje acordamos com calma e ficamos um tempinho deitados conversando. Em seguida fui fazer umas torradas para o nosso café. Tomamos nosso desayuno na cama e, quando estávamos levantando, batem na porta avisando que o check out é às 10h (já era 10h30min, não sei porque não avisam do horário quando fazemos o check in).
     Arrumamos nossas coisas e partimos em direção ao lago. Chegando num ponto da estrada em que avistávamos bem, ficamos um tempo só observando. Achamos que não era uma boa ir até o lago, pois não iríamos tomar banho nele e também não veríamos nada que não tivéssemos visto ainda. Sendo assim, seguimos nosso caminho para Uspallata.
     Hoje o percurso era pequeno, mas um grande ponto de interrogação. Assim que saímos de Potrerillos pegamos um bom trecho de descida. Após este pedaço, o caminho foi intercalado com subidas e descidas pouco íngrimes. O tempo todo fomos costeando o rio Mendoza, hora no seu nível, hora mais acima. Passamos por um local chamado Guido (umas três casas) e tinha uma placa que indicava altitude de 1508m. Lembramos que esquecemos de ver a altitude em Potrerillos, mas assim que chegarmos em Uspallata veremos quanto já subimos.
     A estrada é meia boca, pois o acostamento não é de asfalto e sim de pedras. Precisamos andar o tempo todo na linha branca, mas pelo menos o tráfego não é tão intenso quanto nos falaram. Entretanto, está é a estrada mais incrível em que já estivemos. A cada curva aparece uma paisagem mais linda do que a outra. Estamos literalmente maravilhados com os Andes. Cada dia que passa temos mais certeza de que é o local mais bonito que conhecemos.
     Chegando no Uspallata Hostel (que fica na beira da Ruta 7 e um pouco afastado da cidade) fomos super bem atendidos pelo Gabriel. Ele nos mostrou as instalações (excelentes) e nosso quarto. Como de praxe, nos instalamos e tomamos banho. A Cris foi dar uma alongada e eu fui renomear as nossas fotos, pois já estávamos esquecendo onde foram tiradas. É muito bom ficar vendo as fotos e relembrando tudo que já passamos.
     Nesse meio tempo chegaram dois franceses que estavam fazendo uma viagem através dos Andes, do Equador até a Patagônia, de bike. Um só falava francês e o outro arranhava o espanhol. Como a comunicação estava difícil e eles partirão cedo amanhã, acabamos convversando pouco.
     A Cris acordou com uma coceira que não passava. Assim que levantou da cama viu um carrapato no travesseiro. Foi até o computador e me pediu para ver se não havia algum em suas costas, mas não tinha nada. A presença do carrapato se deve aos cincos cães de guarda do hostel (três Golden e dois guaipa). Eles não entram nas instalações, mas entendemos que é praticamente impossível evitar parasitas tendo animais soltos no pátio.
     Acabamos de renomear e fomos fazer um risoto de tomates secos para a janta. Chegando na cozinha, encontramos dois paulistas que estão viajando pela Argentina. Conversamos um pouco e jantamos (é muito bom falar português!). Após a janta fomos dormir. Para dormirmos tranquilos, colocamos a barraca em cima da cama e a prendemos na cama de cima com extensores.
Gastos:
- NADA!
Estatísticas:
- Distância: 48,78km   - Tempo: 3h08min34'   - Média: 15,52km/h
Condições da estrada:
- Mediana, pois o acostamento é repleto de pedras.

33º Dia - Mendoza - Potrerillos - 19/12/10 - Domingo

     Antes de mais nada, gostaríamos de fazer algumas observações sobre Mendoza. Em toda a cidade existe um sistema de "valas" que servem para irrigar as árvores na parte urbana e as plantações na parte rural. A cidade é muito seca e tal sistema já era utilizado antes da chegada dos espanhóis. Achamos interessante, também, a utilização de "bondes" (na verdade ônibus) elétricos com uma ligação parecida com a do trensurb de Porto Alegre (na parte superior do veículo). Outro ponto que nos chamou a atenção foi a "onde verde" (vimos também em Rosário e Buenos Aires). A "onda verde" é uma placa com esses dizeres e a indicação de uma determinada velocidade, pois nesta velocidade o veículo pegará todas as sinaleiras abertas. É muito interessante observar as alternativas que cada cidade constrói para solucionar as suas dificuldades. Os nossos representantes poderiam usar todos os milhões gastos em viagens para aproveitar esses conhecimentos aplicando-os no nosso país! Continuando...
     Hoje acordamos tadre (8h30min), eu (Cris) estava com muita dor no corpo devido ao cansaço dos passeios anteriores. Levantamos, tomamos café, tomamos banho e arrumamos tudo para sair. Às 10h30min agradecemos o apoio do pessoal do hostel e partimos rumo a Potrerillos.
     A estrada estava péssima no início da viagem, sem acostamento e com muito movimento. Quando eu já estava desistindo de tudo, aparece uma estrada ótima e com um largo acostamento. Andamos uns 25km até a Ruta 7 e paramos para comer algo e beber a última gaseosa gelada, visto que na ruta não há centro de serviços.
     Andamos um pouco antes de chegar na cordilheira. Neste trajeto vimos um terreno bem plano, extremamente seco (os rios eram pura pedra!) e até com alguns mini tornados. Sempre presente como plano de fundo aquele paredão de rochas, sendo que um pico (acreditamos ser algum próximo ao Aconcágua ou ele mesmo) estava no meio das nuvens de tão alto.
     Assim que começamos a subir percebemos que os próximos dias não serão brincadeira. Em contra partida, a paisagem é algo completamente diferente de tudo que já havíamos visto em toda nossa vida. A cada km da vontade de parar e tirar fotos e filmar tudo durante muito tempo.
     Estávamos pedalando quando, de repente, surge um lago no meio das montanhas! O lugar parecia um oásis de desenho animado. Paramos para comer algo e ficamos admirando, completamente hipnotizados, a paisagem. Após um tempo, seguimos viagem, pois o tempo estava fechando.
     Para nossa surpresa, andamos uns 5km e chegamos a Potrerillos. A cidade é bem pequena, mas parece ser muito frequentada pelos argentinos no fim de semana. Chegando no centro da cidade nos instalanos numa cabaña bem legal. Em seguida fomos num mercadinho para comprar os ingredientes que faltavam para a janta.
     Jantamos uma massa com molho vermelho e queijo cremoso acompanhada de um vinho rosé doce que compramos na feira de matadero em Buenos Aires. Após a janta vamos descansar para que amanhã façamos com calma os 55km de subida até Uspallata .
      Vale ressaltar que gostamos muito do povoado de Potrerillos. Amanhã pela manhã faremos um tour pelo lago para conhecermos um pouco mais.
Gastos:
- Coca: R$1,80   - Cabaña: R$73,00   - Mercado: R$10,90   
Estatística:
- Distância: 76,52Km   - Tempo: 5h43min08'   - Média: 13,38km/h
Condições da estrada:
- Ruta 40 muito ruim e muito movimentada. Ruta 7 ruim, mas com movimento de pequeno a médio.

domingo, 19 de dezembro de 2010

32º Dia - Mendoza - 18/12/10 - Sábado

     Acordamos tarde (10h) depois de duas noites seguidas "fazendo noite". Ontem fomos conhecer a "Alameda", mas não havia nenhum evento especial lá e os bares estavam quase todos fechados. Acabamos a noite em um "Mr. Dog" comendo um pancho com papas fritas e gaseosa. Mesmo assim fomos dormir tarde, e a chuva que caiu durante toda noite ajudou a embalar ainda mais o nosso sono.
     Assim que acordamos fomos confirmar o nosso passeio às vinícolas de Mendoza. Com tudo acertado, fomos tomar café e organizar as bikes e os mantimentos para a subida dos Andes que começará amanhã. Organizamos tudo, tomamos banho e saímos para comprar algo para o almoço. Pegamos umas empanadas e uma tortilla em uma rotiseria e voltamos para o hostel para esperar o pessoal da excursão.
     Lá pelas 14h10min entramos no microônibus rumo aos vinhedos. Depois de 1h na cidade pegando os outros passageiros chegamos na nossa primeira parada: uma vinícola pequena mas com uma tecnologia bem moderna. Aprendemos os processos de preparação dos vinhos, as diferenças na degustação dos vinhos tinto e branco (nem imaginávamos que o reflexo da cor do vinho poderia querer dizer alguma coisa sobre ele) e, finalmente, degustamos! Infelizmente os vinhos não eram muito bons, seguimos esperançosos para a nossa segunda parada: uma fábrica de azeite de oliva extra virgem. Na fábrica, as explicações foram bem curtas mas foi bem interessante saber que a azeitona preta é a mesma que a verda mas mais madura e que o azeite extra virgem não passa por nenhum processo químico. Depois da degustação compramos uns tomates secos e um mini azeite de oliva não filtrado.
     Saímos da fábrica rumo à terceira e última parada do dia: uma vinícola orgânica onde todo vinho é produzido de maneira artesanal. Achamos curioso que eles reservam o vinho "jovem" em recipientes de concreto. A degustação foi um pouquinho melhor, mas também deixou a desejar. Nesse ponto devemos dizer que, bairrismo à parte, as vinícolas do Vale dos Vinhedos na serra gaúcha dão de 10!
     Esperamos que a Chandon que compramos no super por R$20,00 para o natal não nos decepcione como o vinho dessas vinícolas. Para quem vem visitar Mendoza, recomendamos que visitem as grandes vinícolas, pois as familiares nem sempre são boas. É legal ver a produção de perto, mas é um risco que se corre em relação à qualidade dos produtos.
     Chegamos ao hostel, comemos um lanche e começamos a postar os relatos que estão atrasados. Depois pretendemos sair para jantar, provar os Helados Griddo (o McDonald's dos sorvetes daqui) e dormir, pois amanhã começa a grande subida... aguardem!!!
Gastos:
- Passeio: R$55,00   - Empanadas e Tortilla: R$12,80   - Super: R$48,80   - Tomates secos e azeite: R$7,00   - Janta: R$29,50   - Sorvete: R$5,90

31º Dia - Mendoza - 17/12/10 - Sexta-feira

     Acordamos 9h, tomamos café e voltamos para cama. O quarto é muito quente (o que dificulta o nosso sono durante a noite) e o ar condicionado é muito frio, além de muito barulhento (o que impede que seja ligado durante a noite). Acordamos renovados às 12h e fomos buscar nossas roupas na lavanderia e aproveitamos para passarmos no restaurante vegetariano para comprar algo para levarmos no nosso passeio ao Parque General San Martin durante a tarde. De volta ao hostel, nos arrumamos e pegamos as comidas e bebidas para sairmos em direção ao parque.
     Depois de caminhar uns 20min sob um sol escaldante, chegamos nos portões do parque. Assustamo-nos com o tamanho dele! Ele é imenso! Só para ter idéia, ele é cortado por uma avenida principal e outras diversas ruas. Visitamos a Fonte dos Continentes, o lago (onde fizemos nosso pic-nic), o velódromo e o Cerro de La Gloria. Até chegar ao cerro são 3km de subida constante e, chegando nele, são 500m de trilha em que se sobe cerca de 100m de altitude. A visão de cima do Cerro de La Gloria é magnífica! Conseguimos ver toda cidade de Mendoza de um lado do cerro e do outro o deserto e os morros da Cordilheira dos Andes. Não conseguimos avistar neve, mas a esperança persiste. Em cima do cerro existe uma série de estátuas referentes às batalhas de libertação da Argentina e do Chile, onde o principal personagem foi o General San Martin.
     Na volta ao hostel, paramos em outra sorveteria para nos refrescarmos um pouco (estava uns 30ºC às 19h). Hoje a noite iremos na "Alameda" conhecer os vários barzinhos que nos indicaram.
Gastos:
- Sorvete: R$12,53   - Janta: R$11,90   - Almoço: R$10,50

sábado, 18 de dezembro de 2010

30º Dia - Mendoza - 16/12/10 - Quinta-feira

     Acordamos às 9h preocupados com o horário do check out, visto que ainda não havíamos confirmado o apoio do hostel ao nosso projeto. O Moacir levantou e foi falar com o pessoal da recepção, mas o gerente ainda não havia chegado e teríamos que esperar mais ainda. Fomos tomar café (muito bom) e decidimos dar uma volta na "Plaza Independencia" para curtir as árvores, o chafariz e uma brisa, pois o calor está terrível aqui.
     Ficamos conversando na praça até umas 11h30min e voltamos ao hostel para falar com o gerente. O Moacir explicou para ele sobre o apoio e ele disse que teria que falar com a sua chefe, mas que poderíamos ficar até definirem se aceitariam ou não. Sendo assim, deixamos nossas coisas no hostel e fomos almoçar. Comemos em um restaurante vegeratirano excelente (Sofia). Em seguida, levamos nossas roupas para lavar, pois quase todas estavam imundas. No caminho, vimos uma sorveteria e decidimos nos refrescar com um sorvetinho. Voltando para o hostel passamos no super e compramos o que faltava para a nossa janta.
     Chegando no hostel, ficamos sabendo que teríamos que falar pessoalmente com a supervisora a quem o gerente se remete. Desta maneira, eu fiquei fazendo a janta e o Moacir foi na agência para tentar resolver tudo. Ele falou com a supervisora e voltou ao hostel para jantarmos, mas sem uma definição ainda porque ela precisava de um email do presidente da federação brasileira ou da federação argentina para nos fornecer hospedagem. Enquanto jantávamos recebemos a boa notícia do Gabriel (gerente) de que iriam nos apoiar.
     Após a janta fomos dar uma volta pela cidade. Caminhamos pela Av Villanueva e vimos inúmeros barzinhos muito legais e com muitas cadeiras na rua. A noite estava perfeita para um chopp e ficar jogando conversa fora, sendo assim, foi exatamente o que fizemos. Às 2h acabamos nosso missil (2,5l de chopp) e voltamos ao hostel. Durante o trajeto paramos em uma esquina em que estava tocando a música "New York New York" e começamos a dançar. De repente, um rapaz num carro que estava passando grita: "Suerte. Bailando por un sueño" (dança dos artistas daqui)..hehe.. Depois disso nos aquietamos e voltamos ao hostel para dormir.
Gastos:
- Remédio: R$36,50   - Chopp: R$16,00    - Sorvete: R$7,30   - Almoço: R$20,50   - Lavanderia: R$11,40   - Super: R$8,50

29º Dia - Rio Cuarto - Mendoza - 15/12/10 - Quarta-feira

     Acordamos às 7h pra dar tempo de fazer tudo tranquilamente. Tomamos nosso café, arrumamos tudo e fomos para a rodoviária. Chegando lá, a Cris começou a desmontar a bike dela e eu fui pegar as caixas para as rodas na borracharia ali perto. Desmontamos e encaixotamos tudo e era apenas 9h30min. Resolvemos aproveitar esse tempo de sobra para comprar algumas porcarias para irmos beliscando, pois a viagem é longa. Compramos sanduíches, médias lunas, bolachas (uma com recheio parecido com maria mole), água e suco.
     Em torno de 10h20min. Como já passei (Moacir) um perrengue para levar bike em ônibus na prova de Audax 1000km, fui verificar se estava tudo certo. Só pra variar disseram que não dava para levar (na hora de vender a passagem sempre dizem que esta tudo certo). Depois de um certo corre corre e ter que pagar mais R$50,00 de excesso de bagagem, resolvemos tudo.
     Durante a viagem fomos observando tudo. Compramos os assentos do 2º andar e bem da frente (em cima do motorista) justamente para conseguirmos ver o relevo, a vegetação, vento, estrada e povoados.
     No geral ratificamos o acerto da nossa escolha, pois boa parte da estrada não tem acostamento, diversos pontos estão em obra e existe um fluxo intenso de caminhões e ônibus. Além disso, passamos por um acidente onde uma caminhonete atropelou um ciclista que, aparentemente, faleceu. Isso fez com que relembrássemos a importância de pedalar com segurança sempre!
     Chegando em Mendoza, ficamos no Campo Base Hostel. Amanhã falaremos com o gerente para ver a possibilidade de hospedagem gratuita. Após nos instalarmos fomos numa casa de câmbio e no super.
     De volta ao hostel a Cris foi tomar banho e eu fui fazer a nossa janta (arroz, ovo frito, batata cozida, bife de chorizo acebolado, molho vermelho e salada de cenoura com tomate). Este período em Mendoza será de engorde para mim (Moacir), pois até agora perdi 5,5Kg desde o início da expedição.
Gastos:
- Excesso de bagagem: R$50,00   - Super: R$27,30   - Comidas: R$20,30   - Hostel: R$41,00   - Fita adesiva: R$4,50

28º Dia - Villa Maria - Rio Cuarto - 14/12/10 - Terça-feira

     O Moacir acordou e eu pedi para ficar mais um pouco na cama. Ele levantou e foi verificar se o café da manhã já estava pronto, voltou e me chamou para irmos para o café.
     Levantei com muita dor muscular, tomamos café e nos arrumamos para a partida. Enquanto nos arrumávamos para sair, o dono do hostel foi muito gentil e nos forneceu diversas informações sobre a estrada, os "pueblos" que passaríamos, etc. Às 10h50min estava tudo pronto e decidimos pedalar ao máximo para chegarmos em Rio Cuarto.
     O dia estava muito quente, sendo assim combinamos de pedalar 20km e parar um pouco numa sombra ou num posto para tomarmos algo gelado. A estrada era muito boa, até com uma ciclovia paralela em alguns trechos.
     Durante a tarde tomamos a importante decisão de ir de ônibus de Rio Cuarto até Mendoza. Nosso cronograma está apertado, sem dias reserva para imprevistos, ou seja, se tiver um dia com muito vento, chuva, estrada ruim ou piorarmos ainda mais o nosso estado de saúde, não conseguiremos cruzar os Andes no tempo previsto e não chegaremos a tempo de passar o Reveillon com a família da Cris em Santiago. Preferimos ficar 3 dias em Mendoza para nos reestabelecermos fisicamente e fazer a subida dos Andes com mais tranquilidade.
     Chegando em Rio Cuarto fomos direto à rodoviária e compramos nossas passagens para amanhã às 10h55min. Em seguida, fomos procurar em uma borracharia algumas caixas grandes para colocarmos as bikes para levarmos no ônibus. Enquanto esperávamos na loja, un senhor simpático se aproximou com a sua bike e começou a conversar conosco. No momento em que os rapazes da borracharia nos disseram que só teriam caixas para empacotar as rodas, o senhor prontamente nos levou até a loja  Frávega Express que vende geladeiras e lareiras (onde conseguimos papelão em rolo e fita). Além disso, ele ainda nos indicou a localização de um hostel perto da loja.
     Durante esta viagem, estamos nos dando conta de como Deus (ou destino, coincidência, ou como queiram chamar) coloca pessoas no nosso caminho e cria situações para as coisas darem certo. E também, como uma pequena boa ação influencia todo o meio. Digo isso pois, além desse senhor, os rapazes das lojas também nos trataram super bem. Fora os caminhoneiros que desviam de nós para não nos "chacoalhar" na estrada. Enfim, muitas coisas boas estão acontecendo durante esta viagem e nos fazendo pensar muito!
     Depois da loja, fomos para o hostel, nos instalamos e saímos para jantar fora e comemorar o nosso 1º mês de casados. Voltamos para o hostel e nos preparamos para dormir.
Gastos:
- Hostel: R$37,00   - Bebidas: R$17,80   - Janta: R$ 35,80   - Ônibus: R$113,50
Estatísticas:
- Distância: 138,24km   - Tempo: 6h46min30`   - Média:20,3km/h
Condições da estrada:
- Excelentes. Acostamento largo com um asfalto bem liso.

27º Dia - Bell Ville - Villa Maria - 13/12/10 - Segunda-feira

     Essa noite foi horrível! A Cris não conseguia dormir por causa da rinite. Ficou se revirando até às 3h, até que o cansaço a venceu e ela dormiu. Às 4h eu acordei mal do estômago e fiquei uns 30min no banheiro. Voltei para cama e continuava enjoado.
     Acordamos, ambos podre, às 8h. Fui obrigado a ir no banheiro de novo e a Cris não conseguia levantar da cama de tão cansada. Dormimos até às 10h, quando a moça da limpeza bateu na porta avisando (leia-se gritando) que já estava no horário do check out. Acordamos assustados, pois ninguém havia nos avisado deste horário, e arrumamos tudo para sair.
     Como não havia café da manhã no hotel, fomos até o posto de gasolina que havia ao lado e compramos algo para comer. A Cris conseguiu comer bem e eu só comi umas bolachas porque continuava enjoado. Depois do café saímos para pedalar.
     Andamos 30km em uma estrada sem acostamento (mas pelo menos o vento estava mais ameno e o movimento estava menor) e paramos em um posto para comer algo e descansar. Durante o nosso lanche, decidimos que iremos pedalar com mais calma nos próximos dias e, se não der tempo de chegar até os Andes para o Natal, pegaremos um ônibus e mandaremos as bikes por "frete" mesmo. Pois não adianta ficarmos nos debilitando só por medo das bikes se estraviarem durante o transporte. O importante é chegarmos bem, ficar doente não será exemplo para ninguém. Sendo assim, descansamos mais de uma hora no bar do posto esperando o sol baixar um pouco e seguirmos viagem até Villa Maria.
     Assim que saímos percebemos que o vento havia diminuido ainda mais. Em duas horas chegamos no nosso objetivo. Ao entrar na cidade fomos procurar os hostels que havíamos encontrado no google. O primeiro em que fomos estava todo fechado e não havia sequer uma placa de divulgação. Desistimos e fomos para o segundo. Ao chegar no local determinado, percebemos que também não tinha placa alguma. Indignamo-nos e batemos na campainha mesmo assim (pensando: Será que nos enganamos de cidade?). Um senhor de alpargatas abriu a porta. Ao perguntarmos se a casa era um hostel ele nos deu resposta afirmativa.
     Entrei para conhecer, gostei, perguntei para Cris se ela queria ficar lá e nos instalamos. Em seguida fomos tomar banho, fomos ao super fazer compras, fizemos a janta, comemos e nos preparamos para dormir.
      Estou escrevendo enquanto a Cris cozinha, Após a janta iremos direto para janta pois o dia de hoje foi pesado.
Gastos:
- Hostel: R$47,00   - Café e bebidas: R$27,20   - Almoço: R$9,80   - Super: R$31,80 
Estatísticas:
- Distância: 60,67km   - Tempo: 3h27min45'   - Média: 17,3km/h
Condições da estrada:
- Ruins

26º Dia - Armstrong - Bell Ville - 12/12/10 - Domingo

     Acordamos 7h e fomos ver o tempo. Ao sair do quarto vimos um céu cinza e chovendo um pouco. Decidimos nos arrumar e torcer para parar. Quando fui (Moacir) escovar os dentes percebi meu lábio estranho e com bolhinhas parecidas com as de herpes. Acabamos de nos arrumar e fomos tomar café.
     O café da manhã ainda não estava pronto, então a Cris foi mandar email para ver o nome de algum remédio para herpes e eu fui arrumar as bikes. Em seguida fomos tomar café e fomos surpreendidos. Não vimos nada exposto! Depois de um tempo veio uma garçonete perguntar o que desejávamos. Perguntamos o que tinha e escutamos um sonoro:
- Cafe con leche o cortado y media luna o tostada.
     Fizemos nossa escolha e recebemos nossos dois cafés com leite e nossas quatro médias lunas (sem nem uma manteguinha!). Perguntamos se tinha suco e ficamos sabendo que sim, mas não estava incluso. Após nosso café da manhã com suco de laranja fomos para estrada.
    Fomos pela estrada até acharmos uma saída para autopista. Descobrimos que a autopista acabava na próxima cidade e recomeçava apenas em "Leones" (cidade a 45km). Como não tínhamos escolha tivemos que ir pela estrada mesmo. O tempo todo pela linha branca e tomando "sacode" dos caminhões e ônibus que passavam.
     O vento estava muito forte e meio de lado. Assim que chegamos em Leones fomos para a autopista. Chegando na autopista conhecemos o que é ambiente insalubre para a prática do cicloturismo. Apesar das condições perfeitas do asfalto, o vento nos jogava para a parte de terra ao lado do acostamento. Era impossível pedalar em linha reta! Pedalávamos à 12km/h e fazíamos muita força para manter essa velocidade. Até brincamos quando chegamos à 15km/h numa descida. Sendo assim, voltamos para estrada assim que possível e mudamos nosso objetivo de Villa Maria para Bell Ville (60km a menos).
     Ao entrar na cidade ficamos no primeiro hotel que vimos. A Cris foi tomar banho e eu fui comprar nossa comida no posto de gasolina ao lado do hotel. Jantamos pizza e sanduíches e fomos dormir.
Gastos:
- Hotel: R$55,00   - Suco: R$2,60   - Almoço: R$18,30   - Janta: R$17,70
Estatística:
- Distância: 113,12km   - Tempo: 6h45min12'   - Média: 16,5km/h
Condições da estrada:
- Medianas e sem acostamento.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

25º Dia - Rosário - Armstrong - 11/12/10 - Sábado

     Acordei às 7h e chamei a Cris, mas ela pediu mais uns minutinhos. Sendo assim, levantei, levei minhas coisas para o saguão do hostel e comecei a arrumá-las. Quando estava quase terminando fui chamar a Cris novamente e ela disse que não conseguiria levantar pois estava com muita cólica. Desta maneira, levei minhas coisas para o quarto novamente e fui deitar um pouco com ela.
     Levantamos às 9h30min para tomarmos café. Durante o café conversamos para ver se ficávamos mais um dia em Rosário ou tentávamos pedalar o que desse, mesmo com a Cris sentindo dor. No fim optamos por arriscar e ver onde chegaríamos.
     Arrumamos tudo e ao meio-dia começamos as nossas pedaladas do dia. A saída da cidade e o início da estrada não foram dos melhores, mas em seguida começou a "autopista" (via expressa paralela à estrada) e tudo melhorou. Um acostamento largo com um bom asfalto fez com que o nosso pedal rendesse muito. O único problema é que não existe nenhum tipo de comércio ou vilarejo na autopista.
     Assim que vimos a placa de " Cañada de Gomez" (objetivo que havíamos traçado - uns 80km) saímos da autopista e fomos para a estrada. Neste momento notamos que o vento estava nos ajudando bastante durante a tarde. Procuramos hotéis e não achamos nenhum que fosse como queríamos (muito ruins ou muito caros). Sendo assim, seguimos para a próxima cidadezinha pela estrada mesmo, pois ficamos sabendo que era uns 20km de distância. O problema é que a estrada não possui acostamento.
     Enquanto fazíamos este trajeto começou a virar o tempo e conseguíamos avistar uma neblina de chuva se aproximando. Pouco a pouco ela ia tomando conta dos pontos que tomávamos como base para perceber sua aproximação. Como não queríamos mais um dia de molhaçada e barro, aumentamos o ritmo e fomos nos distanciando da "tormienta".
     Ao chegar em Armstrong começamos a busca por hotel e achamos um bem bonitinho. Tomamos banho, comemos umas laranjas e sanduíches e fomos atualizar o blog. Às 23h fomos dormir para tentar acordar cedo e chegar em Villa Maria amanhã.
Gastos:
- Hotel: R$84,00   - Super: R$2,80
Estatísticas:
- Distância: 102,71km   - Tempo: 5h12min26`  - Média: 19,5km/h
Condições da estrada:
- Autopista excelente, mas a estrada não possui acostamento.

24º Dia - San Nicolas - Rosário - 10/12/10 - Sexta-feira

     Acordamos cedo (apesar de ter dado uma louca no celular de ficar mudando de horário sozinho e não tocar o despertador), tomamos nosso café da manhã no hotel (meio mirrado esse café!) e voltamos ao quarto para mais uma recostada. Levantamos às 9h30min, arrumamos tudo, fomos ao super para comprar água e mais uma vez fomos à estrada.
     A previsão do tempo era de chuva para a parte da tarde, mas o pessoal errou! Depois de uns 20min pedalando na estrada a "tormienta" começou a se formar. Do nada começaram rajadas de vento extremamente fortes (que as vezes nos empurrou para o gramado ao lado do acostamento) e aos poucos veio a chuva e raios. Para nossa sorte estávamos chegando num viaduto (igual aquele que paramos dias atrás para fugir do sol) e decidimos nos abrigar um pouco.
     Assim que paramos, colocamos nossas jaquetas impermeáveis, casacos para frio e a Cris colocou a calça impermeável também. Como parecia que não ia passar tão cedo, optamos por abrir um isolante térmico para sentarmos. O vento era tão forte que nós estávamos em baixo do viaduto e atrás das bikes e assim mesmo vinha chuva. A temperatura caiu bruscamente, tanto que de uma hora para outra começou a sair "fumacinha" da nossa respiração. 
     A situação continuava nada boa , então fomos pegar a cobertura da nossa barraca que é impermeável. Ao nos levantarmos quase fomos levados pelo vento (exagerandop um pouco..rs..). A Cris nos protegia com o isolante térmico enquanto eu pegava a cobertura da barraca. Ficamops uns 20min sentados no isolante e tapados com a cobertura da barraca até que diminuísse a tempestade.
     A chuva parou, o vento diminuiu e lá fomos nós novamente. Assim que voltamos à estrada vimos dois carros que tinham sido "jogados" pelo vento na vala que separa as duas pistas (parecido com a freeway). Acertamos em parar! Hoje o percurso era pequeno (uns 70km), sendo assim não tínhamos muita preocupação com o fator tempo, ainda mais por já ter hospedagem confirmada e gratuita no Hostel Las Casonas de Don Jaime em Rosário. Desta maneira fomos pedalando tranquilamente, até mesmo o vento a favor nos fazia ficar entre 23km/h e 27km/h em grande parte do tempo. O único problema é que durante toda pedalada foi sol, chuva, sol com chuva, chuva com sol, vento e todas outras combinações possíveis!
     Chegamos no hostel imundos! Fizemos nosso check in e, antes de entrarmos com as bikes e bagagens, fomos numa lavagem de carro para darmos uma mangueirada em tudo. Assim que voltamos ao hostel nos instalamos, tomamos um banho e já saímos para ir no super comprar comida.
     Voltamos ao hostel, cozinhamos uma massa com molho bolonhesa, fizemos nossos tradicionais sandubas (desta vez não tão tradicionais, pois usamos o molho com guisado ao invés de mortadela nos do Moacir) e fomos para o computador falar com o pessoal.
     Enquanto escrevo, a Cris fala com a Zig. Em seguida transcreveremos alguns relatos para o blog e depois vamos dormir, pois amanhã a pernada é longa (uns 145km).
Gastos:
- Água: R$3,20   - Super: R$50,10
Estatísticas:
- Distâmcia: 71,11km   - Tempo: 3h13min51'   - Média: 21,8km/h
Condições da estrada:
- Ótimas, mas assim que deixou de ser pedagiada ficou ruim.