terça-feira, 16 de agosto de 2011

263° Dia – Cartagena (Barú) – 06/08/2011 – Sábado


     Hoje acordamos cedo, pois estávamos animados para conhecer a Playa Blanca, uma praia que haviam nos dito que era muito bonita. Após o desayuno, pegamos o nosso kit praia e fomos para a parada de ônibus. Ao chegarmos lá, perguntamos se o ônibus para Passacaballos parava ali. Recebemos a informação de que sim, mas que demorava muito. Sendo assim, abrimos o nosso guarda-sol Eclipse e esperamos.
     Poucos minutos depois a abertura do Eclipse, já percebíamos algumas pessoas se aproximando para fugir do sol escaldante. O mais engraçado, era que elas ficavam fingindo que não estavam ali por causa da sombra. Demos muito risada de tudo isso e complementamos o nome dele para Eclipse – o guarda-sol da amizade!
     Ficamos uns 15min esperando o ônibus e, como estranhamos a demora, perguntamos para os donos de uma vendinha se o buse realmente parava ali. Eles nos disseram que sim e se prontificaram a nos avisar quando ele passasse. Poucos minutos após, eles gritaram para o motorista que estava do outro lado da rua para que este parasse e nos mandaram correr até lá. Sai correndo, desesperada, para fazer o ônibus esperar enquanto o Moacir fechava o Eclipse.
     Felizmente, conseguimos pegar o ônibus e sentar em um lugar na sombra. O calor estava insuportável e as nossas roupas ficaram encharcadas durante a viagem. Uma hora após entrarmos no ônibus, chegamos à cidade satélite de Cartagena, Passacaballo. Ao descermos, seguimos as placas até o ferry boat.
     Assim que chegamos na beira do rio, percebemos que o “ferry” era uma pequena balsa que os locais usavam para atravessar os 100m de rio. Entramos na balsa e abrimos o Eclipse. Mais uma vez, o guarda-sol da amizade atraiu muitas pessoas, o que nos ajudou a passar o tempo da travessia.
     Quando chegamos na outra margem do rio, fomos nos informar sobre o transporte que nos levaria até a beira da praia. Ficamos surpreendidos ao saber que o único meio de transporte corrente era o moto-táxi. Na Colômbia, o moto-táxi não é um carrinho carregado por uma moto (como no Peru), mas sim, um motoqueiro que te leva na garupa e ainda te cobra por isso (hehehe). Como não tínhamos alternativa, subimos nas motos e fomos para a praia.
     Durante o percurso, percebemos que não existe direção defensiva neste país, pois quase desloquei uma vértebra cervical e o Moacir quase voou da moto. No fim das contas, tudo saiu bem e chegamos a salvo. Os motoqueiros nos deixaram no estacionamento da Playa Blanca e nos indicaram a trilha até o mar.
     Assim que chegamos na praia, ficamos boquiabertos: o mar era igual àquelas propagandas do Caribe que tantas vemos na televisão e nunca imaginamos encontrar de verdade. Montamos acampamento, super empolgados, e nos jogamos no mar. A água estava morna e transparente, não dava vontade de sair.
     Depois de murcharmos meia hora dentro da água, fomos tirar algumas fotos da praia. Durante a sessão fotográfica, deixei a câmera subaquática e o óculos de natação do Moacir em cima de um tronco de árvore. Quando paramos de fotografar, fomos procurar os equipamentos e eles não estavam mais lá.
     Ficamos chocados com a velocidade com que as coisas aconteceram e deduzimos que alguém deveria ter passado e levado tudo. Começamos a procurar por todos os lados e até recebemos ajuda de um vendedor que se comoveu com o nosso dilema. Após alguns minutos, o Moacir encontrou a câmera boiando na beira do mar. Ficamos aliviados e começamos a vasculhar o mar para encontrarmos os óculos, mas não obtivemos sucesso. O mar havia levado os óculos mas, pelo menos, havia nos devolvido a câmera.
     Resolvemos esquecer o óculos e ficar agradecidos por não termos perdido a câmera (pois havíamos comprado-a, principalmente, para levarmos para San Andrés, viagem que faremos amanhã). Voltamos a aproveitar a praia e o mar caribenho.
     Depois de algum tempo dentro d'água, o Moacir avistou um menino com um óculos igual ao dele. Como o óculos foi comprado no Equador e não existe essa marca na Colômbia, ele foi perguntar para o menino se este havia achado os óculos e se oferecer para comprá-lo de volta. Surpreendentemente o menino negou que havia achado o óculos e rechaçou a proposta do Moacir.
     Ficamos indignados com a mentira, mas pensamos: tudo bem, vamos fazer uma criança feliz. Seguimos na praia, aproveitando o mar e tirando muitas fotos. No meio da tarde, o menino dos óculos do Moacir passou por nós. O Moacir repetiu a oferta de comprar os óculos e ele deu uma risadinha irônica, dizendo que não iria vender os óculos que o pai dele havia comprado. Esta atitude do garoto despertou a ira do Moacir. A partir daí, ele não parava de falar que se não fizesse nada, o menino iria se transformar em bandido (entre outras coisas).
    Ficamos observando o garoto e percebemos que ele era familiar de um pessoal que fazia passeio em banana-boat. Durante o resto da tarde, ele entregou os óculos para os adultos cuidarem e fomos obrigados a ver os óculos desfilando ante os nossos olhos. Mas o Moacir estava decidido a não deixar as coisas assim.
     Logo que a equipe da banana-boat encerrou suas atividades, o Moacir foi falar com o rapaz que estava com os óculos. No princípio ele tentou negar e inventou uma outra história sobre a compra do óculos. Para a nossa sorte, apareceu um amigo dele que era honesto e disse para ele devolver o óculos, pois o menino havia encontrado ele no início do dia. Após essa situação constrangedora, o Moacir ofereceu comprar os óculos por R$5,00 em troca do rapaz ensinar as crianças a dizer a verdade. Neste clima de vergonha e resignação, o Moacir pagou o resgate e recebeu o seu óculos de volta. Como em todos os lugares em que passamos, sempre há alguém honesto e generoso para nos mostrar que nem tudo está perdido.
     Após toda esta confusão, o Moacir foi dar uma buceada e, quando ele voltou, arrumamos tudo para partirmos. Caminhamos até o estacionamento onde havíamos sido deixados e, assim que chegamos, vimos que não tinha moto-táxi, só um ônibus velho e lotado. Enquanto discutíamos sobre o que fazer, uma senhora de dentro do ônibus nos disse que poderíamos pegá-lo até o povoado e, tomarmos um moto-táxi lá. Aceitamos a oferta e agradecemos.
     O caminho foi tranquilo, apesar do “sacolejo” do ônibus e da poeira nas motos. Fizemos todo o caminho de regresso e, às 19h, chegamos ao hostel. Como estávamos exaustos da viagem, tomamos banho, postamos os relatos atrasados, jantamos o restante da comida que havíamos comprado nos últimos dias e fomos dormir. Amanhã teremos que acordar cedo para arrumarmos tudo para estarmos no aeroporto às 10h, rumo a nuestra LUNA DE MIEL!
Gastos
- Hostel: R$42,00 - Translado de ida e volta a Barú: R$37,80 - Suco: R$2,00 - Supermercado: R$62,00 - Resgate dos óculos: R$5,00

2 comentários:

  1. Putz... que desagradável essa situação dos óculos! Mas as fotos estão demais!!! Incríveis!!
    Beijos ao casal,
    Boni

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