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quarta-feira, 30 de março de 2011

130°Dia – Passamayo – Huacho – 26/03/2010 – Sábado

     Acordamos com as pernas um pouco pesadas, pois a pedalada de ontem nos cansou bastante. Tomamos nosso café, demos uma dormidinha e depois começamos nossas pedaladas. As subidas e descidas eram constantes e exigiam bastante do nosso preparo que está um pouco debilitado, pois ficamos bastante tempo parados em Lima. Como tínhamos tomado café cedo, a fome já estava se manifestando.
     Paramos num restaurante de um posto de gasolina e pedimos um “arroz chaufa de pollo” (risoto de galinha) para dividirmos. O pedido foi ideal, pois o prato que veio era imenso! (se tivéssemos pedido um para cada não conseguiríamos pedalar depois de comer tudo aquilo) A comida estava muito saborosa e foi a medida exata para nos saciar sem ficarmos “pesados”.
Chão um pouco seco
     Voltamos para a estrada e o sobe e desce não parava. Não era tão íngreme e extenso como ontem, mas tinham algumas dunas bem grandes no nosso caminho. Para nossa sorte, existia uma neblina que, além de nos proteger do sol, deixava a temperatura ambiente excelente para pedalarmos.
     Quando estávamos chegando emHuacho, ficamos na dúvida de entrar na cidade ou ficar em algum hostel de beira de estrada. Foi então que a Cris disse que 5Km a mais não fariam diferença e que com este pequeno desgaste nós conheceríamos uma nova cidade. Sendo assim entramos na cidade e nos alojamos num hotel bem no centro da cidade.
     O hotel (Hotel Central) é de uma japonesa que morou alguns anos em São Paulo e hoje vive no Peru. Ela nos acolheu muito bem e nos deu um dos melhores quartos do hotel. Instalamo-nos e fomos conhecer um pouco da cidade. Antes, jantamos um delicioso talharim saltado (com iscas de carne com cebola, pimentão e gengibre) no restaurante do hotel. Em seguida, pegamos um moto taxi e fomos até o supermercado principal da cidade que fica bem na orla. Infelizmente já estava escuro e não conseguimos ver como é a orla daqui, mas conseguimos comprar todos os mantimentos que queríamos para a pedalada de amanhã.
     De volta ao hotel, vimos um pouco de televisão e fomos dormir, pois estávamos exaustos.
Gastos:
- Hostel: R$20,00   - Almoço: R$7,66 - Supermercado: R$22,00 - Janta: R$10,70 - Moto taxi: R$2,00
Estatísticas:
- Distância: 75,4Km   - Tempo: 4h40min55” - Média: 16,04Km/h
Condições da estrada:
- Excelentes, sendo um acostamento largo e com um asfalto em ótimas condições.

129°Dia – Callao – Passamayo – 25/03/2010 – Sexta-feira

Viemos lá da praia!
     Acordamos sem dor alguma e decidimos continuar as pedaladas. Quando estávamos equipando as bikes com os alforges, percebemos que o bagageiro traseiro da minha bicicleta estava quebrado. Não havíamos notado antes e ficamos na dúvida de quando quebrou. Como tínhamos que dar um jeito para podermos seguir viagem, passamos uma fita (por sorte era uma parte vertical que facilmente pudemos unir) e seguimos preparando tudo.
     Saindo de Callao ainda pegamos uns 25Km de tumulto urbano. Neste trajeto, o fluxo de veículos era intenso e o acostamento (quando existia) tinha um asfalto muito ruim ou então era areia pura. Por alguns instantes pedalamos por uma via paralela à estrada para podermos ter um pouco menos de estresse. Passamos por algumas oficinas que tinha solda, mas nenhuma soldava alumínio. Chegamos a parar para perguntar, mas indicaram um beco meio suspeito, sendo assim preferimos continuar pedalando com a nossa gambiarra mesmo.
Areia e mais areia
     Após esta parte urbana, finalmente chegamos ao deserto novamente. O acostamento melhorou muito, se tornando numa faixa larga de asfalto muito bem conservado. O sol estava radiante e o calor era intenso. Vimos uma grande duna no horizonte e uma bifurcação na estrada que apontava “Variante” para um lado e “Serpentin” para outro. Ficamos na dúvida para onde continuava a estrada e acabamos seguindo para o lado do “Variante” (mais tarde nos arrependeríamos). Cada vez mais nos aproximávamos da imensa duna e começamos a perceber que a estrada subia por ela.
     Assim que começamos a subir, não paramos mais. Foram, aproximadamente, 40min de uma forte e constante subida. Acreditamos que por estar um tempo considerável sem pedalar, sofremos ainda mais. Chegando no topo, paramos para recuperar o fôlego, tomar uma água e apreciar a bela paisagem. Podíamos ver um pequeno vilarejo que havíamos passado,o Pacífico até perder de vista no horizonte e a imensidão do deserto até as montanhas. Depois de alguns momentos de descanso, seguimos viagem, pois ainda tinha muito pela frente.
Acima das nuvens
     Nesta região, a tormenta precede a calmaria. Assim que voltamos a pedalar, pegamos uns quilômetros de predominância de descida pela frente. Depois desses instantes de “descanso”, começou mais uma subida. Estávamos tão alto que podíamos ver de cima a gigantesca neblina que vem do Pacífico e invade o continente. Parecia que pedalávamos nas nuvens.
     Descendo o morro, começamos a ver um vale e, como já estava caindo o sol, decidimos que era ali mesmo que passaríamos a noite. Fomos nos aproximando e vimos uma placa que indicava Huaral (primeira placa do dia que citava o nome da cidade que era o nosso objetivo do dia). Como teríamos que entrar uns 10Km para chegar à cidade, optamos por continuar na estrada. Sabíamos que mais afrente teria a cidade de Chancay e que, na pior hipótese, iríamos até lá. Por sorte, a informação que obtivemos de um motorista estava correta e, após andar uns 3Km, encontramos um hostel num posto de gasolina.
Por-do-sol no Pacífico
     Instalamo-nos, tomamos banho e já saímos para jantar. Na ida para o restaurante, ainda passamos numa fruteira para pegarmos algo para o nosso desayuno. Escolhemos um no meio de tantos restaurantes e degustamos novos pratos da culinária peruana. Pedi um seco de cordero com yuca e camote (carne de cabrito com um molho bem diferente, aipim cozido e um tipo de batata que tem cor de cenoura e textura e gosto de abóbora) e a Cris pegou um bonito frito com frejoles (bonito é um tipo de peixe e frejoles são feijões brancos). A comida estava deliciosa e saciou a nossa fome e mente. Durante a janta, perguntamos para a garçonete o que era “Variante” e “Serpentin”. Ela nos disse que a Panamericana se dividia em duas, sendo uma por cima das dunas e outra, mais curta, pela orla! Na próxima vez, pegaremos a serpentin!
     Voltamos para o hostel, deixamos tudo já meio arrumado para amanhã e fomos deitar.
Gastos:
- Hostel: R$13,40- Frutas: R$1,67 - Janta: R$18,00
Estatísticas:
- Distância: 63,29Km- Tempo: 4h43min46” - Média: 13,38Km/h
Condições da estrada:
- Início muito ruim, com trechos sem acostamentos ou com asfalto em péssimas condições. Assim que acabou a zona urbana, o acostamento ficou muito bom, largo e com um asfalto bem liso.

terça-feira, 29 de março de 2011

128°Dia – Callao – 24/03/2010 – Quinta-feira

     Hoje acordamos cedo, tomamos café e começamos a nos arrumar para pegar a estrada. Enquanto nos arrumávamos, a Cris começou a sentir um pouco de dor de dente novamente, mas agora nos dentes de baixo. Preferimos darmos uma dormida para esperar e ver se continuariam as dores. Após acordarmos, a Cris continuava com as dores. Sendo assim, decidimos ficar mais um dia e irmos ao dentista novamente.
     Arrumamo-nos para sairmos para almoçar e já aproveitar para ligar para o consultório odontológico para tentar marcar uma consulta para hoje. Fomos a um locutório próximo ao hostel e tivemos uma notícia boa e outra ruim: havia horário, mas somente às 20h! De consulta marcada, fomos almoçar. Após comermos num restaurantezinho próximo, voltamos ao hostel para matar um pouco de tempo. Lembramos que o shopping que tem em frente ao hostel tem wifi. Pegamos o notebook e fomos lá. Sentamos numa escada na parte externa no shopping e ficamos navegando um tempo.
     De volta ao hostel, vimos um pouco de televisão e descansamos um pouco. Se aproximando do horário da consulta, iniciamos a peregrinação até a AvAngamos. Ao se aproximar do ponto de “carros”, vi que havia uma linha com “AvAngamos” escrito em sua lateral. Esperamos o próximo carro igual e perguntamos se passava onde queríamos e recebemos uma resposta positiva. Assim, embarcamos e ficamos muito felizes em saber que a epopeia seria facilitada por termos que pegar só um “carro”. Após 1h20min de viagem, chegamos ao nosso destino. Como ainda faltava mais de uma hora para a consulta, passamos numa lanhouse para atualizar os blogs. Depois de 40min, fomos para o consultório.
     Depois de uns 5min, a Cris foi chamada. Desta vez, havia levado o notebook para aproveitar o tempo e ficar escrevendo alguns relatos, porém, assim que liguei, percebi que tinha wifi e fiquei atualizando a parte de “hospedagens” do blog. Depois de 1h30min, a Cris sai do consultório com o rosto um pouco inchado e ainda sob o efeito da anestesia. Pagamos e nos dirigimos rapidamente para o paradero do carro, pois passava somente até às 21h. Conseguimos pegar o carro que queríamos e demoramos 1h até chegar ao hostel.
     Chegamos e deitamos um pouco para esperar passar o efeito da anestesia para sairmos para jantar. Saímos às 23h e tudo já estava fechado. Conseguimos achar um restaurante aberto próximo ao hostel e ficamos para cenar. Comemos e retornamos ao hostel para dormirmos e torcer para amanhã acordarmos bem e podermos continuar a expedição.
Gastos:
- Hostel: R$17,40   - Ônibus: R$4,40   - Almoço: R$16,00   - Supermercado: R$3,20   - Dentista: R$280,00   - Janta: R$18,70

127° Dia – Callao - 23/03/2010 – Quarta-feira

     Acordamos, tomamos nosso café e a Cris continuava com dor de dente. Sendo assim decidimos que teríamos que procurar algum dentista! Saindo do hostel, fomos até a parada de ônibus e perguntamos para um homem qual o carro (aqui eles chamam as vans de transporte coletivo de carro) que teríamos que pegar para chegar até a Fortaleza Real Felipe. Ele disse que estava indo para perto e que poderíamos pegar a mesma condução que ele. Assim que acabou de falar, chegou o “carro” e embarcamos. Passamos a viagem toda conversando. Ele nos contava sobre a diversificada culinária peruana e sobre suas viagens ao Brasil. Depois de muito conversar, chegamos ao ponto de desembarque. Assim que descemos, ele nos disse que um colega de trabalho estava passando ali para pegá-lo e que eles poderiam nos levar a fortaleza. Aceitamos a oferta e, assim que o amigo de Roni chegou, embarcamos em seu carro.  Chegando na fortaleza, o Roni ainda desceu do carro para verificar se estavam abertos ao público e nos entregou um papel com seu número de telefone, nome completo e e-mail para que entrássemos em contato se tivéssemos algum problema. Depois de agradecemos muito toda a ajuda, nos despedimos e entramos na fortaleza. O tour guiado começaria em instantes, então ficamos esperando um pouco na entrada do museu. A guia passou conosco praticamente em toda a fortaleza. Mostrou-nos a masmorra em forma de ferradura, onde os presos eram muito numerosos para um espaço extremamente pequeno, eram alimentados uma vez por semana e ainda recebiam banhos de água escaldante para tirar o cheiro de podridão do ar. Passamos por inúmeras salas com artefatos históricos, locais com armas antigas e subimos até o topo de uma das torres principais. Gostamos bastante da visita, muito legal! Saindo da fortaleza, a Cris começou a sentir uma forte dor no dente. Fomos procurar numa farmácia as “pastilhas para dor de dente” que o Roni havia nos indicado durante a viagem. Vimos que as pastilhas nada mais eram do que paracetamol. Compramos uma e fomos almoçar num restaurantezinho ali perto. Após comermos, pegamos um carro e fomos até a Av Arequipa (zona comercial da cidade). Desembarcando na esquina da Av Arequipa com a Av Angamos, vimos o supermercado Plaza Vea e fomos comprar escova e pasta de dente para que a Cris pudesse se escovar antes de irmos ao dentista. Enquanto ela estava no banheiro, avistei uma loja de bike. Assim que ela saiu, fomos até a loja e compramos um novo selim e outros equipamentos que estávamos precisando. Saindo da loja, perguntamos se eles conheciam algum dentista próximo e responderam que existia um no prédio ao lado. Estávamos com sorte! Tocamos no interfone e pedimos para subir. Para comprovar a nossa sorte, o dentista podia atender a Cris naquele momento. Depois de uma hora de consulta (eu fiquei mais dormindo do que acordado no sofá da recepção) e tudo “consertado”, fomos pegar um carro de volta.
     Chegamos na parada e perguntamos para uma mulher qual o carro poderíamos pegar. Depois de se assustar, disse que poderíamos ir com ela até um pedaço do caminho e depois teríamos que pegar um outro. Após alguns instantes, chegou a condução e embarcamos. Devido ao horário, o trânsito estava mais louco e trancado do que o comum. Demorou um pouco, mas chegamos até o ponto em que teríamos que desembarcar. Saindo do carro, a mulher já foi perguntar para várias pessoas qual era e onde teríamos que pegar o próximo. De repente parou um que poderíamos pegar e, após nos despedirmos e agradecermos, subimos no carro. Depois de mais uma hora, chegamos até o nosso hostel.
     Como a Cris não conseguia mastigar direito, passamos no supermercado para comprar frutas e pães. Na saída, ainda pegamos uma batida de morango para complementar a janta (infelizmente estava muito ruim!). Voltamos para o hostel, devoramos a meia melancia que compramos e agora escrevo enquanto a Cris vê um pouco de televisão. Tomara que amanhã ela acorde sem dor e possamos seguir viagem. Obs: Aqui no Peu é engraçada a questão de pedir informação às pessoas na rua. Em algumas oportunidades as pessoas nem nos olharam na cara quando abordamo-las e, outras vezes, as pessoas fizeram muito além do que pedíamos e esperávamos. Não conseguimos formar um padrão para esta distinção, sendo que pessoas humildes como pessoas que ostentavam mais passaram pelas duas extremidades.
Gastos:
- Hostel: R$17,40   - Dentista: R$200,00   - Ônibus: R$5,20   - Almoço: R$21,70   - Supermercado: R$18,40   - Remédios: R$20,30


segunda-feira, 28 de março de 2011

126° Dia – Lima – Callao - 22/03/2010 – Terça-feira

     Hoje acordamos às 9h e começamos a arrumar tudo para sair de Lima. Tomamos o nosso último café da manhã no hostel, montamos as bikes, agradecemos ao pessoal da recepção pelo excelente atendimento que nos prestaram (indicamos o Lima Hostel para todos aqueles que forem visitar a cidade!) e começamos a nossa viagem pela beira-mar. O nosso objetivo era chegar até Huaral, mas as condições das ruas na saída da capital não permitiram. Já no início da viagem o trânsito se mostrou completamente desorganizado. As pessoas não respeitavam as “preferenciais”, os semáforos e, até mesmo, aos policiais. A bagunça era generalizada. Como não havia acostamento, procurávamos ficar na linha branca da rua, mas os carros só buzinavam e nos jogavam para cima da calçada. Em alguns trechos, avistávamos ciclovias e pedalávamos até elas, mas em menos de 300m elas já acabavam por alguma reforma ou pela presença de algum estacionamento de carros. Aguentamos pedalar nessas condições precárias e estressantes até a saída de Callao. Em Callao ainda passamos por uma situação bizrra quando o Moacir pediu informação para outro ciclista. O homem não falava nada, simplesmente fazia sinal negativo com a cabeça frente às perguntas que o Moacir fez. Sendo assim, só nos restou agradecer ao auxílio e seguir viagem. Quando estávamos cruzando a estrada Panamericana Norte, fui levantar a minha bike (Cris) para descer a calçada sem estragar o bagageiro e o meu banco quebrou (rompeu o trilho). Já estávamos cansados, estressados, eu estava com dor de dente desde ontem e os equipamentos começavam a nos boicotar. Foi aí que percebemos que já era hora de “jogar a toalha”, instalarmo-nos em qualquer hostal da beira da estrada e descansarmos para amanhã resolvermos os problemas.
     Foi isso que fizemos. Assim que nos instalamos, dormimos um pouco e, em seguida, nos arrumamos para sair. Fomos até o shopping Plaza Norte que fica na frente do nosso hostal para vermos se achávamos alguma loja de bikes. Como não encontramos nada, passamos no supermercado para comprarmos mantimentos para amanhã e fomos jantar. Comemos em um restaurante bem legal (Rústicos), com videokê, música ambiente e uma decoração bem divertida com fuscas pendurados no teto, poltronas de zebrinha nas mesas e todo iluminado como se fosse uma discoteca. A comida estava excelente, apesar de não termos arriscado nada diferente hoje. Comemos uma parrilla e um prato com lasanha, ravioles e massa fusilli a Alfredo, uma delícia!
     Assim que jantamos, voltamos para o hostal e nos preparamos para dormir. Agora estou escrevendo o relato enquanto o Moacir assiste esportes na TV. Pretendemos acordar cedo amanhã para comprar tudo para as bikes, procurar um dentista (se eu não melhorar) e conhecer o porto de Callao. Os “problemas” de hoje pelo menos serviram para que possamos conhecer um pouco melhor a cidade de Callao e a famosa Fortaleza Real Felipe!
Gastos:
- Hostel: R$17,40   - Supermercado: R$7,45   - Janta: R$33,35
Estatística:
- Distância: 24,61Km   - Tempo: 1h 51min 23”   - Média: 13,25Km/h
Condições da Estrada:
- Muito ruim: trânsito desorganizado, buracos e ausência de acostamentos.

sábado, 26 de março de 2011

125° Dia – Lima – 21/03/2010 – Segunda-feira

Igreja de São Francisco de Assis
     Acordamos cedo para aproveitar o último dia em Lima e conhecer os pontos turísticos que faltavam. Tomamos nosso café da manhã e nos arrumamos para partir. Saímos do hostel em direção à Plaza de Armas para conhecermos a Catedral de Lima por dentro e as famosas catacumbas!
      Pegamos o ônibus e, rapidamente, estávamos no centro da cidade novamente. Chegando na Catedral, vimos que estava aberta para visitação. Assim que entramos, pudemos notar que era um local simples e, ao mesmo tempo, imponente. A primeira parte que visitamos foi uma capela onde os restos mortais de Francisco Pizarro (fundador de Lima) estão depositados. Eles realmente idolatram este importante personagem da história peruana!
      Continuando nossa visita, passamos por inúmeros altares de diversos santos. A Catedral toda é uma mescla de estilos, sendo que o Colonial e o Renascentista são os mais notórios. Ainda passamos no museu de artigos religiosos e, por último, ficamos admirando o impressionante trabalho feito em madeira no altar principal.
Altar da Catedral
      Havia outras duas construções anteriores da Catedral no mesmo local que ela existe atualmente. A terceira, e última construção, demorou 38 anos para ser finalizada e resiste até os dias de hoje.
     Pensávamos que veríamos as catacumbas na Catedral, mas ficamos sabendo que era no convento de São Francisco. Desta maneira, nos dirigimos para lá. Primeiro visitamos a igreja de São Francisco e pudemos observar um estilo completamente diferente da Catedral e de qualquer outra igreja que visitamos durante a expedição. O teto era todo talhado em madeira e não havia muitas imagens espalhadas pelo altar. Em seguida, fomos ao convento.
     Compramos as entradas e ficamos esperando começar o próximo tour guiado. Depois de uns 5 minutos esperando, nos chamaram. Passamos por inúmeras salas, corredores e biblioteca. Guardaram o melhor para o final: as catacumbas! Descemos uma escadaria e chegamos a corredores estreitos e com o teto baixo que nos levaram até grandes galerias. Pudemos avistar durante todo trajeto inúmeros ossos de todos os tipos. Chegamos em um local com covas que eram utilizavas para depositar os corpos até que fossem decompostos. Estes locais estavam cheios de fêmures, úmeros, tíbias e crânios. Continuamos com o tour até chegarmos no poço onde depositavam os ossos após a decomposição. Era um poço com dez metros de profundidade e uns 2m de raio. A guia informou que calcularam em torno 25.000 ossos depositados nas catacumbas. Esta prática era realizada até meados do século XIX, quando foi proibida pelo governo.
Ruínas de Huaca Pucllana
     Saindo do convento, íamos até a as ruínas de Huaca Pucllana, mas antes demos uma parada para o almoço. Comemos um menu executivo num restaurantezinho próximo à praça. Os pratos eram acompanhados por um refresco de maçã meio diferente e um doce de maracujá um pouco curioso. Depois de comermos, fomos até a Av Tacna, onde pegaríamos um colectivo até as ruínas.
      Depois de perguntar para algumas pessoas qual o colectivo que deveríamos pegar (aqui as pessoas não gostam muito de dar informação), aguardamos um pouco e embarcamos. Conseguimos sentar e fomos aproveitando para observar a cidade, apesar do desconforto causado pelo intenso calor que fazia. Chegando no local que desejávamos, desembarcamos. Caminhamos umas 4 quadras e chegamos nas ruínas.
      Entramos no parque de Huaca Pucllana e ficamos esperando uns 5 minutos até começar o tour pelas ruínas. Estas ruínas possuem uma localização meio curiosa, pois estão no meio da cidade. Por este motivo, cerca de 60% já foi destruído por causa da construção de prédios e ruas e as que estão conservadas estão soterradas num morro que já foi utilizado como lixão e como pista de moto cross. As ruínas, que foram descobertas em 1982, ainda estão em processo arqueológico, pois mais da metade ainda está debaixo da terra.
Concha nas construçðes
      Estas ruínas são do povo Lima que viveu aqui em torno de 400 a 700 depois de Cristo. Esta pirâmide era a residência do sacerdote e era utilizada para controlar a região, pois ficava perto ao mar (onde vivia a população) e tinha vista para as principais entradas do vale. Os Lima confeccionavam “tijolos” de adobo (mistura de terra, água, fibras naturais e conchas) para as suas construções, empilhando um a um com um certo espaço entre eles para que a estrutura fosse flexível e suportasse os tremores frequentes que existem nessa região. Estas construções são muito fortes e perduraram até hoje devido ao clima da região, pois a chuva é extremamente escassa (o guia falou que as poucas gotas que caíram ontem enquanto estávamos na feirinha era considerado um dilúvio para a cidade).
      Saindo do parque, fomos ao supermercado para comprar os mantimentos necessários para a pedalada de amanhã. Após comprarmos tudo, pegamos um táxi de volta ao hostel. Chegamos de volta à casa, arrumamos tudo e fomos cozinhar. Enquanto cortava a carne e a cebola, a Cris falava com família e amigos no MSN. Depois fui buscar as roupas que havíamos mandado para lavar e a Cris assumiu o comando da cozinha. Ela acabou de fazer o nosso strogonoff. Assim que comemos, fomos descansar um pouco para que amanhã consigamos acordar cedo para pedalarmos.
Gastos:
- Almoço: R$9,40 - Ônibus: R$4,00 - Museus: R$22,70 - Ruínas: R$13,40 - Água: R$1,00 - Supermercado: R$19,70 - Taxi: R$3,40 - Roupas: R$4,80

sexta-feira, 25 de março de 2011

124° Dia – Lima – 20/03/2010 – Domingo

     Hoje acordamos cansados da maratona de ontem. Como o dia estava nublado, aproveitamos para descansar um pouco e realizar alguns serviços administrativos. Ficamos na sala de televisão do hostel atualizando o blog e vendo algumas notícias na internet. De repente chega a dona do hostel e uma das mulheres que trabalha aqui nos apresentou. Ela ficou encantada com a expedição e, após perguntar para a funcionário se havia disponibilidade de quartos, mandou que nos passassem para um quarto privativo (na hora não acreditamos no que ouvimos!). Depois desta ótima notícia, ficamos mais um tempo na sala de televisão finalizando nossos trabalhos e esperando nosso novo quarto.
     Após nos instalarmos na nova habitacion, saímos para conhecer um pouco mais do bairro Miraflores. Caminhamos até uma zona cheia de restaurantes, onde avistamos um toldo com a bandeira do Brasil. Fomos direto a este para ver o cardápio. Não acreditamos quando vimos que tinha feijoada! Quando pedimos uma feijoada para dois, começaram as más notícias. A feijoada tinha acabado, mas ainda havia feijão. Então pedimos dois pratos com feijão. Infelizmente o garçom retornou à nossa mesa informando que não estavam aceitando cartão de crédito (tínhamos pouco dinheiro, sendo que se pagássemos a comida não sobraria quase nada!). Sendo assim, matar a saudade da comida brasileira teve que ficar para outra oportunidade.
     Paramos num outro restaurante para “almoçarmos” (já era 17h). Após comermos, fomos até uma sorveteria para completar a refeição. Em frente havia uma praça com uma pequena feirinha. Enquanto olhávamos os artesanatos começou a chover, percebemos como eles não estão acostumados com a chuva, pois todos estavam desesperados com umas poucas gotas que caíam. Ainda passamos na Ripley e no supermercado antes de retornar ao hostel.
     De volta ao hostel, ficamos de bobeira durante o resto da noite. Agora estou escrevendo enquanto vemos “Friends”. Daqui a pouco faremos um lanche (desistimos de fazer o strogonoff que havíamos planejado) e iremos dormir.
Gastos:
- Almoço: R$36,80 - Comprinhas: R$18,50 - Supermercado: R$19,10

quinta-feira, 24 de março de 2011

123° Dia – Lima – 19/03/2010 – Sábado

Rocoto releno e Chainavita
      O dia de hoje foi típico de turistas. Acordamos cedo e fomos buscar as bikes, pois não sabíamos até que horas a loja estaria aberta (levando em conta que hoje é sábado). Ao chegarmos na loja, revisamos as bikes para ver se estava tudo certo na manutenção, percebemos que elas estavam surpreendentemente limpas e ajustadas. Satisfeitos com o serviço prestado, pagamos e voltamos para o hostel.
     Como havíamos nos programado para conhecer o centro histórico de Lima, deixamos as bikes no hostel e pegamos um ônibus até o centro. Vale dizer que o transporte coletivo da capital é muito seguro e efetivo: as passagens são vendidas em caixas com seguranças nas paradas, e as mesmas são cobradas em estações semelhantes às de metrô (o que evita filas e favorece as pessoas que dependem de mais de um ônibus para se deslocar). Além disso, o preço da passagem urbana é de R$1,00. O único problema é que essas linhas são restritas à algumas regiões, desta maneira, as pessoas acabam dependendo de vans irregulares para se deslocarem dentro dos bairros.
     No ônibus, recebemos informações de diversas pessoas que se disponibilizaram a nos ajudar espontaneamente. Desta maneira, paramos no centro, caminhamos três quadras e nos deparamos com a praça de armas de Lima (Plaza Mayor). Apesar desta não ser muito arborizada, é linda. Os seus jardins são muito bem cuidados, possui uma fonte no centro, inúmeros bancos, além de uma arquitetura incrível a sua volta. Entre os prédios que compõem o entorno da Plaza de Mayor vale ressaltar a Catedral Metropolitana, o Prédio do Governo e os belos prédios administrativos de cor amarela e grandes “balcões” (espécie de sacada de madeira).
      Estávamos encantados com a beleza dos prédios em estilo colonial e mal esperávamos para conhecer os principais pontos do centro histórico. Optamos por começar pela catedral, mas, infelizmente, já passava das 13h e ela estava fechando. Além disso, ficamos sabendo que a maioria dos museus também estariam fechados. Cientes que teríamos que fazer uma visita posterior para conhecer esses pontos turísticos, tiramos algumas fotos dos prédios que passamos e da praça. Seguimos o nosso roteiro em direção da Praça da Muralha, e no caminho paramos para conhecer o museu de literatura que, além de inúmeras exposições literárias e bibliotecas abertas ao público, oferece uma bela vista do rio para aqueles que querem relaxar lendo um bom livro.
Fonte La Magia
     Assim que chegamos na Praça da Muralha, percebemos que esta estava um pouco abandonada e que a muralha só era visível através de pequenas frestas entre as construções modernas. Ficamos um pouco desapontados com a praça, mas mesmo assim resolvemos aproveitar a sombra para descansar um pouco. Ficamos sentados alguns minutos para decidirmos o que faríamos da nossa tarde, visto que os museus estavam fechados.
      Depois de muito discutir, resolvemos fazer um passeio até o Monte San Cristobal, o morro mais alto de Lima (aproximadamente 400m de altitude). Pegamos uma van que fazia o passeio para turistas por R$3,50 e, depois da van dar 5 voltas na quadra atrás de passageiros, seguimos para o nordeste da cidade. Subimos até o monte e admiramos a paisagem de toda a cidade. Pudemos perceber a desigualdade social que existe entre os bairros da capital: de um lado os grandes prédios empresariais e os belos parques turísticos e do outro, casas sem reboco em ruelas minúsculas e sem saneamento. Além disso, observamos a neblina que vem do mar e toma conta da cidade. Depois de meia-hora, voltamos para a van que nos levaria para o centro da cidade novamente.
     Assim que chegamos ao centro, fomos almoçar em um festival gastronômico. Pedimos um prato com pulmão de gado com batatas e outro com pimentão recheado com guisado e uma torta batatas com ovos, mas só o Moacir conseguiu almoçar, pois eu detestei a comida. Dessa maneira, saímos da feira e passamos em uma confeitaria para eu comprar uma empanada e finalizarmos o almoço.
Fonte Arco-iris
      Descansamos um pouco após o almoço e seguimos para o Parque da Águas. Chegarmos ao local no fim da tarde e nos deparamos com belos chafarizes, com jatos de água que se moviam em diferentes direções, formando muitos desenhos. Passeamos pelo parque enquanto anoitecia, paramos alguns minutos para observar um concurso de cães do Kennel Club que estava ocorrendo dentro do parque, e seguimos observando os chafarizes (que agora já estavam iluminados e faziam jogos de luzes com a água). Ficamos encantados com os shows de luzes, as águas transformavam as imagens a cada segundo de maneira surpreendente. Além disso, passamos por chafarizes interativos onde podíamos entrar e passar pelas águas sem nos molharmos, e também brincar em um onde as águas subiam e desciam (no qual o Moacir entrou e se molhou todo). Quando percebemos, já era 22h e nem havíamos jantado.
     Sendo assim, pegamos um taxi e voltamos para o hostel. Estávamos exaustos e nem nos animamos a fazer janta, comemos umas frutas e tomamos um café, e fomos dormir. Se conseguirmos levantar da cama amanhã, iremos conhecer mais o bairro Miraflores!
Gastos:
- Revisão bikes: R$ 88,00 - Ônibus: R$3,40 - Taxi: R$6,70 - Água: R$1,00 - Almoço: R$13,00 - Lanche: R$3,40 - Picolé: R$2,35 - Passeio: R$6,70 - Banheiros: R$1,00 - Circuito Mágico das Águas: R$5,35

domingo, 20 de março de 2011

122° Dia – Lima – 18/03/2010 – Sexta-feira

     Acordamos, mais uma vez, com as curvas e os primeiros raios de sol. Desembarcamos no terminal da empresa, pegamos um taxi e chegamos no hostel sem saber onde dormiríamos hoje. O hostel estava com a previsão de chegada de um grande grupo e não sabiam se haveria espaço para nós. Ficamos esperando por alguma decisão durante 6 horas. Aproveitamos este tempo para atualizar os blogs e facebook e para ficar sabendo da repercussão das notícias que saíram na mídia. Vimos que muitas pessoas escutaram a nossa entrevista da rádio e vimos muitos recados de novos frequentadores do blog.
     Às 13h recebemos a boa notícia que haverá espaço para ficarmos e que nos apoiarão com as quatro noites que solicitamos! Em seguida a notícia, nos instalamos nas devidas habitaciones. Após nos instalarmos, saímos para almoçar num restaurantezinho aqui perto. Entrando no local, percebemos que era um restaurante chique e cheio da onda. Comemos uma deliciosa massa, mas também saiu um pouco mais caro do que estamos acostumados a pagar aqui no Peru. Saindo do restaurante, fomos ao supermercado para comprar os ingredientes para podermos cozinhar e preparar nosso café da manhã nos próximos dias.
     De volta ao hostel, a Cris foi descansar um pouco (dormiu muito mal durante a volta de Huanuco) e fiquei atualizando o blog e falando com o pessoal em Porto Alegre. Às 18h íamos buscar as bicicletas na oficina, mas desistimos por ter que voltar pedalando no horário mais complicado do alucinante trânsito limenho. Sendo assim, ficamos descansando mais um pouco.
     De noite, aproveitamos para conhecer o bairro (Miraflores é um dos melhores bairros de Lima). Fomos caminhando até o shopping Larcomar e passamos por inúmeros cassinos grandiosos. O Larcomar fica em cima dos penhascos a beira mar. Existem vários restaurantes, bares e uma discoteca (100 solis – R$66 de entrada!) no local, se tornando um dos atrativos noturnos da cidade. Impressionamo-nos com a quantidade e velocidade com que a maresia tomava conta do ambiente e imaginamos que seja um excelente local para admirar um pôr-do-sol no Pacífico.
     Voltamos ao hostel, nos preparamos para dormir e cada um foi para o seu lado (continuamos em quartos separados). A Cris ainda tomou banho antes de dormir, mas eu deixei a ducha para amanhã pela manhã.
Gastos:
- Café da manhã: R$ 6,70 - Almoço: R$59,40 - Supermercado: R$39,10 - Remédio: R$6,70

sábado, 19 de março de 2011

121° Dia – Huanuco – Lima – 17/03/2010 – Quinta-feira

      Acordamos às 6h junto com os primeiros raios de sol, pois estávamos nos primeiros assentos do segundo piso do ônibus (com um imenso janelão na nossa frente). As curvas continuavam incessantes e o motorista arrojado. Em um dado momento o trânsito parou e ficamos curiosos para saber o porquê daquela tranqueira. Conforme fomos andando, muito lentamente, vimos uma rocha (que parecia uma bola) de um tamanho inacreditável. O ônibus de dois andares parecia de brinquedo ao lado dela. Ela tomava mais de uma pista e deveria ter uns 4m de circunferência. Passado este pequeno empecilho, a viagem fluiu mais e começamos a entrar em pequenos vilarejos. Instantes depois, já ingressávamos na cidade de Huanuco.
      Desembarcamos e começamos a procurar algum hostel para passarmos o dia e descansarmos um pouco. Caminhamos umas duas quadras em direção à Plaza de Armas e vimos um com boa apresentação e decidimos nos instalar. Largamos o alforge que estávamos carregando e já saímos para procurar o hotel em que a delegação do Grêmio estava hospedada. Para nossa sorte, o hotel do tricolor ficava na Plaza de Armas e estava bem próximo ao nosso hostel.
      Chegando no hotel, procuramos o João Paulo (assessor de imprensa) que era o nosso contato com a delegação. Ele nos atendeu super bem, fez uma entrevista conosco e nos disse para voltarmos um pouco mais tarde, pois os jogadores estariam descendo para o almoço. Sendo assim, voltamos para o hostel (já com as camisetas que o pai mandou pelo João Paulo) e pudemos tirar uma breve soneca.
      Acordamos às 10h, nos fardamos com as camisetas do tricolor (colocamos um casaco por cima para ir até o hotel, pois não conhecíamos os ímpetos da torcida local) e o mesmo pincel atômico que serviu para fazermos a faixa, agora serviria para coletar autógrafos dos jogadores. Chegando ao hotel novamente, ficamos um pouco tímidos de ir falar com o João Paulo, pois o mesmo estava rodeado de integrantes da delegação gremista. Desta forma, sentamos na recepção do hotel e aguardamos um pouco. Em instantes, o João Paulo veio falar conosco e nos deu livre acesso à área restrita à delegação. Ele nos disse que os jogadores já estavam descendo para o almoço e que poderíamos pedir autógrafos e tirar fotos com qualquer um deles. Assim que ele acabou de falar isso, estavam passando o Fernando e o Bruno Colasso. O próprio João Paulo os chamou e tiramos nossa primeira foto com os jogadores.
      Com o gelo quebrado, nos sentamos num local próximo à passagem dos jogadores e ficamos aguardando as próximas vítimas. Enquanto esperávamos, o João Paulo falava com o resto da delegação a respeito da nossa expedição. Em seguida, vieram Lúcio, Carlos Alberto, Victor, Fábio Rochemback e o Vinícios Pacheco. Depois o João Paulo nos chamou para falar com o Renato Gaúcho. Enquanto os jogadores estavam almoçando, voltamos às nossas cadeiras para esperar o retorno deles e angariar mais algumas fotos e autógrafos. Neste momento, o Luís Vágner (Supervisor de Logística) veio falar conosco e nos entregou os ingressos para o jogo. Todos foram muito receptivos e atenciosos conosco, sendo que alguns ficaram curiosos em saber um pouco mais sobre a nossa expedição. Ainda durante o almoço dos jogadores, o Leonardo Oliveira (repórter do ClicEsporte) veio fazer uma reportagem conosco.
      Assim que acabou o almoço, falamos com o Douglas, o Borges e o Rafael Marques. E ainda o preparador físico, Flávio de Oliveira, veio conversar com a gente para saber como estava sendo a nossa pedalada e como era o nosso dia a dia. Após alguns instantes a nutricionista, Roberta, nos convidou para almoçar, mas como achávamos que já estávamos abusando, recusamos a oferta e agradecemos. Percebendo que já estava na hora de darmos um pouco de sossego à delegação, nos despedimos do João Paulo e agradecemos por toda recepção e acolhimento que ele nos proporcionou.
     Na volta ao hostel, decidimos que seria uma boa comermos algo leve para não irmos para o jogo com o estômago cheio. Queríamos uma pizza, mas rodamos a parte central da cidade e não achamos. Obrigamo-nos a parar numa lancheria e comer empanadas e uma torta, tudo acompanhado de uma coca-cola bem gelada. Após comermos, fomos dar uma descansada para estarmos com as baterias recarregadas para o jogo.
     Acordamos, nos fardamos, pegamos a faixa e saímos para o jogo. Como o estádio era um pouco longe e a torcida do León um pouco fanática (segundo o Leonardo Oliveira), decidimos pegar um moto-taxi. Chegando no estádio, entramos numa imensa fila que dava acesso ao portão ocidental. Apesar do tamanho, a fila andou rapidamente e já estávamos dentro do estádio em poucos minutos.
     Perguntamos para uma policial se havia local específico para a torcida do time visitante e ela nos disse que não. Acreditando que os torcedores seriam pacíficos (pois não tinha separação de torcida), fomos em direção à arquibancada. Assim que entramos, avistamos um belo gramado e percebemos que estávamos no meio da torcida do León e começamos a escutar algumas vaias e gritos incompreensíveis. Para nossa sorte, vimos que havia sim um local em separado destinado à torcida do Grêmio.
     Aliviados por estar em território amigo, começamos a procurar algum lugar bem visível para colocar a nossa faixa. Infelizmente chegamos um pouco tarde (14h30min) e a torcida gremista já havia ocupado com suas faixas os locais propícios. Sendo assim, perguntamos para um policial se poderíamos pendurar em cima do vão de acesso à arquibancada e ele nos respondeu positivamente. Esticamos nossa faixa e fomos nos preparar para o começo do jogo. Nesse meio tempo ainda demos uma entrevista ao repórter da Rádio Gaúcha que estava no estádio.
     Aquecimento feito, times perfilados e equipe de arbitragem pronta para começar a partida. Assim que o juiz deu o apito inicial, a torcida se motivou ainda mais e os cantos de apoio se intensificaram. Infelizmente o primeiro tempo não foi dos melhores, pois jogamos mal, tivemos um gol anulado e, no finalzinho, o León conseguiu marcar. O intervalo foi com a cabeça inchada e um pensamento de que não poderíamos sair com uma derrota depois de tudo que todos os torcedores gremistas passaram para chegar até ali.
     No começo do segundo tempo foi notável uma mudança de postura da equipe. O Grêmio pressionava e, felizmente, conseguiu empatar nos primeiros 15 minutos. O León não conseguia atacar e todas as chances de aumentar o placar eram tricolores. Mesmo depois de inúmeras chances claras de gol, o Grêmio não conseguiu alcançar a vitória e a partida acabou num 1x1 amargo para ambas as equipes.
     Após o término do jogo iniciou-se uma série de fatos curiosos. Primeiramente, inúmeros torcedores huanuqueños começaram a pedir para tirar foto com os gremistas. Eram tantos, mas tantos, que uma mãe “jogou” seu filho no colo da Cris enquanto seu marido fotografava. Após uns 15 minutos (sem exagero) de muitos sorrisos, conseguimos respirar um pouco e o estádio já estava quase vazio. Neste momento, começávamos a recolher a faixa, quando um repórter da SporTV me chamou para uma entrevista. Ele fez diversas perguntas sobre o jogo e quando comecei a responder sobre como havíamos chegado lá, ele interrompeu a entrevista. A cara de espanto quando falei que estávamos de bicicleta foi espontânea e ele quis saber um pouco mais sobre o projeto. Depois de explicar, ele demonstrou interesse em fazer uma participação no programa “Loucos por Futebol” se conseguirmos pegar outro jogo do Grêmio (torçam para o tricolor pegar Emelec ou LDU nas 8ª ou 4ª de final!!!). Tomara que em breve nos reencontremos! Saindo do estádio, os fatos curiosos encerraram com uma “quadrilha” de piás (de uns 7 anos) que me cercou pedindo autógrafos.
     Chegando de volta ao hostel, fomos dormir um pouco para nos preparar para o retorno à Lima e deixar a cidade com melhor clima do mundo (existe uma placa com estes dizeres na entrada da cidade!) para trás. Acordamos por volta das 20h e fomos jantar. Comemos, passamos no hostel para apanhar as nossas coisas, paramos num mercadinho para comprar mantimentos para viagem e nos dirigimos para a rodoviária. Esperamos até às 21h45min, embarcarmos e começou, novamente, a sequência interminável de curvas e buzinaços. Depois de uns 20 minutos já estávamos meio sonolentos, tentando dormir para que a viagem passasse mais rápido.
Gastos:
- Mototaxi: R$2,00 - Café da manhã: R$6,35 - Hostel: R$16,70 - Almoço: R$5,00 - Janta: R$ 12,30 - Mantimentos: R$2,80 - Coca-cola no estádio: R$2,00

sexta-feira, 18 de março de 2011

120° Dia – Lima – Huanuco – 16/03/2010 – Quarta-feira

Faixa pronta para o jogo!!!
     Acordamos cedo para pegarmos o ônibus para Huánuco. Quando chegamos ao terminal da maior empresa da cidade, ficamos sabendo que ela não fazia o transporte para Huánuco. Decepcionados, corremos a cidade atrás de outras empresas, mas todas teriam apenas passagens para a noite. Além disso, ficamos sabendo que a viagem teria como duração mínima 9h. Desta maneira, compramos passagens para à 21h30min (sabendo que viraríamos a noite viajando) e voltamos para o hostel.
     Assim que chegamos ao hostel, tentamos ligar para o assessor de imprensa do Grêmio para avisar do nosso atraso, mas não conseguimos. Desta maneira, começamos a pintar a faixa. Ficamos 4h trabalhando e só fizemos metade da faixa. Exaustos e famintos, fizemos um “pit stop” para prepararmos um almoço (franguinho com batatas) e voltamos a trabalhar. Depois de passar o dia inteiro nesta função, finalizamos a faixa e preparamos tudo para pegarmos o ônibus. Entramos na internet para fazermos as últimas atualizações, falar com o pessoal e tentar o contato com o Grêmio. Quando nos demos conta, já era 20h45min. Portanto, pegamos as nossas bagagens e saímos correndo para não perder mais um horário.
video     Chegamos ao terminal às 21h05min e esperamos para embarcar às 21h35min. O ônibus era superconfortável, com direito à calefação, serviço de bordo e tudo mais. Infelizmente, a estrada e o motorista não nos deixaram tão confortáveis assim. A estrada era cheia de curvas, incrustrada nos Andes e com inúmeros buracos, desmoronamentos e rachaduras, e o motorista nos fez questionar a existência de autoescolas no Peru. Diante dessas circunstâncias, obrigamo-nos a dormir. Todo esforço vale para estar perto do Tricolor das Américas!
Gastos:
- Taxi: R$24,70 - Ônibus ida e volta: R$100,00 - Supermercado: R$20,50 - Café da manhã: R$6,70   - Guloseimas para viagem: R$4,00

119° Dia – San Vicente de Cañete – Lima – 15/03/2010 – Terça-feira

     Acordamos às 9h e a Cris já estava bem melhor. Hoje quem não estava bem era eu. Acordei com diarreia e com cólicas estomacais. Como não poderíamos ficar mais um dia parados senão perderíamos o jogo do Grêmio, levantamos e começamos a arrumar tudo.
Ciclodia
     Chegamos na rodoviária ao meio dia e embarcamos num ônibus para Lima. A viagem foi tranquila e, felizmente, não precisei visitar os serviços higiênicos do ônibus. Desembarcando em Lima, perguntamos para onde ficava o bairro Miraflores (onde fica o hostel que havíamos pesquisado - Lima Hostel), montamos todas as tralhas nas bikes e começamos a pedalar.
     O trânsito de Lima é meio tumultuado, sendo que, agradecemos ao chegar na Av Arequipa e ver que existia uma ciclovia. Pedalamos aproximadamente meia hora até chegarmos ao hostel e, durante o trajeto, avistamos uma faixa publicitária convidando para o “Ciclodia” (evento que ocorre na Av Arequipa todos os domingos pela manhã que tem como objetivo estimular a utilização da bicicleta).
Recepção do hostel
    Fomos muito bem recepcionados no hostel e nos deixaram ficar nesta noite (sendo que ainda terão que verificar a disponibilidade para as demais noites que passaremos em Lima). Instalamo-nos, fomos almoçar (ainda não tinha comido nada hoje) e retornamos ao hostel. Pesquisamos por bicicleterias próximas ao hostel e aproveitamos o finzinho da tarde para mandar as bikes para uma revisão, pois ainda não havíamos feito.
    Na ida até a bicicletria, passamos por uma ferragem que vendia plástico por metro. Paramos e compramos 5m de plástico branco para confeccionarmos a nossa faixa para o jogo do Grêmio com o Leon de Huanuco. Continuamos pedalando até a loja e deixamos as bikes para a revisão, sendo que acertamos o apanho das magrelas para sexta-feira. Na volta ao hostel, paramos numa papelaria e compramos um pincel atômico para nossos futuros trabalhos manuais. Ainda, paramos num mercadinho para comprar água.
Saudades dessa bandeira!
     De volta ao hostel, atualizamos os blogs, vimos algumas notícias e tomamos um belo banho. Já era 20h e a fome apareceu. Como ainda não estávamos 100% do estômago, fizemos uma massa purinha, sem molho algum. Agora estamos escrevendo enquanto fazemos a digestão e em breve dormiremos.
     Hoje será uma noite diferente de todas as outras desta expedição, pois o hostel tem uma política anti-sacanagem e os quartos são separados por sexo. Desta maneira, dormiremos em quartos separados!
Gastos:
- Ônibus: R$13,30 Bagagem: R$7,00 - Almoço: R$14,00 - Faixa: R$14,00 - Água: R$1,40

118° Dia – San Vicente de Cañete – 14/03/2010 – Segunda-feira

     Hoje continuaríamos nossas pedaladas rumo a Lima, mas, infelizmente, a Cris passou mal durante a noite e acordou com bastante diarreia. Sendo assim, decidimos ficar um dia aqui e nos recuperarmos. Assim que acordamos, saí para comprar uns gatorades para a Cris para evitar a desidratação.
     Passamos o dia todo no quarto. A Cris com bastante cólica e sem muita disposição. Na parte da noite, sai para jantar e aproveitei para comprar alguns mantimentos e passar numa lan house para ver as novidades e as notícias do jogo do Grêmio.
Gastos:
- Hospedaje: R$20,00 - Gatorade: R$4,40 - Janta: R$4,70 - Comidas: R$3,50 - Internet: R$0,55

117° Dia – Chincha Alta – San Vicente de Cañete – 13/03/2010 – Domingo

Imensidão amarelada!
     Acordamos mais tarde do que queríamos e ficamos na dúvida de meter o pedal na estrada ou ficar mais um dia e pegar um ônibus para ter a garantia de não perder o jogo do Grêmio. Como o dia estava bom e o destino era perto, decidimos arriscar e pedalar até San Vicente de Cañete.
     A saída da cidade foi um caos, cheio de moto taxi, caminhões e ônibus, todos buzinando muito (como sempre)! O acostamento, quando existia, estava cheio de areia e todo esburacado. Mesmo com todas estas dificuldades, nos sentíamos bem devido aos inúmeros apoios e incentivos que recebemos logo no início da pedalada.
     Por acaso, ontem achei na internet o site (http://bicicletapelomundo.com.br/) de um cicloturista que fez uma viagem parecida com a nossa e tinha disponível um link para uma parte do livro que ele escreveu (por acaso era a parte peruana da viagem). Li todos os relatos e ele também colocava que, receber incentivos de pessoas que você não conhece (pessoas simples e de outra cultura) te faz refletir, pois mesmo naquelas condições (muitas vezes precárias) estão com um sorriso empolgante no rosto e batendo palmas para um desconhecido que passa de bicicleta. Sentimos uma sensação diferenciada, algo muito diferente, algo que nos motiva a continuarmos e pensarmos em coisas maiores do que o nosso próprio umbigo.
Finalmente avistamos algum verde no meio do deserto!
     Continuando... Hoje o dia foi de muito deserto! Assim que saímos da civilização, a areia dominava a paisagem. Inicialmente, tínhamos gigantescas dunas a nossa direita e uma extensa faixa de areia e o oceano Pacífico a nossa esquerda. Depois de alguns quilômetros, começamos a subir estas dunas. A partir deste momento, foi um sobe e desce que não parou mais. Em algumas ocasiões a estrada se fundia com o horizonte devido aos cumes das montanhas e à “evaporação” provocada pelo intenso calor. Outro detalhe que consumiu nossas energias foi a constante presença de um moderado vento contra que insistia em nos segurar nas subidas e testar nossa paciência nas descidas.
     Quando estávamos em cima de um cume destes, avistamos um extenso vale e vimos que seria onde passaríamos a noite. Ao entrar naquele verde intenso, cruzamos por um volumoso rio que da vida a toda essa região. Instantes após já estávamos nos aproximando da Plaza de Armas. Paramos e começamos a procurar onde passar anoite. Acabamos encontrando uma hospedaje bem acolhedora e com um preço bem acessível, pena que o banho era gelado.
Castelo ao fundo
    Após nos banharmos, saímos para almoçarmos/jantarmos, pois a fome estava grande. Comemos num restaurantezinho na Plaza de Armas que servia um menu bem gostoso (inseri, definitivamente, o abacate no meu cardápio de pratos salgados!). Em seguida passamos numa padaria e compramos nosso café da manhã.
    Voltamos à hospedaje e estou escrevendo este relato enquanto vemos American Idol. Daqui a pouco iremos nos preparar para dormir, mas sem muita preocupação, pois amanhã serão apenas 60Km.
Gastos:
- Hospedaje: R$20,00 - Janta: R$21,40 - Mercado: R$7,90
Estatísticas:
- Distância: 55,04Km - Tempo: 4h03min48” - Média: 13,54Km/h
Condições da estrada:
- Nos primeiros 10Km foram muito ruins, com bastante buracos e muito estreito. Em seguida, veio um largo acostamento com um asfalto extremamente liso, se tornando um dos melhores trechos do Peru.

quinta-feira, 17 de março de 2011

DÁ-LHE TRICOLOR!!!

     Hoje pela manhã chegamos em Huanuco depois de 11h de viagem de ônibus. Procuramos um hostel para nos instalar e já fomos ao hotel onde a delegação do Grêmio está hospedada. Fomos muito bem recebidos pelo João Paulo (assessor de imprensa) que fez uma reportagem conosco (http://www.gremio.net/news/view.aspx?id=12253&language=0&news_type_id=3) e nos disse para retornar mais tarde que os jogadores estariam almoçando.

116° Dia – Chincha Alta – 12/03/2010 – Sábado

     Hoje não acordamos muito bem. A Cris estava com dores estomacais e decidimos queimar o nosso último dia que estava sobrando no nosso cronograma para aproveitar as excelentes instalações do hostel e descansarmos um pouco. Como fazia bastante tempo que não pedalávamos, decidimos começar devagar para irmos nos acostumando.
     Tomamos nosso café da manhã no quarto e ficamos atualizando os blogs. Aproveitamos que o hostel tem wi-fi e começamos a colocar as fotos do Peru no picasa para que o pessoal possa ver os lugares incríveis pelos quais passamos.
     Mais tarde fomos jantar num restaurantezinho aqui perto e logo voltamos ao hostel. Aqui na cidade não há muito o que fazer, a única coisa que nos chamou a atenção foi a quantidade de “tragamonedas” (casas com máquinas de caça níquel) que vimos (umas dez casas em duas quadras). Agora estou escrevendo enquanto a Cris está tomando banho. Em seguida iremos dormir para estarmos bem amanhã e pedalarmos mais um pouco.
Gastos:
- Hostel: R$33,33 - Janta: R$14,00

quarta-feira, 16 de março de 2011

115° Dia – San Andres – Chincha Alta – 11/03/2010 – Sexta-feira

     Acordamos cedinho para fazer o passeio às Islas Ballestas. Em torno das 7h35min da manhã já estávamos esperando o taxista que havia prometido nos pegar no hostal. Como ele não apareceu, pegamos um táxi coletivo e nos dirigimos para Paracas.
     Ao chegarmos no cais do porto, de onde partiríamos para o passeio, o rapaz que nos vendeu o pacote nos recebeu e nos indicou uma posição na fila de embarque. Ficamos cerca de 45min esperando o embarque, enquanto os outros grupos se organizavam nas lanchas. Assim que dois grupos partiram, foi dada a ordem de eles retornarem. Iniciou-se uma confusão entre os funcionários do cais e os agentes de turismo, e nós não estávamos entendendo nada.
     Depois de uma meia-hora de discussão, recebemos a notícia do terremoto no Japão e que, devido ao alerta de tsunami para a costa americana, todos os passeios seriam cancelados. Desta maneira, voltamos ao hostal para a arrumar os equipamentos e partir para um local mais alto, longe da beira-mar. Ao sair do hostal, o Moacir conversou com um motorista que indicou uma cidade há 40Km de San Andres que seria mais segura em caso de tsunami. Sem pestanejar, pedalamos para longe do litoral.
    A saída da cidade foi uma loucura, apesar das pessoas não estarem evacuando o local, havia muito movimento e este estava muito desorganizado. Ao chegarmos à estrada, tudo se acalmou e pudemos relaxar um pouco. Pedalamos três horas até chegar à Chincha Alta, uma cidade construída em uma montanha da costa que, apesar de grande, transmite uma sensação de interiorana.
     Procuramos por diversos hostals no centro da cidade e acabamos nos instalando em um excelente, que ficava em frente ao mercado público. Como estávamos cansados e estressados, resolvemos dormir um pouco. Ao acordarmos, vimos no jornal que o tsunami havia perdido força ao chegar na Guatemala e, se chegasse ao Peru, isso seria só à meia-noite. Sendo assim, saímos para jantar para voltarmos cedo para o hostal e nos abrigarmos em um lugar seguro. Ficamos até a meia-noite acordados e, depois de passado o susto, fomos dormir.
     Ficamos chateados de não poder ter conhecido melhor um lugar tão legal quanto a parte marinha da Reserva Nacional de Paracas, mas temos que reconhecer que isto foi algo insignificante perante todos os estragos que este terremoto provocou. É incrível como nos sensibilizamos muito mais quando também corremos risco, sendo que, nesta expedição estamos tendo uma aprendizagem enorme por vivenciar estas circunstâncias. Deixamos de nos sentir distantes ao sofrimento dessas pessoas.
Gastos:
- Hostel: R$33,33 - Almoço: R$11,35 - Taxi: R$6,66 - Mantimentos: R$6,90 - Supermercado: R$17,90
Estatísticas:
- Distância: 45,81Km - Tempo: 3h11min08” - Média: 14,38Km/h
Condições da estrada:
- Ruins, o tempo todo o acostamento com um asfalto cheio de buracos.

114° Dia – San Andres – 10/03/2010 – Quinta-feira

Ótimo ceviche e uma Pilsen mais ou menos
     Acordamos tarde hoje e nos preparamos para passar a tarde em Paracas. Como não havíamos definido qual passeio faríamos, pegamos um táxi coletivo até o povoado para nos informarmos lá. Assim que descemos do coletivo, um agente de turismo veio nos oferecer o passeio até a Islas Ballestas. Neste passeio, é possível ver golfinhos, baleias e leões marinhos, além de figuras arqueológicas. Após uma boa negociação, confirmamos o tour. A saída seria em meia hora, portanto, fomos passear pelas feirinhas de artesanato que havia na beira da praia.
     Passamos por muitas lojinhas e, como o sol estava muito forte, comprei um sombreiro para mim. Em seguida, nos dirigimos para o local marcado para a saída. Quando chegamos, percebemos que havia uma confusão entre alguns passageiros e os agentes de turismo. Após alguns instantes, o agente nos deu a informação de que o tour havia sido cancelado por falta de passageiros. Decepcionados, confirmamos o passeio para o dia seguinte (mediante um bom desconto) e fomos dar uma volta pela praia.
Degustando uma raspadilla (gelo com calda de
sorvete e chicha morada)
     O calor estava insuportável e o mar poluído, desta maneira, sentamos na sombra para nos refrescarmos um pouco. Uma senhora que estava vendendo chocolates sentou ao nosso lado e começou a conversar conosco. Ela nos informou sobre a Praia das Minas, uma baia dentro da Reserva Nacional de Paracas que, segundo ela, havia águas limpas e cristalinas. Achamos interessante conhecer tal local e começamos a pesquisar preços com os taxistas locais. Depois de muito perguntar e achar tudo muito caro, voltamos ao banco para conversarmos e decidirmos o que faríamos. Depois de uns 10min sentados, veio um taxista e começou a negociar o preço. Após muito choro de ambos os lados, fechamos um valor que agradou a todos.
Playa La Mina
     Como dentro do parque não tem lugar para comer, fomos almoçar (mesmo sem nada de fome). Sentamos num restaurantezinho, pedimos uma cerveja Cristal para provarmos e um menu com ceviche de entrada e um peixe frito de prato principal. Fiquei (Moacir) com o delicioso ceviche (ceviche é um peixe cru meio cozido no suco de limão e realmente muito gostoso) e a Cris pegou o peixe frito.
     Assim que acabamos de comer nos dirigimos à praça onde havíamos combinado com o taxista. Chegamos às 14h30min em ponto. Em um breve instante ele também chegou, embarcamos e fomos conhecer o tal parque. Como é um parque de preservação ecológica, esperávamos algo com muito verde. Mas, chegando na portaria, nos deparamos com um imenso deserto que vai até onde os olhos enxergam e um mar exuberante. Depois compreendemos que é uma reserva marinha.
     Passamos por Lagunilla, uma micro vila de pescadores que existe dentro do parque, e por algumas dunas antes de chegar à praia. Quando o taxi parou, vimos uma paisagem paradisíaca a nossa frente. Era uma mistura do amarelo vibrante da areia com um verde e um azul do oceano que nos marcou. Além disso, muitos pássaros de diversas espécies.
Playa La Mina
     Chegamos na praia, nos jogamos na areia e ficamos ali curtindo aquele visual maravilhoso. Para melhorar ainda mais, existiam pouquíssimas pessoas naquele paraíso. O sol começou a esquentar e fui dar um mergulho para refrescar um pouco. O mar é extremamente calmo e gelado! Foi dar uns dois mergulhos e voltar para o sol para esquentar novamente. Ficamos assim até às 17h, quando pegamos nossas coisas e voltamos para o taxi.
     Na volta, um casal de argentino dividiu o taxi conosco. Conversando com eles, a Cris descobriu que eles estão planejando uma viagem de bicicleta do México a Buenos Aires. Ainda estão em dúvida de “descer” pelo Pacífico ou pelo Atlântico. Com a nossa difícil, mas bela, experiência do litoral chileno, indicamos que fossem pelo lindo litoral brasileiro.
     Na ida a Paracas notamos muitos escombros na orla durante todo o trajeto e pensamos que o pessoal daqui não tem cuidado algum com a natureza. Na volta ao hotel, o taxista nos explicou que todas aquelas caliças eram os restos das casas de Pisco que foram destruídas por um grande terremoto em 2007. Além das casas, este tremor fez desmoronar uma parte da estrada de dentro da Reserva Nacional de Paracas.
     Assim que chegamos de volta ao hostel, tomamos um belo banho e começamos a arrumar tudo para amanhã, pois voltamos a pedalar. Ao anoitecer saímos para procurar algo para comer. Paramos num outro restaurante chinês e pedimos dois pratos de massa. Ambos estavam muito saborosos, apesar de não saber muito bem o que estávamos comendo. Retornamos ao hostel e agora escrevo enquanto vemos um pouco de televisão. Em breve dormiremos para acordar cedo, ir ao passeio nas ilhas e ainda ter fôlego de voltar e cair na estrada.
Gastos:
- Hostel: R$27,40 - Taxi: R$30,00 - Almoço: R$13,40 - Entrada na Reserva de Paracas: R$6,66 - Chapéu: R$10,00 - Raspadilla: R$1,00 - Café da manhã: R$9,40 - Janta: R$10,70

terça-feira, 15 de março de 2011

113° Dia – Nasca – San Andres – 09/03/2010 – Quarta-feira

    Hoje despertamos às 8h e finalizamos os preparativos para a nossa partida. O café demorou a ser servido e só conseguimos sair do hostal depois das 10h. Assim que chegamos às empresas de ônibus (aqui cada uma tem o seu terminal e todos ficam em uma mesma rua), perguntamos sobre o horário e o preço das passagens. Compramos a passagem até Ica e corremos para pegar o ônibus que já estava saindo.
Plaza de Amras de Ica
     Logo que nos acomodamos no ônibus, começou o festival de ambulantes. Inúmeras pessoas entravam e saiam do veículo com as suas iguarias, gritando e oferecendo os seus produtos. Como a fome já estava batendo, aproveitamos para provar o suco de chicha morada (suco feito da fervura de um milho preto que eles cultivam aqui) e pegar um picolé. A viagem foi tranquila e aproveitamos para descansar um pouco mais.
     Chegando em Ica, procuramos uma casa de câmbio e depois fomos almoçar. A comida estava muito boa e aproveitamos para matar a saudade de um pudim. Não era uma maravilha, mas deu pra nos fazer lembrar os doces que comíamos em Porto Alegre. Após comermos, voltamos ao terminal de ônibus e seguimos viagem até a entrada para Pisco. Descemos nesta bifurcação e começamos nossa pedalada do dia.
     Chegamos a Pisco após um pequeno tempo pedalando e ficamos na dúvida de ficar na cidade ou ir até Paracas para ficarmos realmente na praia. Como estávamos com saudade do mar, optamos por seguir pedalando até acharmos uma boa praia. Cada vez mais o asfalto ficava ruim e começamos a entrar numa região meio suspeita da cidade (até um policial para quem perguntamos o caminho nos disse para cuidar, pois era um local perigoso). Já estava tarde e parecia que não demoraria a escurecer, sendo assim, acabamos optando por ficar num pequeno balneário entre o centro da cidade e a praia de Paracas.
     Instalamo-nos num hostel bem legal em San Andres. Infelizmente o litoral daqui (de Pisco a Paracas) não é propício para banho e a faixa de areia existente é cheia de caliça e pedras.
     À noite, saímos para jantar. Fomos num restaurante chinês com uma comida bem gostosa. Após comermos, voltamos ao hostel para descansarmos. Agora estou escrevendo enquanto a Cris arruma tudo para dormirmos. Em seguida deitaremos para amanhã conhecermos o Parque Ecológico de Paracas.
Gastos:
- Hostel: R$27,40 - Ônibus: R$16,00 - Almoço: R$24,66 - Janta: R$15,30 - Chicha Morada: R$0,70 - Picolé: R$0,70 - Kris: R$1,00
Estatísticas:
- Distância: 12,39Km - Tempo: 1h05min03” - Média: 11,45Km/h
Condições da estrada:
- Boas, sendo que no acesso até Pisco existe uma ciclovia paralela à estrada. Em seguida, muito ruim, com o asfalto muito irregular e acostamento inexistente ou muito estreito.