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quinta-feira, 30 de junho de 2011

220° Dia – Bolivar – San Gabriel – 24/06/2011 – Sexta-feira

      Acordamos às 7h, mas uma chuva fininha fez com que voltássemos para a cama. Levantamos às 9h, o céu estava fechado e a chuva parecia voltar a todo instante, mas como tínhamos que continuar as nossas pedaladas, fomos tomar o nosso desayuno. Após comermos, começamos a arrumar tudo para a partida.
     No início da pedalada, a chuva deu uma trégua, mas o frio dificultava as coisas. Ontem a noite, piorei um pouco (Moacir), sendo assim, a Cris disse que pedalaria o tempo todo sozinha. Assim que saímos de Bolivar, parei para falar com um taxista a respeito do trajeto. Ele me disse que seriam 25Km com muitas subidas até San Gabriel. Um pouco decepcionados, continuamos nossas pedaladas. Para nossa surpresa, alguns quilômetros depois, vimos uma placa que indicava 12Km até a cidade. Torcíamos para que o taxista estivesse errado e a placa certa.
      O caminho realmente tinha subidas, mas nada comparado a ontem. Hoje eram subidas e descidas constantes, se revezando quase que igualmente. O problema é que, na metade do caminho, a chuva se fez presente e tivemos que colocar os nossos anoraks. Foram uns 10min de chuva fina, mas que molhava bastante. Quando parou de chover, a Cris tirou o casaco, mas tive que continuar com o meu, pois estava encharcado de suor. A cada descida, o vento gelado batia na roupa molhada (mesmo com o anorak) e dava um belo friozinho.
      Depois de quase 2h pedalando, a cidade apareceu na nossa frente. Ficamos felizes em chegar, mas um pouco assustados com a entrada da cidade (esperávamos algo maior e mais desenvolvido). Conforme pedalávamos, a cidade foi se transformando em algo mais próximo às nossas expectativas. No segundo residencial em que paramos, já nos instalamos. O local tinha boas instalações e era bem próximo à praça principal.
      Tomamos banho e já saímos para comer e ir visitar a cidade de El Angel. Ao nos informarmos de como chegar lá, ficamos sabendo que teríamos que voltar até Bolivar (se soubéssemos disto, teríamos ido para lá de manhã e pedalado a tarde). Como não achamos nenhum restaurante bom (o único melhorzinho só tinha bife de fígado), fomos comer no mesmo restaurante em que jantamos ontem, em Bolivar.
      Pegamos o ônibus e demoramos uns 30min até chegar lá. Almoçamos rapidamente (pois já era 15h) e pegamos um táxi até a cidade. No caminho, o taxista foi nos explicando sobre a reserva ecológica e as diversas lagunas da região. Ficamos um pouco desapontados em saber que tudo ficava a mais de 15Km do centro da cidade. Como já estava tarde, optamos por ficar na cidade e ver o que ela tinha para oferecer.
      Desembarcamos na praça principal e fomos direto para a “oficina” de turismo. Confirmamos que as principais atividades estavam afastadas e já era tarde para realizá-las. Sendo assim, fomos bater perna pela cidade e conhecer alguns locais próximos. Passamos por uma praça com árvores podadas formando diferentes figuras, pelo monumento do novo milênio, por uma praça com inúmeros animais feitos em pedra e pela igreja. Achamos a região parecida com Huaraz (Peru), mas em proporções diminutas. Enquanto olhávamos a igreja, fomos abordados por um repórter e acabei dando uma entrevista (em espanhol, ou quase..rs..).
      Como já tínhamos visto tudo possível, fomos até a parada de ônibus. Chegando o ônibus, embarcamos no pau-de-arara (a porta mal fechava de tanta gente) e fomos, em pé, até San Gabriel. Descemos na entrada da cidade e caminhamos até o residencial. Neste trajeto, a Cris pegou um picolé e paramos numa farmácia para comprarmos uma pastilha para a garganta. Chegando no quarto, demos uma bela descansada, pois o dia foi puxado.
      Mais tarde, saímos para jantar e só encontramos um restaurante aberto. A única coisa que estavam servindo era frango assado com batata cozida. Pedimos dois ¼ de pollo (coxa e sobrecoxa) e fomos nos sentar. Instantes depois, chegou o frango acompanhado de três batatas inteiras cozidas com casca e tudo. Como não havia talheres, pedimos ao garçom que nos trouxesse, e este estranhou o pedido e fez uma cara de surpresa. Lambuzamo-nos comendo todo aquele frango com batata e voltamos ao residencial.
      Agora estou escrevendo enquanto a Cris arruma as suas coisas para partirmos amanhã. Nossa pedalada deverá ser de uns 35Km até o nosso último destino equatoriano: Tulcan!
Gastos
- Residencial: R$14,40 - Almoço: R$11,17 - Janta: R$8,10 - Iogurte: R$2,88 - Picolé: R$1,26 - Ônibus: R$5,22 - Táxi: R$5,40 - Farmácia: R$3,15
Estatísticas
- Distância: 17,68Km - Tempo: 1h40min31” - Média: 10,55Km/h
Condições da estrada
- Excelentes, com um largo acostamento e um asfalto perfeito.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

219° Dia – Arco-íris – Bolivar – 23/06/2011 – Quinta-feira

     Acordamos às 6h, conforme o combinado. Levantamos, tomamos um excelente café da manhã e, mais uma vez, fomos vencidos pela vontade de dar mais uma recostada. Fomos levantar realmente às 10h. Arrumamos tudo e partimos rumo à fronteira do Equador com a Colômbia.
      Os primeiros 11Km foram de um sobe e desce constante até chegarmos em “El Juncal” (nosso objetivo de ontem). Por sorte optamos por ficar naquele centro recreacional ontem, pois a cidade era minúscula e não tinha nenhuma hospedagem. Continuamos nossas pedaladas, mas a partir daí foi subida que não acabava mais. Pudemos observar que nesta região a cultura indígena perde força e a africana tem maior destaque. Passamos por um pequeno povoado onde as famílias utilizavam uma das faixas da estrada para secar a produção da lavoura, sendo que a estrada é de mão dupla e pista simples, ou seja, os carros dos sentidos opostos tinham que se revesar para passar pelo local.
      Neste momento, recém tínhamos andado uns 15Km e já estávamos exaustos! Não sabemos bem qual o fator que nos debilita tanto, mas a combinação de altitude, subidas intermináveis, vento e frio é algo que realmente diminui muito o nosso rendimento. Com o passar do dia, as coisas só ficavam piores, pois o cansaço começava a se fazer presente, e comecei (Moacir) a sentir sintomas de gripe. Estando pouco debilitado, a Cris é que puxou o ritmo da pedalada e ficava cuidando de mim.
      Parávamos a cada 5Km, pois não tínhamos mais forças para continuar encarando as enormes montanhas a nossa frente. Pelo menos a paisagem ajudava a esquecer um pouco das dificuldades, ficávamos espantados com a beleza da natureza. A estrada era algo absurdo de tantas curvas. No final do dia, conseguíamos avistar o povoado, mas ficamos serpentiando entre os morros por mais de uma hora até, finalmente, chegarmos.
      Antes de sairmos da estrada e entrarmos no povoado, perguntamos para duas senhoras se havia alguma hospedagem na cidade. Levamos um susto quando uma disse que não tinha nada e que teríamos que ir até San Gabriel (mais umas 3h de pedalada) para acharmos algum lugar para dormir. Para nosso alívio, a segunda senhora disse que tinha um residencial simples onde poderíamos passar a noite. Sendo assim, nem titubeamos e entramos na cidade em busca deste tal residencial.
      Chegando no centro da cidade, vimos uma bela praça e já pudemos avistar o letreiro do residencial na próxima quadra. Assim que entramos no estabelecimento vimos que não era tão ruim quanto esperávamos, sendo que o quarto até era bonzinho mas tinha o problema do banho ser gelado. Instalamo-nos e pedimos para a senhora esquentar uma leiteira de água para que tomássemos nosso banho morno de canequinha. Depois do “maravilhoso” banho (a água do chuveiro parecia de degelo de freezer), começamos a nos arrumar para sair e comer algo.
      Procuramos algum restaurante no centro, mas não achamos nada e fomos até a estrada onde tínhamos visto vários bem legais. Acomodamo-nos num dos vários existente e fomos super bem atendidos por um senhor muito simpático. Peguei uma merienda com uma bela sopa e um prato de arroz, feijão, batata frita e salada, enquanto a Cris pegou um churrasco com arroz, ovo frito, batata frita e salada. Comemos bastante e a comida estava muito boa. Como este era nosso almoço e não pretendíamos sair para jantar, pegamos mais um churrasco para levar. Com a janta garantida, fomos em busca do nosso café da manhã. Passamos numa padaria e num mercadinho para comprarmos um pouco de tudo, pois o nosso estoque de comida está quase acabando. Depois de todas as compras, ainda passamos numa lan house antes de voltarmos ao residencial.
      Chegando no quarto, fomos arrumar a cama e fomos surpreendidos por uma aranha no meio dos lençóis. Achando que esse seria o fato mais estranho da noite, agradecemos por não termos deitado sem dar uma olhada. Quando estávamos quase terminando de arrumar a cama, afastamo-la um pouco da parede e vimos uma camisinha usada! Realmente nojento! Um pouco atordoados, continuamos arrumando tudo.
     Agora estou escrevendo enquanto a Cris alonga um pouco, em breve jantaremos e iremos dormir, pois amanhã pretendemos acordar cedo (sem recostada pós desayuno!) para chegarmos cedo em San Gabriel e irmos conhecer a cidade de “El Angel”.
Gastos
- Residencial: R$9,00   - Almoço/Janta: R$18,36   - Compras: R$9,63   - Internet: R$0,68
Estatísticas
- Distância: 35,92Km    - Tempo: 4h00min39”    - Média: 8,95Km/h
Condições da estrada
- Boas, mas com o acostamento muito estreito em algumas partes.

terça-feira, 28 de junho de 2011

218° Dia – Ibarra – Arco-íris – 22/06/2011 – Quarta-feira

      Hoje acordamos tarde, pois eu (Cris) não consegui dormir nada durante a noite. Como o percurso programado era de 40Km, resolvemos passar em uma casa de câmbio antes de entrarmos na estrada. Infelizmente, nem na casa de câmbio eles aceitaram a nota de U$100, desta maneira, assumimos a nossa posição de mendigos e começamos a pedalar.
      Desde o início da viagem, fomos agraciados com longas decidas. A medida que descíamos, íamos avistando o enorme vale que se abria a nossa frente. As montanhas ao redor perdiam o seu verde e ficavam cada vez mais áridas. O ar acompanhava estas mudanças e ficava ainda mais seco.
      Pedalamos cerca de 30Km nessas agradáveis condições até que vimos um centro recreacional (tipo um hotel fazenda) no povoado de Arco-íris. Como estávamos  a apenas 10Km do nosso objetivo, optamos por ficar hospedados neste povoado e aproveitarmos o dia de sol. O Moacir entrou no estabelecimento para se informar sobre os preços enquanto eu fiquei cuidando das bikes.
      Em poucos minutos, havia uma multidão de crianças me observando de longe. Uma senhora, que parecia ser a professora deles, veio perguntar de onde vínhamos e fiquei conversando com ela. Enquanto isso, as crianças iam se aproximando cada vez mais e mexendo curiosamente nas bicicletas.
      Quando o Moacir saiu do hotel, se assustou um pouco com aquela multidão ao meu redor, mas em poucos instantes já estava no clima da criançada. Entramos no centro recreacional e vimos duas enormes piscinas, rodeadas por belos jardins e um restaurante. Fomos encaminhados até a nossa “habitación” e nos instalamos.
      Após organizarmos tudo, colocamos as nossas roupas de banho e fomos explorar o local. Caminhamos por uma pequena trilha até chegarmos a um enorme rio, tiramos algumas fotos e fomos até as piscinas. Ficamos nadando e brincando com os “choros” (jatos de água morna) e  o trampolim por uma hora. Em seguida, voltamos ao quarto e organizamos os equipamentos, lavamos as roupas e descansamos. Às 19h, fomos até o restaurante para jantarmos. A temperatura estava muito mais baixa do que durante a tarde, sendo assim, jantamos rapidamente (a comida estava ótima) e voltamos para o quarto.
      Agora, estou escrevendo este relato enquanto o Moacir assiste um filme no único canal da televisão. Aqui, os hotéis costumam programar todas as televisões para o mesmo canal – famoso “gato”. Assim que o filme acabar, vamos dormir, pois amanhã começa a parte “dura” da viagem.
Gastos
- Hospedagem: R$27,00    - Janta: R$19,26
Estatísticas
- Distância: 34,1Km    - Tempo: 1h39min06”    - Média: 20,5Km/h
Condições da estrada
- Excelente.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vídeos

     Demorou, mas já está no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=ozM_E4r6m6M) o vídeo da nossa passagem pelo Peru!

217° Dia – Ibarra – 21/06/2011 – Terça-feira

      Hoje o dia era para relaxar! Acordamos tarde, tomamos nosso café da manhã e continuamos no quarto vendo televisão. Só no início da tarde é que fomos procurar algo para fazer. Decidimos conhecer a Lagoa Yahuarcocha (principal ponto turístico da cidade). O local realmente é muito belo, mas sem muitas coisas para se fazer. Sendo assim, Ficamos um tempo admirando a paisagem e já voltamos para o centro.
      De volta à cidade, fomos no supermercado e, em seguida, no KFC. Após almoçarmos, voltamos ao hotel para deixarmos as compras e, logo após, saímos para ir numa lan house. Atualizamos os blogs e vimos algumas novidades (infelizmente não tinha nenhuma resposta dos hotéis de Cali com os quais entramos em contato para pedir apoio). Ao sairmos da lan house, passamos num restaurantezinho para pegarmos nossa “merienda para llevar” para comermos no hotel.
      Assim que chegamos no quarto, começamos a arrumar tudo para jantarmos. Assim que abrimos a sacola, vimos potinhos com as nossa janta e dois saquinhos com suco de goiaba (aqui eles não usam copos descartáveis com tampa quando a bebida é “para levar”). Desta maneira, entramos no clima da cultura local e fizemos uns furos nos sacos para bebermos o, surpreendentemente, saboroso suco.
      Ao acabarmos de comer (ficamos empanturrados e não aguentamos comer tudo), começamos a arrumar as nossas coisas para partirmos amanhã. Pretendemos chegar em Tulcan em 2 ou 3 dias de pedalada. Apesar do caminho não ser muito longo (uns 120Km), já vimos que teremos um bom trecho de subida e todo o trajeto será em altitude, o que prejudica bastante o nosso rendimento.
Gastos
- Hotel: R$21,60    - Ônibus: R$0,90    - Táxi: R$3,60   - Janta: R$9,00    - Internet: R$2,34   - Almoço: R$8,46   - Supermercado: R$10,10

domingo, 26 de junho de 2011

216° Dia – Otavalo – Ibarra - 21/06/2011 – Segunda-feira

      Hoje o trajeto programado era de apenas 20Km, sendo assim, o Moacir acordou cedo para aproveitar a wifi do hotel e eu dormi até tarde. Logo que ele me acordou, tomamos o nosso café da manhã e começamos a preparar tudo para a viagem. Enquanto o Moacir descia as bikes, encontrou dois franceses que ficaram conversando com ele por um bom tempo sobre as festas de San Pedro e San Pablo que estão ocorrendo pela região. Depois que eles se despediram, nos dirigimos para a estrada.
      O caminho percorrido foi curto e de predominante descida. Tivemos que pedalar com mais força em apenas três subidas. O relevo e a vegetação ao redor nos oferendavam um belo espetáculo, em alguns momentos não resistimos e paramos para observar.
      Ao chegarmos em Ibarra, fomos surpreendidos pelo seu tamanho, imaginávamos que era semelhante aos outros povoados pelos quais passamos, mas possui uma estrutura de cidade grande (passamos por shopping, supermercados e grandes avenidas).  Pedalamos uns 3Km até chegarmos ao centro e lá, começamos a procurar por hospedagens. Ficamos em um hotel simples e econômico, mas perto de tudo e bem confortável. Assim que nos instalamos, abrimos a nossa barraca e os nossos sacos de dormir para deixá-los ventilar, pois acreditamos que iremos precisar deles para as próximas pedaladas. Após o banho, saímos para comer.
     Caminhamos até um supermercado onde havia um KFC, comemos o nosso tradicional “pollo grujiente con arroz e menestra” e bebemos chá de pêssego. Depois do almoço, passamos no super e voltamos para o hotel. Resolvemos aproveitar o bonito dia de sol para conhecermos um pouco mais a cidade. Andamos pelas principais avenidas, conhecemos a Igreja La Dolorosa e voltamos para o hotel pois o sol já estava se pondo e o frio começava a surgir.
     Ficamos umas 3 horas no quarto do hotel vendo televisão, editando os vídeos das próximas postagens e dormindo. Quando a fome começou a bater, saímos para jantar em uma pizzaria que havíamos passado pela frente no nosso passeio da tarde. As ruas do movimentado centro estavam vazias e com cara de abandonadas, caminhamos atentamente até o restaurante e pedimos uma pizza grande. Depois de uma hora e meia de muita pizza e conversa, já éramos os últimos na pizzaria e decidimos que era hora de voltarmos ao hotel.
     No caminho, comentamos sobre as diferentes percepções que temos quando um lugar está iluminado e movimentado para quando está escuro e vazio. Ficamos divagando sobre esses assuntos até chegarmos ao hotel. Agora estou escrevendo este relato enquanto o Moacir assiste Avatar (pela décima vez). Daqui a pouco vamos dormir pois amanhã pretendemos conhecer uma laguna aqui perto da cidade.
Gastos
- Hotel: R$21,60    - Almoço: R$9,61   - Supermercado: R$13,69    - Janta: R$25,74
Estatística
- Distância: 27,16Km    - Tempo: 1h35min36”    - Média: 16,9Km/h
Condições da estrada
- Muito boas, apesar de ter trechos com o acostamento bem estreito.

sábado, 25 de junho de 2011

215° Dia – Cayambe – Otavalo – 20/06/2011 – Domingo

     Acordamos cedo e tomamos nosso café da manhã. Como queria aproveitar a wifi do hotel para agendar algumas publicações nos blogs, fui fazer estes trabalhos burocráticos e a Cris foi dar mais uma recostada. Fiquei uns 30min fazendo isso e, quando estava quase acabando, fui acordar a Cris para começarmos a nos arrumar. Ajeitamos tudo e ficamos muito felizes por ter de volta nosso companheiro que tanto nos ajuda a fazer com que os blogs não fiquem tão monótonos (somente com textos).
     Com tudo pronto, saímos do hotel e fomos até o super. Entrei para comprar as coisas enquanto a Cris ficou cuidando das bikes. Sai com várias coisinhas para comer e acabamos fazendo um semi pic-nic ali mesmo. Enquanto comíamos, estacionou uma caminhonete com dois filhotões de são bernardo bem na nossa frente. Os bichos eram muito bonitinhos e dava muita vontade de ficar brincando horas com eles!
      Depois de comermos e brincarmos um pouco, vimos que já estava na nossa hora e fomos para a estrada. O dia começou com uma leve e longa descida de uns 7Km até o pé de uma montanha. Chegando ali, sabíamos que teríamos uma bela subidinha pela frente. Pedalamos durante quase uma hora para conseguirmos vencer os 5Km de uma subida razoavelmente íngreme. Para nossa sorte, subimos o mínimo possível, pois passamos no meio de dois cumes gigantescos!
      Dali em diante, faltavam apenas uns 18Km para chegarmos em Otavalo e sabíamos as descidas seriam predominantes. Já de cara pegamos uns 7Km de um belo declive, pois tínhamos uma bela vista da região. Depois de uma curva, avistamos um grande lago (lago San Pablo) encravado nas montanhas. Fomos obrigados a parar e tirar algumas fotos. Mais adiante, nos sentimos em casa, pois vimos uma placa de “Welcome – Puerto Alegre”. Até brincamos que havia terminado nossa expedição, era só ir pra casa...rs..
      Continuamos nossas pedaladas nas grandes descidas e pequenas subidas até chegarmos em Otavalo. A cidade nos surpreendeu, pois esperávamos um pequeno povoado e encontramos uma grande e organizada zona urbana. Passamos por diversos hotéis e todos eram meio caros. No último que fomos ver (Hotel Flores), acabamos achando um bom local, bem localizado e com um preço acessível. Sem dúvida alguma, nos instalamos e tomamos um delicioso banho quente (os nossos banhos em Cayambe eram beirando o gelado).
      Limpos e bem quentinhos, fomos bater perna pela cidade para vermos algum lugar para comer, pois a fome estava grande. Depois de muito procurar, paramos num dos poucos abertos (pois é domingo dos dia dos pais!). Pedimos uma bandeja (prato típico) para dois e refrigerante. Assim que chegou o prato, vimos que seria pouco para os dois e pedimos mais um churrasco para a Cris (por incrível que pareça!). Com os dois pratos na mesa, vimos que teríamos que remar para poder dar conta. O meu prato tinha uns oito pedaços de carne de porco frita, três batatas (ou algo parecido) cozidas, umas duas espigas de milho (um tipo característico deles) cozido e mais um punhado de um tipo de milho de pipoca assado e o prato da Cris tinha dois bifes gigantes, arroz, batata frita e dois ovos fritos. Remamos, remamos e remamos até dar conta daquele mundaréu de comida (mas foi tudo). Mais do que satisfeitos, fomos saímos do restaurante para ir até uma grande feira de artesanatos.
      Assim que botamos o pé para fora do restaurante, vimos que estava chovendo razoavelmente forte. Íamos de marquise em marquise até chegarmos nas banquinhas. Quando começamos a ver as artesanias, já nem nos importávamos tanto com a chuva. Passamos em várias tendinha e confirmamos que pagamos um bom preço pela pintura de Quito, pois aqui estão pedindo U$90 por pinturas do mesmo tamanho. Olhamos muitas coisas e deu vontade de comprar vários casacos de lã (são muito bons e baratos – R$25), mas não temos como carregar. Quando já estávamos quase terminando de ver, a Cris bateu o olho num lindo tapete e ficou encantada (faz tempo que ela estava procurando). Acabamos comprando mais um recuerdo desta nossa expedição. Quando já estávamos saindo da feira, uma vendedora teve a excelente ideia de tirar a água empoçada na cobertura de sua barraquinha bem na hora em que estava passando. Parecia que tinham virado um balde cheio de água bem em cima de mim. Fiquei encharcado! Aí sim vimos que já estava na hora de voltarmos ao hotel. Antes, ainda passamos num super que tem pertinho do hotel para comprarmos algo para garantir nossa janta (pois não sabemos se terá algum restaurante aberto de noite).
      Chegando no hotel, aproveitamos a wifi para fazer contato com Porto Alegre e falarmos um pouco com a família. Mais tarde, fizemos uns sanduíches como nossa janta, pois não tínhamos muita vontade de sair de baixo das cobertas para ir procurar restaurante aberto. Em seguida, começamos a nos preparar para dormir, pois amanhã teremos mais pedal até Ibarra.
Gastos
- Hotel: R$21,60    - Almoço: R$22,17    - Supermercado: R$20,80    - Tapete: R$25,20
Estatística
- Distância: 30,96Km    - Tempo: 2h03min59”    - Média: 14,98Km/h
Condições da estrada
- Muito boas, apesar de ter trechos com o acostamento bem estreito.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

214° Dia – Cayambe – 18/06/2011 – Sábado

      Acordamos cedo para partir rumo ao norte, mas a Cris não estava muito bem. Ela despertou com dor de cabeça e de garganta, sendo assim, preferimos ficar mais um dia parados em Cayambe. Como já estávamos acordados, aproveitamos para tomar nosso desayuno. Depois de comer, não tínhamos muito o que fazer, então ficamos deitados descansando para ver se a Cris melhorava para que amanhã possamos continuar nossas pedaladas.
      No início da tarde, começamos a nos preparar para sair e ligar para a Gabi para desejar tudo de melhor para ela e para o Edu nesta nova fase da vida deles (o casamento deles é hoje). Um pouco antes de sairmos, fui tentar, mais uma vez, fazer com que o computador funcionasse. Milagrosamente, ele ligou normalmente! Sendo assim, comecei a fazer um backup decente para que não percamos nenhum arquivo caso ele volte a dar problemas. Como demoraria este processo, a Cris achou melhor ela ir sozinha até as cabinas para ligar para a Gabi, pois se aproximava o horário do casório.
      Depois que ela voltou das cabinas (me contou que quase chorou falando com a Gabi) e que o backup já estava bem encaminhado, fomos tomar um banho para irmos almoçar. Para variar, a água não estava esquentando direito. A Cris não estava a fim de tomar banho frio e foi reclamar na recepção. Deram duas alternativas para ela: tomar banho num outro quarto ou esperar que eles levariam um balde de água quente. Ela preferiu pelo balde e uns 20min depois lá estávamos nós nos revezando num banho de canequinha! Fazia tempo que não tomávamos banho assim!
      Depois do diferenciado banho, saímos do hotel meio sem rumo, pois não sabíamos o que queríamos comer. Passamos por quase toda a cidade e acabamos comendo no restaurante chifa (chinês) que tem na frente do hotel. Queríamos uma comida com um tempero diferente do tradicional equatoriano. O arroz com pollo e chaulafan de chancho (parecido com arroz com porco) estavam deliciosos, mas, para variar, veio MUITA comida. Não conseguimos dar conta dos dois pratos de caminhoneiro, sendo assim, levamos para que amanhã eu tenha um café da manhã reforçado...rs..
      Passamos o resto da tarde em função do computador e vendo televisão. Copiamos todos os arquivos e passamos o antivírus, mas não achamos nada que pudesse estar provocando tais problemas. Só nos resta torcer para que não volte a ficar mal  humorado e não queira funcionar.
      Com o cair da noite, saímos para jantar. Como havíamos comido muito no almoço, nada nos apetecia. Passamos em frente a diversos restaurantes, mas nenhum nos empolgou e acabamos voltando para o hotel. Ficamos descansando e conforme a fome ia aparecendo íamos beliscando nossas reservas de comida.
     Amanhã pela manhã passaremos no supermercado para comprarmos algumas coisas e em seguida partiremos rumo a Otavalo. Vimos no Google Maps que teremos uma boa subidinha já de início, mas depois será só curtir uma grande descida até a cidade.
Gastos
- Hotel: R$21,60    - Internet e telefone: R$2,16    - Almoço: R$11,70

quinta-feira, 23 de junho de 2011

213° Dia – Cayambe – 17/06/2011 – Sexta-feira

     O relato de hoje talvez seja um pouco mais curto do que os anteriores, pois o netbook se entregou de vez (sendo assim, voltamos ao caderninho). Realmente “tem coisas que só a Philco faz por você”. Só a Philco te deixa na mão e faz você perder seus arquivos. Por sorte, fizemos um backup um tempo atrás.
     Hoje acordei às 10h e fiquei tentando ligar o computador até a Cris acordar. Assim que ela despertou, tomamos o nosso desayuno e ficamos descansando um pouco mais para nos recuperarmos do duro, apesar de pequeno, pedal de ontem.
      No início da tarde, decidimos ir conhecer o Parque Arqueológico Cochasquí. Pegamos dois ônibus e chegamos ao entroncamento da estrada com o acesso ao parque. Descemos do ônibus às 14h30min e vimos uma placa que dizia que o parque fechava às 16h. Infelizmente, faltavam 8Km morro acima até chegar à entrada do parque. Sendo assim, desistimos de ir caminhando e optamos por ficar esperando algum táxi ou carona. Depois de meia hora esperando, vimos que a nossa tentativa seria infrutífera e decidimos voltar a Cayambe.
Sorvete de bacia
      Chegando de volta a cidade, paramos numa lan house para ver as novidades e fazer contato com hostals e hoteis de Cali e Bogotá. Depois do trabalho burocrático, passamos no supermercado e fomos almoçar no mesmo restaurante de ontem. Enquanto comíamos, vimos no canal da cidade que haveria uma festa na praça principal em homenagem a San Pedro (padroeiro da cidade).
      Antes de irmos ao centro, passamos no hotel para colocar um casaco, pois aqui é frio após o anoitecer. Chegando no local do desfile, vimos que era parecido com o Carnaval Andino que tínhamos visto no Chile (Iquique e Arica). A diferença é que aqui, a festa tem relação com a colheita e o solstício de 21 de junho. As mulheres usam roupa típica andina (chapéu, casaco de lã, saia, meião de lã e sapatinho preto) e os homens se vestem com uma calça feita de pelego de ovelha ou lhama e colocam uma máscara/toca típica.
      Enquanto víamos a festa toda, provamos dois pratos típicos: um sanduíche de queijo de cabra com figo fervido em uma calda e um “sorvete de bacia” que na verdade é uma merengada saborizada. Depois de vários “barrios” passarem, vimos que já estava na nossa hora, pois amanhã queremos acordar cedo para ir até Otavalo.
      Agora estamos aqui no quarto e, enquanto escrevo, vemos um pouco de televisão. Daqui a pouco vamos arrumar tudo e cair no berço.
Gastos:
- Hotel: R$21,60 - Sorvete: R$0,54 - Picolé: R$2,32 - Sanduíche: R$0,90 - Supermercado: R$1,66 - Almoço: R$9,00 - Internet e ligação: R$6,93 - Ônibus: R$7,20

quarta-feira, 22 de junho de 2011

212° Dia – Guayllabamba – Cayambe – 16/06/2011 – Quinta-feira

      Hoje nos demos ao luxo de acordar tarde, pois o trajeto previsto era de apenas 30Km e estávamos exaustos do dia anterior. Assim que tomamos nosso café da manhã, começamos os preparativos para a nossa partida. O dia estava nublado e prometia uma agradável tarde de pedalada.
      Subimos nas bikes um pouco antes do meio-dia e partimos rumo a Cayambe. O trajeto iniciou com uma pequena descida e depois oscilou entre altos e baixos. Pedalávamos com muito esforço e, em alguns momentos, o Moacir tinha que me puxar porque eu não aguentava o peso da bicicleta. Paramos inúmeras vezes para conseguirmos respirar. É incrível como a altitude influencia no nosso rendimento.
      Após 20Km pedalando nessas difíceis circunstâncias, paramos para perguntar quantos quilômetros faltavam para chegarmos a Cayambe. Um simpático agricultor nos responde que teríamos mais uma hora e meia de muita subida pela frente. Esta informação acabou com a minha motivação, tive vontade de começar a chorar e chamar a mãe. Como isso seria inviável e não me levaria a lugar nenhum, baixei a cabeça e segui pedalando. O Moacir sentiu a tensão no ar e se ofereceu, várias vezes, para me puxar.
      Pedalamos por uns 5Km até que entramos em uma região incrivelmente linda. Era o alto de uma montanha, cheia de eucaliptos, de onde conseguíamos ver um cânion verde muito extenso e de rara beleza. Paramos um pouco para comer e observar aquela maravilha de lugar. Ao voltarmos para a estrada, as baterias já estavam recarregadas e pudemos desfrutar o “passeio”.
     Subimos e descemos mais alguns morros até encontrarmos o marco 0°. Mais uma vez iríamos atravessar a Linha do Equador, mas, desta vez, para ficarmos no hemisfério norte. Paramos no monumento que marca o paralelo 0° e tiramos algumas fotos. Um rapaz que estava ali por perto veio falar conosco e nos disse que faltavam apenas 6Km para chegarmos ao nosso destino. Entretanto, teríamos que atravessar uma íngreme montanha. Visto que já estávamos acostumados a encarar as presepadas que os Andes nos oferece, nos resignamos e seguimos.
     Felizmente, o trajeto íngreme não era muito difícil e, em meia hora, já chegávamos em Cayambe. Como não sabíamos o tamanho da cidade, começamos a procurar por hostels desde a sua entrada. Acabamos ficando em um próximo ao centro que, apesar de não ser o melhor, tinha wifi. Assim que nos instalamos, arrumamo-nos e saímos para comer. Comemos a nossa “merienda” (aqui eles chamam assim a janta) em um restaurante de comida caseira e, em seguida, fomos dar uma caminhada pelo centro.
      Passamos por uma feira onde vendiam muita batata e banana (aqui eles chamam a banana conforme o seu estado, ou seja, de “maduro” ou “verde”), além de carnes, verduras e comida típica. Achamos interessante ver como os locais comem nos restaurantes improvisados no meio da feira, sem se importar com a ausência de mínimas condições de higiene. Saímos da feira e fomos ao supermercado comprar alimentos para o nosso café da manhã. Assim que saímos do super, voltamos para o hostal, pois o frio estava intenso e precisávamos descansar. Agora o Moacir está assistindo televisão enquanto escrevo este relato. Em seguida, faremos uma ceia e nos prepararemos para dormir.
Gastos
- Hotel: R$21,60 - Supermercado: R$16,91 - Almoço: R$12,15
Estatísticas
- Distância: 40,29Km - Tempo: 3h41min45” - Média: 10,8Km/h
Condições da estrada
- Boas apesar de ter alguns trechos em reforma.

terça-feira, 21 de junho de 2011

211° Dia – Quito –Guayllabamba – 15/06/2011 – Quarta-feira

     Dormimos até tarde, pois sentimos o efeito do happy hour de ontem. Assim que acordamos, iniciamos os preparativos para a partida. Foi difícil dizer adeus ao conforto do Hostal La Rábida, mas tivemos que nos despedir dos simpáticos funcionários e seguir a nossa viagem.
      A saída de Quito foi complicada, havia muito trânsito e a ciclovia não compreendia todo o nosso caminho. Além disso, a zona norte da cidade é repleta de morros, o que acabou nos retardando um pouco. Após pedalarmos 10Km na área urbana, paramos numa bicicleteria para comprarmos um velocímetro para mim (Cris), visto que o meu antigo foi roubado no Peru. O Moacir entrou na loja e escolheu o modelo. Quando foi tentar pagar com a nota de U$100, a loja não aceitou (que surpresa!). Como só tínhamos U$10 trocados, optamos por comprar o velocímetro em Cali.
      Andamos mais duas quadras e paramos num KFC para almoçarmos e trocarmos a nota de U$100. Infelizmente, eles também não aceitaram a nota nem cartão de crédito. Quando já havíamos desistido de comer, um gentil senhor se aproximou do Moacir e perguntou o que estava acontecendo. Depois que ele explicou a nossa epopeia para trocar as notas de U$100, o gentil senhor sacou a sua carteira e trocou a nota. Agradecemos muito a ele e fomos almoçar. Após comermos, pedalamos até a bicicleteria e compramos o velocímetro. Saímos da bicicleteria felizes por termos conseguido tudo que precisávamos e agradecidos por sempre aparecerem boas pessoas no nosso caminho, que nos ajudam a superarmos os desafios. Poucos minutos depois, entramos na estrada Panamericana Norte.
      O caminho até Guayllabamba foi curto, mas intenso. Tivemos uma longa descida, seguida de uma subida de uns 15Km. Subimos por quase duas horas a longa montanha que nos levaria a cidade. Às 16h, chegamos ao pequeno povoado e fomos procurar estadia. Ficamos no segundo lugar que vimos, no caminho para Cayambe.
      Assim que nos instalamos no hostal, pensamos em ir conhecer o zoológico da cidade, mas a preguiça nos venceu e ficamos descansando. Mais tarde, saímos para jantar e aproveitamos para passar num mercadinho para comprarmos o nosso café da manhã. Agora, estou escrevendo este relato enquanto o Moacir prepara tudo para amanhã. Em seguida, iremos dormir, pois amanhã teremos mais Andes pela frente.
Gastos
- Hostal: R$27,00 - Janta: R$15,48 - Almoço: R$8,24 - Velocímetro: R$12,60 - Água: R$1,44 - Suco: R$1,80
Estatísticas
- Distância: 38,48Km - Tempo: 2h21min49” - Média: 16,28Km/h
Condições da estrada
- Muito boas, pois o acostamento é razoavelmente largo e o asfalto muito bom.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

210° Dia – Quito – 14/06/2011 – Terça-feira

Redução de cabeça de animal e de pessoa
     O dia de hoje foi intenso! Acordamos às 9h e já começamos os preparativos para pisarmos na linha do equador. Antes de sairmos do hostal, confirmamos o caminho e os ônibus que deveríamos pegar com os gentis funcionários da recepção.
     Caminhamos até a parada e, quando chegamos, o ônibus já estava bem próximo. O trajeto até a “Cidad Mitad del Mundo” durou cerca de uma hora e meia. Assim que entramos, nos surpreendemos com o tamanho do local. Era um enorme parque cheio de salas de exposições, monumentos e zonas de lazer. Conhecemos a sala “Franceses”, onde havia a explicação de como os franceses – acompanhados de espanhóis e equatorianos – fizeram as medições do paralelo 0°. Em seguida, visitamos uma sala com maquetes de Guayaquil e Cuenca, importantes cidades equatorianas. Além do museu de insetos, uma sala muito interessante repleta de mariposas e cascudinhos (que não eram tão “inhos”) de todo o mundo. Achamos estranho haver salas com conteúdos tão distintos do objetivo do parque, mas gostamos muito da sala dos insetos.
Nem diferentes hemisférios nos afastam!!!
     Assim que saímos da área em que estão as salas de exposição, fomos até um belo jardim onde se encontra o relógio solar e o monumento que representa a divisão dos dois hemisférios. Obviamente, tiramos muitas fotos fazendo poses ridículas e dando muita risada. E ainda, pudemos conhecer um pouco mais da cultura dos antigos povos que ali viveram, da importância que eles davam ao sol e aos fenômenos naturais através de painéis explicativos. É incrível perceber o conhecimento desses povos tão antigos. Depois disso, aproveitamos para passarmos em umas lojinhas de artesanato a fim de explorarmos um pouco mais a cultura local.
      Logo que saímos da Mitad del Mundo, fomos conhecer o famoso museu Inti Ñan. Ao chegarmos no lugar, achamos um pouco estranho, pois parecia uma construção no meio da floresta e bem rústica. Entramos no local e, depois de caminhar bastante sozinhos, fomos abordados por um rapaz que nos levou até a guia que iria nos acompanhar. Durante o tour, a guia nos explicou sobre o estilo de vida dos povos das quatro regiões do Equador (existe uma tribo indígena que realiza a redução de cabeças de inimigos e de pessoas importantes da tribo através da fervura da pele depois que tiram o crânio – algo BIZARRO!), sobre os animais da região, sobre as formas que mediram o paralelo 0° e sobre os efeitos de estar sobre a Linha do Equador.
     Foi incrível ver a influência da rotação da Terra na água: a guia posicionou uma pia com a mesma água no hemisfério norte, no sul e na linha do equador, e a água rodou no sentido anti-horário, horário e não rodou, respectivamente. Além disso, fizemos experimentos onde constatamos a perda de força e a mudança do ponto de equilíbrio quando se posiciona na Linha do Equador. Adoramos vivenciar estas experiências e confirmar qual é o verdadeiro marco 0°.
Tente em casa: ovo na cabeça de um prego!
     Saímos do Inti Ñan morrendo de fome e fomos procurar restaurantes na volta do museu. Como não encontramos nenhum aberto, pegamos o ônibus e voltamos para o centro de Quito. Paramos próximo ao hostal e almoçamos em um restaurante no caminho e, para variar, comemos demais. Ao chegarmos no hostal, só pensávamos em “jiboiar” um pouco. Dormimos até às 21h e, assim que acordamos, saímos para o nosso Happy Hour de sete meses de casados. Ficamos conversando e provando os drinks dos pubs da praça Foch. Como não haviam bebidas típicas, tivemos que recorrer à cervejinha e à piña colada. Quando nos demos conta, já passava da meia-noite, sendo assim, voltamos para o hostal para descansarmos pois amanhã voltaremos à rotina das pedaladas.
Gastos
- Ônibus: R$4,14 - Pão: R$1,80 - Ciudad Mitad del Mundo: R$7,20 - Museu Inti ñan: R$10,80 - Almoço: R$15,14 - Janta: R$6,73 - Noite: R$17,46

domingo, 19 de junho de 2011

209° Dia – Quito – 13/06/2011 – Segunda-feira

      Acordamos sem pressa, pois hoje nos mudaríamos para o Hostal La Rábida (onde ganhamos duas hospedagens) e não queríamos abusar da boa vontade e chegar antes do meio-dia no hostal. Sendo assim, durante a manhã ficamos aproveitando a wifi do hostal para atualizar os blogs e falar com a família. Lá pelas 10h30min começamos a arrumar tudo para a nossa partida em direção a zona norte da cidade.
     Assim que saímos do centro histórico, nos deparamos com uma vasta rede de ciclovias. A cidade de Quito parece apoiar bastante a utilização da bicicleta como meio de transporte urbano. No trajeto, aproveitamos para passar no parque El Ejido para conhecer mais um dos pontos turísticos de Quito. Em seguida continuamos nossa ida até o hostal La Rábida, mas antes de chegar ainda passamos na bela igreja Santa Teresita.
     Chegando no hostal, fomos super bem atendidos e nos levaram até nosso quarto. Não acreditamos quando vimos uma grande e luxuosa habitacion! Com certeza está entre os melhores locais em que nos hospedamos até agora! Sendo assim, nos instalamos, tomamos um excelente banho e já fomos conhecer as redondezas.
     O bairro é muito melhor do que o centro histórico, pois tem uma infraestrutura mais elaborada e passa uma sensação de segurança muito maior. Saímos do hostel e já almoçamos num restaurantezinho bem próximo. Para nossa surpresa, a bebida que acompanhava o almoço era chicha morada (a mesma que tomávamos no Peru)! Enquanto almoçávamos, percebemos que teremos saudades de alguns toques culinários dos países pelos quais passamos, mas, também, terão coisas que não deixarão saudade alguma.
     Assim que saímos do restaurante, fomos ao Museu de Artesanias Mindalae. Ficamos impressionados com a riqueza das peças em exposição, mas pena que a guia não era das mais preparadas. Numa das exposições ela nos apresentou uma mesa que representava algumas cerimônias indígenas. Nesta mesa, estava a figura de um buda. A Cris ficou intrigada com aquilo e rolou o seguinte diálogo:
(Cris) – Está cultura é antiga ou atual?
(Guia) – Antiga.
(Cris) – Mas e o Buda, veio com os espanhóis?
(Guia) – Não, não. O Buda é japonês!
      Continuamos a visita sem fazer mais perguntas depois dessa. Mas a exposição falava por si só com as diversas peças de barro, vestuário, armas, etc.
     Após o museu, fomos caminhando até a Casa de Cultura Equatoriana. No caminho passamos por uma grande feira de artesanatos. Ficamos uns 30min olhando peças de barro, confecções de tecelagem, martelinhos e coisas afins. Como uma das peças de artesania de Huaraz que estamos carregando se quebrou, estamos meio cabreiros de comprar mais coisas que possam se danificar até Caracas (quando receberemos visita e poderemos mandar todas as tralhas para o Brasil). Quase no final da feira, bati o olho (Moacir) numa pintura que retratava a cidade de Quito e fiquei impressionado com a beleza da obra. O preço inicial já era bom (U$35,00), mas como estamos em época de vacas magras, dei uma chorada e acabei levando por U$20. Espero que não danifique no caminho!
      Continuamos nosso caminho e ficamos um pouco decepcionados quando chegamos na Casa de Cultura. Esperávamos um pouco mais. Sendo assim, demos uma olhada rápida numa exposição e fomos descansar um pouco no parque El Ejido. Ficamos um tempo sentados num banquinho na sombra e conversando sobre como a cidade de Quito nos surpreendeu positivamente, se mostrando como uma das melhores capitais pelas quais passamos (empatado com Buenos Aires, mas num estilo bem diferente).
      Na volta para o hostal, passamos na praça El Quinde e nos deparamos com uma grande quantidade de barzinhos e restaurantes muito legais. Decidimos que comemoraremos nossos 7 meses de casados ali. Em seguida, passamos no supermercado para comprar alguns mantimentos e retornamos ao hostal.
      Tiramos uma soneca na cama extremamente confortável e com um edredom bem pesado que mantinha muito bem todo o calor. Depois de umas 2h, acordamos com muita preguiça e sem vontade alguma de sair de baixo das cobertas, mas tínhamos que jantar e fomos nos arrumar. Chegando na zona gastronômica e boemia, optamos por um restaurante de comida típica equatoriana. A comida estava boa e ficamos satisfeitos com o jantar (mas também não era nada demais). Após comer, demos uma volta pela praça, mas deixamos o happy hour para amanhã.
     Cansados, voltamos para o hostal e nos informamos sobre como chegar até o povoado de Mitad del Mundo (onde passa a Linha do Equador e tem diversos museus). O rapaz da recepção foi super atencioso e se mostrou bem interessado pela nossa expedição. Ele nos explicou e vimos que era bem fácil todo o trajeto. Aliviados por ter um caminho fácil amanhã, nos recolhemos ao nosso aconchegante aposento. Antes de dormir, ainda aproveitei a wifi para colocar os últimos vídeos dos relatos diários no youtube. Agora sim está atualizado!
Gastos
- Almoço: R$5,40 - Quadro: R36,00 - Supermercado: R$11,12 - Banheiro: R$0,27 - Água: R$0,72 - Picolé: R$1,98 - Museu: R$10,80 – Janta: R$36,80

quinta-feira, 16 de junho de 2011

208° Dia – Quito – 12/06/2011 – Domingo

     Acordamos, tomamos nosso café da manhã e recebi um maravilhoso presente de dia dos namorados que a Cris tinha feito. Um vídeo com momentos inesquecíveis nossos e com a minha música preferida. Mais tarde, decidimos que hoje aproveitaríamos o dia dos namorados para fazer um pic-nic no parque La Carolina e depois pegaríamos um cineminha. Sendo assim, arrumamos nossa bolsa cheia de coisas e fomos pegar o ônibus.
     Descemos no parque e buscamos um lugar para pararmos e montarmos todo o aparato. Enquanto procurávamos, vimos que o Jardim Botânico (que fica no próprio parque) é muito menor do que esperávamos e nos despilhamos em entrar para conhecer. Ainda passamos por muitas carrocinhas com cevichocho (algo semelhante ao ceviche, mas somente com grãos), algodão doce, cachorro quente e saladas de fruta. Quando achamos uma sombra adequada, paramos e montamos tudo. Ficamos ali comendo e admirando o belo céu e as copas das árvores.
     Depois de algum tempo, o vento começou a soprar mais forte e o friozinho pegou. Decidimos dar uma caminhada e conhecer um pouco mais o parque. Passamos por um local com um curso d'água artificial onde tinha aluguel de pedalinhos, por muita área arborizada, por locais com grandes gramados e por uma área com inúmeras quadras polidesportivas. Próximo às quadras, observamos alguns senhores praticando um esporte bem diferente de tudo que já vimos. Aproximamo-nos e começamos a conversar com um senhor que estava vendo o jogo. Ficamos sabendo que o jogo se chamava “pelota nacional”. A quadra é uma faixa de chão batido com uns 8m de largura e uma extensão de, até, uns 50m. Os jogadores usam uma raquete extremamente pesada e com cones de borracha extremamente duros para golpear a bola (do tamanho de uma bola de futsal, mas mais pesada e que quica mais que uma de basquete) e mandar para a quadra adversária. As regras e a contagem são semelhantes ao do tênis.
     Depois de ficarmos um bom tempo vendo o jogo, fomos dar mais uma caminhada. Depois de recorrermos mais uma vez todo o parque, começamos a procurar um cinema próximo. Acabamos achando um grande shopping com várias salas. Chegamos em cima da hora do filme “Kung Fu Panda 2”, compramos os ingressos e fomos rapidamente ao supermercado e à praça de alimentação para comprarmos muitas coisas para comermos enquanto víamos o filme (a fome estava grande).
     O filme era cada vez mais engraçado! Vários momentos tiveram tiradas e piadas que faziam com que nós ríssemos muito mais do que as crianças que estavam na sala. Depois de 1h40min de muita risada e comida, nos retiramos do cinema. Como estávamos voltando ao hostal e sabíamos que no centro histórico não teria nada aberto, passamos no KFC e McDonald's e pegamos nossa janta “para levar”.
     Chegando no hostal, ficamos atualizando os blogs e preparando as coisas, pois amanhã iremos para o Hostal La Rábida, onde ganhamos duas hospedagens. Mais além, jantamos e fomos dormir.
Gastos
- Hostal: R$18,00 - Ônibus: R$1,80 - Café da manhã: R$8,95 - Cinema: R$16,56 - Janta: R$12,44 - Algodão doce: R$1,35 - Guloseimas: R$14,60

quarta-feira, 15 de junho de 2011

207° Dia – Quito – 11/06/2011 – Sábado


     Hoje o Moacir me arrancou da cama às 9h, pois havíamos combinado de ir ao teleférico e todos os locais onde nos informamos indicavam que a visita deveria ser pela manhã. Sendo assim, tomamos o nosso café da manhã e fomos procurar a parada do ônibus que nos levaria até o local. Na saído do hostal, perguntamos para alguns policiais (há muitos espalhados pelo centro histórico) sobre a localização da parada e eles nos indicaram onde ficava.
     Logo que chegamos na parada, o ônibus passou. Apesar da simplicidade dos veículos, ficamos encantados com a eficiência do transporte coletivo em Quito. Além da passagem ser barata, os ônibus passam rapidamente e existem seguranças na maioria das paradas. Ao chegarmos no teleférico, pegamos um ônibus interno (gratuito) que nos levou até a área onde deveríamos comprar os bilhetes.
     Poucos minutos depois, entrávamos no teleférico mais alto das nossas vidas (vai até 4.100m de altitude). A subida foi tranquila, pois, apesar da altitude, a cabine não se afasta muito do solo. Ficamos admirando a imensidão da cidade e tirando muitas fotos. No final do percurso, o Moacir perguntou para o guia de um outro turista se ele sabia se a estrada até Mitad del Mundo era boa para sair de Quito. Este, informou-nos que a estrada era difícil e que era melhor pegarmos a Panamericana Norte. Além disso, nos disse que existem duas metades do mundo (linha do Equador), uma verdadeira e uma falsa, construída para os turistas. E que deveríamos conhecer as duas.
     Após esta conversa, chegamos no topo do teleférico, na montanha do vulcão Pichincha. A estrutura do local é enorme, mas um pouco mal cuidada. Caminhamos pelos miradores, visitamos a capela e subimos até o ponto onde se pode ver o cume do vulcão. O Moacir quis subir até o cume, mas eu não estava me sentindo bem por causa da altitude e preferi ficar sentada em umas barraquinha de comida típica. Ele subiu até um certo ponto, mas desistiu de ir até o cume para não me deixar esperando muito tempo (teria que caminhar mais uma hora e meia até o cume). Assim que ele voltou, descemos pelo teleférico e voltamos para o centro da cidade.
     Como a parada de ônibus do centro ficava perto do Centro Cultural Itchimbía, descemos do ônibus e fomos caminhando até o parque que dava acesso ao centro cultural. O parque é enorme e fica no alto de um cerro, sendo assim, perguntamos para algumas pessoas qual era o caminho mais fácil. Infelizmente, elas não nos indicaram o melhor caminho e tivemos que ficar uns 45min caminhando e subindo escadas até chegarmos ao local. O Itchimbía é um palácio de cristal muito bonito (bem parecido com o de Petrópolis – RJ) que serve para eventos culturais em geral. Em torno do centro cultural há um enorme parque verde com ciclovias, trilhas para pedestres, quadras esportivas e parques infantis. É um ótimo local para aproveitar uma tarde ensolarada.
     Após a visita ao local, a fome fez com que fossemos procurar um restaurante para almoçarmos. Como já passava da 16h, tivemos que comer um “pollo com menestra” no KFC. Depois do almoço, voltamos para o hostal para descansarmos um pouco. Dormimos um pouco, atualizamos os blogs, falamos com a família e saímos para jantar. Assim que saímos, nos assustamos com o vazio das ruas. Todas as lojas estavam fechadas e só haviam pessoas estranhas nas ruas. Acabamos comendo em um chaufa que achamos aberto na praça do teatro. Em seguida, voltamos ao hostal, pois não havia nada para fazer na rua. Agora estamos atualizando as postagens e, daqui a pouco, vamos dormir.
Gastos:
-Hostal: R$18,00 - Almoço: R$9,05 - Ônibus: R$1,80 - Refri: R$1,80 - Janta: R$11,16 - Picolé: R$2,16